Eleitor de Lula procura um nome para o governo e o Senado em Goiás, onde não faltam candidatos que apoiam Bolsonaro

Eleitor de Lula procura um nome para o governo e o Senado em Goiás, onde não faltam candidatos que apoiam Bolsonaro

Bolsonaro tem três candidatos a governador e sete ao Senado para “chamar de seu”, mas pesquisas indicam que eleitor de Lula tende a votar num candidato identificado com o PT ou partidos aliados

Marcus Vinícius de Faria Felipe

As últimas pesquisas realizadas para o Senado em Goiás mostram que o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem mais candidatos posicionados no pleito do que o de seus adversários. Por enquanto, nem o ex-presidente Lula (PT), nem o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) ou a senadora Simone Tebet (MDB) tem um candidato ao senado, ou ao governo, para chamarem de seu, já presidente Jair Bolsonaro conta com Ronaldo Caiado (UB), Major Vitor Hugo (PL), Gustavo Mendanha (Patriotas) como candidatos ao governo, e sete nomes para o Senado: Delegado Waldir UB), João Campos (Republicanos), Lissauer Vieira (PSD), Alexandre Baldy (PP), Zacharias Calil (UB), Luiz do Carmo (PSC) e Wilder Morais (PL).

Wolmir Amado (PT) e Denise Carvalho (PC do B) ainda não são conhecidos do eleitor lulista

Os nomes identificados com o lulismo ainda não decolaram. O ex-reitor da PUC-GO, Wolmir Amado (PT) e a ex-deputada estadual Denise Carvalho (PC do B) ainda amargam desconhecimento do eleitor. De outro lado, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) – que não está na base bolsonarista – lidera na espontânea e na estimulada a preferência do eleitor para o Senado, e está em segundo lugar como opção para o govenro do Estado. O tucano, tudo indica, tende declinar da disputa por uma cadeira no Senado e ser candidato ao governo do Estado, e se fizer esta opção pode colher o voto do eleitor oposicinista, e principalmente, daqueles que votam em Lula.

Senado com e sem Marconi

Marconi, que apoiou Alckmin em 2006 e coordenou sua campanha em 2018, lidera para o Senado e está em segundo na disputa ao governo

A terceira rodada da pesquisa RealTimeBigData/TV Record-GO, trouxe duas simulações a primeira, com Marconi Perillo, a outra sem.  O ex-governador lidera com 28%, e na sequência aparecem somente candidatos bolsonaristas: Delegado Waldir (UB), 15%, João Campos (Republicanos), 10%,Alexandre Baldy (PP),  10%, Zacharias Calil (UB), 6%,Wilder Morais (PL): 4%, Lissauer Vieira (PSD) e Luiz do Carmo (PSC): 2%, Leonardo Rizzo (Novo): 1%.Os candidatos de esquerda –  Denise Carvalho (PC do B), Reinaldo Pantaleão (UP), Manu Jacob (PSOL) e Cristiano Cunha (PV) –  não pontuaram.

Entre os candidatos bolsonaristas ao Senado, Delegado Waldir (UB) lidera, João Campos (Republicanos) e Alexandre Baldy (PP) estão tecnicamente empatados em segundo, seguidos por Lissauer Vieira (PSD), Luiz do Carmo (PSC), Wilder Morais (PL) e Zacharias Calil (UB)

Quando Marconi é retirado da lista, os candidatos “bolsonaristas raiz” crescem um pouco. Delegado Waldir ganha quatro pontos e vai 19%, João Campos ganha 2 pontos e fica com 12%, Alexandre Baldy mantém os mesmos 10%, Wilder Morais oscila um ponto e vai a 5%, Lissauer Vieira e Luiz do Carmo ficam com 4%, cada, e novamente os candidatos à esquerda ficam sem pontuar.

A pesquisa mostra que falta à aliança de partidos que apoiam o ex-presidente Lula comunicar qual será o seu candidato ao Senado, para poder disputar em pé de igualdade com os candidatos alinhados ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

Wilder Morais e Zacharias Calil também disputam o voto bolsonarista

Votação por região, sexo e religião

Eleitor católico e lulista tem mais preferência por Wolmir e Marconi

As pesquisas internas, encomendadas pelos candidatos, revelam que o eleitor de Lula ainda não identificou os candidatos que defendem a plataforma do ex-presidente. Estes levantamentos, que não são disponibilizados para publicação, confirmam que o petista está empatado com o ex-capitão em Goiás. Lula lidera entre as mulheres, católicos e praticantes de outras religiões, enquanto Bolsonaro tem vantagem entre evangélicos e no eleitorado masculino. Bolsonaro lidera em Goiânia e na região metropolitana e Lula tem a preferência dos eleitores do Norte, Nordeste Goiano, Estrada de Ferro, Sul e Sudoeste.

Caiado é Bolsonaro, mas o eleitor de Lula ainda não sabe ou não fez esta conexão entre os dois

Votos lulistas para Caiado

Caiado tem votação substancial entre eleitores do ex-presidente Lula, principalmente entre os que recebem o Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família). Este quadro demonstra que enquanto este eleitor não é informado sobre a preferência de Lula sobre seus candidatos em Goiás, mantém um voto “duplo” ou seja, vota Lula para presidente e em candidatos ligados ao bolsonarismo para o governo do Estado e Senado.

Número alto de indecisos

Outra situação que as pesquisas internas revelam é que o número de eleitores indecisos ou que ainda não definiram o candidato ao Senado é ainda muito alto, chegando à casa dos 49% entre os eleitores bolsonaristas e 46% entre os eleitores lulistas. Há espaço para que os candidatos de ambos os lados crescem, observando que entre os lulistas, não há a identificação de um candidato com este perfil.

Nestas eleições há apenas uma vaga para o Senado, e num quadro com grande número de candidatos, é possível que o vitorioso seja aquele que se aproximar dos 30% de votação, pois esta é uma disputa de maioria simples, vence quem tiver mais votos, não sendo necessário alcançar 51% de votos.

Caiado, Gustavo, Vitor Hugo apoiam Bolsonaro, Marconi não

Convenções devem definir estratégias

As convenções partidárias estão programadas para acontecer no final do mês de julho e  até lá os partidos tem a oportunidade de afunilar as suas escolhas. Para o governador Ronaldo Caiado – que tem quatro pré-candidatos no grupo (Waldir, Lissauer, Baldy, Calil), o desafio é maior, pois terá que escolher um para compor  a chapa oficial. Considerando que em toda a base bolsonarista, são sete candidatos ( Delegado Waldir, João Campos, Lissauer Vieira, Alexandre Baldy, Zacharias Calil, Luiz do Carmo, Wilder Morais) dividindo o mesmo espólio político, o que dificulta qualquer estratégia para concentrar votos. Não deixa de ser uma oportunidade ao lulismo projetar todo o voto deste campo político num só candidato.