Diante da falta de material para testes PCR a Abrasco, a ANESP e o Observatório Covid-19 BR enviaram uma nota técnica ao Ministério da Saúde e à Anvisa, em que frisam “extrema urgência” no aperfeiçoamento do plano nacional de testagem.

Segundo a OMS, nos primeiros dias de janeiro de 2022 o mundo registrou 9,5 milhões de casos de Covid-19, o maior número desde o início da pandemia.

No Brasil, a Fiocruz indicou a maior média móvel na quantidade de pessoas infectadas pelo coronavírus desde agosto de 2021.

Diante da crise na testagem as entidades detalham no documento O Brasil precisa com urgência de uma política de testagem universal para contenção da Covid-19, medidas que precisam ser adotadas pelas autoridades sanitárias e políticas a fim de massificar “o acesso a testes de antígeno para diagnóstico da Covid-19 na rede pública de saúde”.

Uma das reinvindicações é a regulamentação dos denominados “autotestes para leigos”, tecnologia que permite testagem rápida sem a presença de um profissional de saúde.

Baixe a nota completa, e confira algumas informações organizadas pela Comunicação da Abrasco, e baseadas no documento:

Por que ampliar a testagem é importante?

Se a vacinação, uso de máscaras PFF – 2 e higienização das mãos são imprescindíveis para a prevenção do vírus, os testes são necessários para a detecção precoce de um caso positivo de Covid-19. A constatação do vírus é essencial para conter a sua disseminação, através de isolamento dos casos positivos e quarentena dos casos suspeitos.

Como está a política de testagem no Brasil?

A nota indica que hoje os testes são “escassos, caros e inacessíveis para boa parte da população”, e só é possível testar-se em unidades de saúde, farmácias e laboratórios. Um teste rápido em uma rede de farmácias, por exemplo, custa no mínimo R$ 80,00 , enquanto o SUS, em muitos municípios, está sobrecarregado – e há filas extensas e aglomerações, o que pode deixar os ambientes de testagem propícios ao contágio.

Qual a diferença de um autoteste para um teste de laboratório ?

Os testes chamados “PCR” são muito precisos e sensíveis (acima de 90%), mas são caros, e precisam ser processados em laboratório, com demora de, no mínimo, 24 horas para o resultado. Já os testes rápidos, como os autotestes, são menos eficazes, mas têm um baixo custo, e o diagnóstico é feito sem laboratório, entre 15 e 30 minutos.

Quais seriam os riscos e benefícios associados à liberação de autotestes no Brasil? 

O desafio apresentado é que pessoas leigas podem interpretar equivocadamente resultados de testes, já que profissionais de saúde são treinados para esta leitura. Os pesquisadores argumentam, no entanto, que é possível treinar a população.

Além disso, “no cenário atual de baixa testagem, e diante da indisponibilidade de testes, é possível que muitos indivíduos sintomáticos já não estejam praticando o isolamento de forma adequada”. Logo, quanto mais testes, melhor. Os autotestes são mais baratos e mais práticos.

Quem regulamenta? 

A Anvisa é o órgão responsável pela aprovação dos testes rápidos de antígenos, como os autotestes. Os cientistas reinvindicam a Lei n° 14.006/2020, que autoriza a importação de medicamentos e outros insumos de saúde regulamentados por autoridades sanitárias de outros países, e pontuam que países como Estados UnidosArgentinaReino UnidoIsraelCingapuraFrança e Alemanha já adotam o procedimento.

SUS deve comprar e distribuir testes

O documento indica que o Plano Nacional de Expansão da Testagem para Covid-19 (PNE-Teste) deve incorporar a aquisição e distribuição dos testes, assim como a orientação sobre como utilizar o autoteste, através da estrutura do SUS – como, por exemplo, a atuação dos agentes comunitários de saúde. A iniciativa “pode ser combinada com distribuição de máscaras de qualidade, como as do tipo PFF-2”.

Para 2021, só 60 milhões de testes foram previstos. É necessário investir em mais, já que, cada indivíduo, utiliza mais de um teste, no processo de detecção do vírus, e o Brasil possui mais de 200 milhões de habitantes.

É preciso transparência nos dados

Em caso de autotestes, o Ministério da Saúde deve desenvolver um sistema de monitoramento para que a população reporte os resultados para as autoridades sanitárias. O documento enfatiza, ainda, que, além de oferecer testes, “o Ministério da Saúde invista na transparência da informação sobre testagem, publicando dados atualizados sobre testes realizados com informações sobre quantas vezes os mesmos indivíduos são testados repetidas vezes”.

Assinam a nota: 

Abrasco: Associação Brasileira de Saúde Coletiva

ANESP: Associação Nacional dos Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental

Observatório Covid-19 BR