A pesquisa espontânea do Datafolha divulgada nesta quinta-feira (1º) mostra que “o jacaré abriu a boca” e Lula está muito próximo da metade das menções a candidatos quando são retirados indecisos, brancos e nulos. Recalculados apenas os percentuais atribuídos aos seis nomes citados no levantamento, o presidente chega a 48,8%, contra 38,8% de Flávio Bolsonaro (PL).
O “jacaré” é uma expressão de especialistas em pesquisas eleitorais quando um candidato cresce e o outro cai nas avaliações, e é o que está acontecendo agora, segundo a pesquisa Datafolha, que mostra que Lula avança e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) parou de crescer.
O cálculo parte da soma das menções espontâneas aos candidatos, que totalizam 80%. Lula aparece com 39 pontos desse universo e Flávio, com 31. Assim, o petista fica a cerca de 1,2 ponto percentual dos 50% nesse recorte.
O resultado não corresponde ao índice oficial de votos válidos divulgado pelo Datafolha. Nesse cálculo, realizado pelo próprio instituto com metodologia semelhante à utilizada pela Justiça Eleitoral, Lula tem 45% e Flávio Bolsonaro, 40%.
A espontânea, porém, oferece outro sinal da reta final porque mede a lembrança do eleitor sem apresentar uma lista de candidatos. O número de indecisos também caiu para 13%, indicando maior definição das escolhas às vésperas da votação.
Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa superar 50% dos votos válidos. O levantamento, portanto, mostra Lula próximo desse patamar em uma recalculação da espontânea, mas não permite antecipar o resultado das urnas.
Análise
Pode parecer pouco, mas o ponto que Lula ganhou no segundo turno, criando um distanciamento de três pontos no Datafolha, é a melhor notícia que o presidente poderia ter nessa reta final de campanha. Na simulação divulgada nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, o petista chega a 48% contra 45% do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Na semana passada, a vantagem era de dois pontos, colada na margem de erro. Agora são três, com o presidente no maior patamar da série recente.
O número enterra a narrativa de que Flávio Bolsonaro estaria crescendo na reta final. As pesquisas mostram uma recuperação modesta, porém firme e constante do presidente.
Na série do Datafolha, o segundo turno evoluiu de 46% a 44%, em meados de setembro de 2026, para 47% a 45% e agora 48% a 45%. Lula esteve à frente nas quatro rodadas, e a distância passou de dois para três pontos.

A margem de erro, de dois pontos percentuais, ainda classifica formalmente a disputa como empate técnico. O efeito psicológico do número é outro, e na semana decisiva ele vale ouro.
Três pontos animam a militância, destravam voluntários e obrigam a oposição a explicar por que o favoritismo anunciado não aparece no placar.
O primeiro turno conta a mesma história em degraus mais altos. Lula chegou a 42% das intenções de voto, contra 38% do candidato do PL, quatro pontos de diferença, o dobro da margem de erro.
Desde a rodada de 11 de setembro de 2026, quando marcava 39% contra 35% do rival, o presidente não recuou em nenhuma medição do instituto. Foi de 39% a 40% e agora a 42%.

Em votos válidos, onde se decide a eleição, a vantagem sobe para 45% a 40%. Nas três rodadas anteriores, Lula tinha 43% e o adversário oscilava entre 38% e 39%.
A diferença de cinco pontos nos válidos supera a soma das margens de erro dos dois candidatos. Para vencer no domingo, o presidente precisa de mais da metade desses votos.

A avaliação do governo acompanhou o movimento. Nesta rodada, 48% dos eleitores aprovam o trabalho de Lula e 49% desaprovam, contra 47% a 50% na semana passada.
Um ponto ganho de cada lado produz um empate que chega na hora exata para virar clima de campanha. A fatia que considera o governo ótimo ou bom subiu a 35%, a maior das quatro últimas rodadas.

A decisão de defender a proibição das bets, os cassinos online que drenam a renda das famílias, se revelou certeira. A mesma rodada do Datafolha mostra que 78% dos eleitores apoiam a medida.
O aumento do Bolsa Família veio em boa hora, um ajuste necessário com o calendário a favor. Na reta final, o governo mostrou que ainda sabe ler o país.
A semana também ganhou cor. Um manifesto com mais de 300 artistas, entre eles Ivete Sangalo, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil, assumiu publicamente o apoio à reeleição.
No Rio, o ato Cultura com Lula, na Lapa, reuniu mais de 50 nomes, de Chico Buarque a Zeca Pagodinho e Paulinho da Viola. Nas redes, a mobilização virou a hashtag Bora Lula, e a classe artística entrou na campanha de maneira decidida.
Até a polêmica das publicações derrubadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terminou a favor do presidente. A pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, o ministro André Mendonça mandou remover centenas de postagens sobre Nossa Senhora Aparecida, entre elas uma do humorista Antonio Tabet.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a ordem em 27 de setembro de 2026 e tratou a remoção como censura prévia. O episódio colou no candidato do PL o rótulo de censor de meme e deu às postagens uma visibilidade que elas jamais teriam conquistado sozinhas.
As pesquisas regionais também não desenham o cenário sombrio que a oposição gostaria de vender. Na Bahia, Jerônimo Rodrigues aparece em empate técnico com ACM Neto no segundo turno nos levantamentos de Quaest, Paraná Pesquisas e Real Time Big Data.
No Ceará, Elmano de Freitas levou ao empate técnico, no Datafolha de 25 de setembro de 2026, uma disputa em que Ciro Gomes tinha sete pontos de vantagem uma semana antes.
A TV Globo cancelou o debate desta quinta-feira, o último previsto para o primeiro turno, depois de a Justiça alterar as regras do programa e de Flávio Bolsonaro desistir de participar. Sem confronto na televisão, o Datafolha fica como o último grande fato da campanha antes de domingo.
Uma rodada final do Datafolha ainda deve sair antes da votação. Se a curva se mantiver, o presidente chega ao dia da eleição recuperado, em alta e com a militância de volta às ruas.
A pesquisa foi contratada por Globo e Folha de S.Paulo. O Datafolha ouviu 2.506 eleitores entre 28 de setembro e 1º de outubro de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e registro BR-08039/2026 no TSE.
Com informações do DCM e do site O Cafezinho