Delegado da PF que prendeu ex-ministro e pastores vai deixar a Operação do MEC

Delegado da PF que prendeu ex-ministro e pastores vai deixar a Operação do MEC

O delegado da Polícia Federal Bruno Calandrini, que cuida da investigação sobre um suposto esquema de corrupção na gestão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, vai deixar o grupo da PF de Brasília responsável pelas investigações contra políticos com foro privilegiado, conhecido como Cinq (Coordenação de Inquéritos).

Segundo integrantes da PF, Calandrini já havia pedido para deixar o grupo no início do mês de maio, antes da deflagração da operação que resultou na prisão de Milton Ribeiro. A sua saída foi autorizada com a condição de que ele continue à frente desse inquérito.

Na semana passada, após a deflagração da operação, Calandrini enviou uma mensagem a colegas afirmando que houve interferência da cúpula da PF no caso, depois que não foi autorizada a transferência de Milton Ribeiro de São Paulo para Brasília.

Ele também foi responsável por solicitar a inclusão do ministro da Economia Paulo Guedes como investigado em um inquérito sobre desvios no fundo de pensão dos Correios, o Postalis.

Cármen Lúcia vê ‘gravidade’ em escândalo do MEC e manda PGR se manifestar

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que se manifeste sobre possível abertura de investigação contra Jair Bolsonaro (PL) e o ex-ministro pastor Milton Ribeiro, por suspeitas de corrupção no Ministério da Educação (MEC). Cármen afirma que uma posição deve ser adotada diante da “gravidade do quadro narrado”. A ação decorre de notícia-crime apresentada pelo deputado federal Israel Batista (PSB-DF) na última sexta-feira (24). “Considerando os termos do relato apresentado e a gravidade do quadro narrado, manifeste-se a Procuradoria-Geral da República”, escreveu a ministra.

Na ação, o parlamentar aponta a suspeita de que Bolsonaro teria informado antecipadamente, ao aliado Milton Ribeiro, sobre iminente busca e apreensão, pela Polícia Federal, na residência do ex-chefe do MEC. Em conversa telefônica com a filha, interceptada pela PF, Ribeiro disse que “o presidente” ligou e estava “com um pressentimento”, acrescentando que “ele acha que vão fazer uma busca e apreensão”.

De outro lado, bancada do PT do Senado apresentou, nesta terça-feira (28), notícia-crime contra Bolsonaro. O alvo é a alegada interferência do chefe do governo na Operação Acesso Pago da PF, que levou à prisão – ainda que por apenas 24 horas – do ex-ministro da Educação e dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura.