Delegada da PF avalia que Bolsonaro cometeu crime com vazamento de operação a Milton

Delegada da PF avalia que Bolsonaro cometeu crime com vazamento de operação a Milton

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça que a investigação sobre o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro seja enviada para o Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo, exposto pelo Ministério, é o forte indício de que o presidente Jair Bolsonaro interferiu na investigação com o propósito de proteger o aliado e, certamente, a si próprio, dada a intimidade entre os dois na corrupção do MEC.

A delegada do caso, Denisse Ribeiro, disse que a conduta do presidente caracteriza os ilícitos previstos nos artigos artigos 325 e 327, do Código Penal, ao utilizar o cargo que ocupa para revelar fatos em sigilo ou ter acesso a documentos restritos.

Ex-ministro foi alertado

Milton Ribeiro, que foi preso pela Polícia Federal (PF) na quarta-feira (22), revelou em uma conversa telefônica com a filha, mantida no dia 9 de junho, que havia sido alertado diretamente por Jair Bolsonaro de que poderia ser alvo de mandados de busca e apreensão, o que de fato acabou ocorrendo.

“O presidente me ligou. Ele está com um pressentimento de que eles podem querer atingi-lo através de mim, sabe? É que eu tenho mandado versículos pra ele, né?”, disse o ex-ministro à filha, na transcrição da conversa interceptada pela PF e divulgada pela GloboNews.

A filha então pergunta: “Ele quer que você pare de mandar mensagens?”, “Não! Não é isso… ele acha que vão fazer uma busca e apreensão… em casa… sabe… é… é muito triste. Bom! Isso pode acontecer, né? Se houver indícios, né?”, respondeu. A conversa, que durou cerca de 10 minutos, foi encerrada abruptamente após a filha dizer que estava falando de um “celular normal”.

Crime previsto no CP

De acordo com a delegada do caso, Denisse Ribeiro, Bolsonaro praticou um crime. É a primeira vez que a Polícia Federal acusa o presidente. A delegada disse que a conduta caracteriza os ilícitos previstos nos artigos 325 e 327, do Código Penal, que versam sobre utilizar o cargo que ocupa para revelar fatos em sigilo ou ter acesso a documentos restritos. O dispositivo ainda prevê multa e pena de seis meses a dois anos, podendo ser aumentada em virtude do cargo que ocupam.

Cabe indagar se estaremos diante de mais um crime sem castigo.

Ainda no documento enviado à Suprema Corte, Denisse aponta que o depoimento de Bolsonaro é “medida necessária para prosseguir no processo”.

“Tal medida, além de ser uma forma de obtenção de dados, pode ser considerada também como um direito subjetivo da pessoa sobre quem recai a suspeita da prática do ato, que terá o momento adequado para ratificar ou contrapor os fatos, exercendo o direito à ampla defesa”, escreveu a delegada.

Desespero em Brasília

A semana chega ao fim como uma tormenta para o líder da extrema direita brasileira. Após a prisão de Ribeiro e dos pastores que instalaram uma lucrativa indústria de propinas no Ministério da Educação tivemos a divulgação da última pesquisa DataFolha, na quinta-feira (23), que confirma a intenção do eleitorado de acabar com o duelo pela Presidência já no primeiro turno, elegendo Lula.

O levantamento não chegou a apurar os efeitos da prisão do ex-ministro, tampouco do outro escândalo, ainda mais grave, que viria a seguir, estourando nesta sexta-feira (24) com as evidências de um novo crime do presidente, apontado pela zelosa e corajosa delegada da PF, Denisse Ribeiro.

O desespero ronda o Palácio do Planalto e seu entorno.

A amarga perspectiva de derrota explica a tentativa derradeira de compra de votos através de uma proposta que mais uma vez manda às favas o Teto dos Gastos acenando com a elevação do valor do Auxílio Brasil para R$ 600 até o final do ano; pagamento mensal do auxílio gás; e criação de um “voucher” para caminhoneiro de R$ 1.000.

Uma manobra de última hora para tentar evitar a derrota já no primeiro turno. Mas, assim como outras iniciativas do governo neofascista, é muito provável que também desta vez o tiro saia pela culatra.