Dimenstein: o que ninguém tem coragem de falar sobre Bolsonaro

Dimenstein: o que ninguém tem coragem de falar sobre Bolsonaro

Jornalista com passagem pela Folha, especialista em Educação, Gilberto Dimenstein escreve no Catraca Livre, análise sobre as últimas medidas tomadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ).

O que ninguém tem coragem de falar sobre Bolsonaro

Por: Gilberto Dimenstein

Preste atenção nessas falas e gestos do presidente Jair Bolsonaro: eles vão embasar minha suspeita. Uma suspeita que ninguém quer escrever — embora pense.

A suspeita: o presidente sofre de distúrbios mentais jamais diagnosticados que o inabilitam para lidar com a realidade. Isso faz com que ele viva uma realidade alternativa com inimigos imaginários e complôs.

1) Em meio a graves acusações contra Neymar, com fotos e laudos de violência praticada pelo atleta, Bolsonaro se desloca até uma clínica para se mostrar abraçado com o jogador;

2) Informa que, no Palácio da Alvorada, dorme ao lado de uma arma, com medo de um atentado;

3) Apesar de todas as evidências em contrário, ele insiste que, por trás da facada de Adélio Bispo, haveria uma conspiração;

4) Elogia um ex-aliado — MC Reaça — que se matou depois de espancar uma mulher supostamente grávida;

5) Afirma que existe um complô para afastá-lo de Carlos, seu filho, gestor de suas redes sociais;

6) Revela na intimidade que os militares querem sabotá-lo;

7) É seguidor do filósofo Olavo de Carvalho, fã de teorias conspiratórias. O filósofo já disse que tem dúvidas sobre o formato da Terra, que cigarro não tem relação com câncer e que desconfia das vacinas;

8) Acredita que existe um complô por trás das teorias sobre aquecimento global, provadas cientificamente;

9) Defende o fim da multa para quem não tiver cadeirinha para crianças e levar filhos no banco da frente. Ainda diz que, se dependesse dele, o limite de pontos na carteira de habilitação seria de 60. Isso em um país campeão de acidentes de trânsito;

10) Desativa os radares, convencido de que existe um complô: a “indústria da multa”, apesar de estudos mostrando como esses aparelhos reduziram os acidentes de trânsito;

11) Propõe o fim de exame toxicológico a motoristas;

12) No Carnaval, divulga um vídeo pornográfico;

13) Promete para o local em que foi multado, um santuário ecológico de Angra dos Reis, um projeto de turismo;

14) Afirma que existe um “sistema” que tem interesse em matá-lo;

15) Apresenta-se como enviado de Deus;

16) Mesmo diante de desafios como a reforma da Previdência, vital para seu governo e o futuro do Brasil, cria conflitos desnecessários com políticos e meios de comunicação.

Os jornalistas se limitam a comentar essas frases e ações como se fossem apenas asneiras ou disparates.

Já estou convencido de que não se pode atribui-las somente à falta de preparo intelectual, visão eleitoreira ou radicalismo ideológico.

Existem aqui sinais de síndrome de paranoia e até uma certa dose de esquizofrenia.

É sabido que o poder não alivia esses sinais: aguçam. Ou até despertam.

Quem pode garantir que essas 16 coisas que eu listei aqui (apenas 16) são atitudes de alguém normal?

Publicado originalmente no site Catraca Livre.

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