Presidente do TSE, Marques censurou pesquisa ruim para Flávio Bolsonaro, Mendonça participou de ato político ao lado do candidato do PL

 

Esta semana começa com dois fatos inusitados, o primeiro foi a presença do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça no palanque da Marcha para Jesus, que reuniu o candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e apoiadores de sua candidatura á presidência da República. O segundo fato foi a censura do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Kássio Nunes Marques, à divulgação da pesquisa Atlas Intel que mostrou o derretimento de Flávio após a divulgação do áudio onde ele pede dinheiro para o banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal pelo rombo do Banco Master em fundos de pensão e aposentadoria. A pesquisa mostrou queda de 8 pontos de Flávio e subida de 3 pontos do presidente Lula (PT).

É certo que tanto Marques, quanto Mendonça, foram indicados ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), mas independente de quem os guindou ao cargo, o que se cobra de ministros do STF é imparcialidade e distanciamento das partes. Ou não foi uma certa proximidade de Vorcaro que fez o ministro Dias Toffoli se declarar suspeito para julgar o caso do Banco Master?

Flávio Bolsonaro e André Mendonça no mesmo palanque – reprodução redes sociais

Investigado e juiz no mesmo palanque

Matéria do jornalista Plinio Teodoro, para o Jornal do Brasil joga luz sobre esta situação, observando que André Mendonça estava “no mesmo trio elétrico com Flávio Bolsonaro, juntamente com o governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), que é alvo de denúncia sobre o elo do caso Master com a privatização da Sabesp, e o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que financiou a ONG de Karina Gama, que controla a produtora Go Up Entertainment Ltda, responsável pela cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A matéria ressalta que Flávio Bolsonaro recebeu 10 milhões de dólares do “irmão” Daniel Vorcaro, para supostamente financiar o filme Dark Horse, e ainda assim, fez fez um discurso em tom de campanha ao lado de  André Mendonça, que é relator do escândalo do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF) e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE

“Bom dia, São Paulo, povo abençoado de Deus. Vamos orar pelo nosso Brasil. Essa guerra é espiritual e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal que vai ser expulso do governo desse Brasil esse ano”, afirmou o senador, que costuma dizer que ele está com Deus e “Lula com o diabo”.

A decisão monocrática atendeu a um pedido do Partido Liberal, que alegou indução de entrevistados

Ato de censura e inconstitucionalidade

Especialistas  ouvidos pelo Estadão apontaram a medida tomada pelo ministro Nunes Marques como “inconstitucional”, além de ser uma forma de censura que fere a liberdade de divulgação científica de pesquisas. De acordo com operadores do direito eleitoral, o ministro argumentou que o questionário poderia “induzir” o entrevistado. No entanto, a diretoria do instituto e analistas destacam que o áudio alvo da polêmica era apresentado apenas após o encerramento do questionário principal de intenção de voto.

O jornalista Willian Waack comentou na CNN que “o ministro Nunes Marques, se auto nomeou juiz da causa, que já havia sido distribuída. A decisão em si foi criticada fortemente por operadores no campo do Direito”, pontua.

Precedente perigoso –  Críticos alertam que barrar levantamentos com base na escolha de temas atuais ou eventos políticos cria um obstáculo à medição real do cenário eleitoral, que também foi captado por outros institutos. Eles também ressaltam que a decisão é inócua, uma vez que a suspensão tem efeito limitado, visto que os dados de queda na intenção de voto já eram de domínio público antes da liminar.

Atlas Intel rebate ministro

O instituto rebateu as alegações de Nunes Marques e do PL. Em nota, o Atlas afirmou que os áudios trocados entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro só foram mostrados ao eleitor após a conclusão da pesquisa.

“É importante ressaltar que a pesquisa foi realizada sem que o áudio objeto da controvérsia fosse reproduzido aos respondentes durante a aplicação do questionário”, afirma trecho da nota.

“Após o encerramento definitivo do questionário — sem qualquer possibilidade de retornar às perguntas anteriores ou alterar respostas já registradas — os participantes eram redirecionados para uma página completamente separada do questionário, onde eram convidados a registrar suas reações enquanto ouviam o áudio”, disse.

“Estamos tranquilos e confiantes de que a situação será devidamente esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia empregada e confiamos no colegiado do TSE para afirmar a robustez técnica e a legalidade do estudo”, diz em nota.

No dia 19 de maio de 2026, a AtlasIntel divulgou levantamento que mostrava Lula com com 48,9% das intenções de voto, ante 41,8% de Flávio. Em levantamento anterior feito pelo mesmo instituto, Lula e Flávio estavam tecnicamente empatados na simulação de segundo turno, com leve vantagem para Flávio Bolsonaro, que tinha 47,8%, enquanto Lula somava 47,5%.

O Instituto AtlasIntel fez perguntas com termos negativos sobre os fatos ligados a Daniel Vorcaro, que está preso e tenta uma delação premiada, e Flávio Bolsonaro, que pediu ao banqueiro R$ 134 milhões para produzir um filme.

Alem de ministros do STF, Mendonça e Nunes Marques também compõe a corte do TSE nestas eleições

Julgamento no TSE

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga nesta terça-feira a decisão do presidente da Corte, Kássio Nunes Marques. A atual composição do tribunal deve fazer com o que o placar seja favorável à manutenção da decisão de Nunes Marques. Hoje, além do atual presidente e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), também integram a Corte os ministros André Mendonça, Dias Toffoli, Antônio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cuêva, Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha.

Nos bastidores, a análise do plenário da medida liminar dada por Nunes Marques nesta segunda-feira é vista como uma possível amostra de como será a atuação do TSE durante o período eleitoral. Interlocutores do STF e do TSE avaliam que o julgamento deverá ser acompanhado com atenção por integrantes de todas as futuras campanhas.

Sanchez, Peru, e Cepeda Colômbia

Colômbia e Peru

Os dois episódios causam ainda mais preocupação após episódios ocorridos nas eleições da Colômbia e do Peru, onde autoridades e empresas ligadas à Justiça Eleitoral destes países criarem problemas para candidatos progressistas.

O presidente colombiano, Gustavo Petro apontou que a contagem preliminar do primeiro turno das eleições não tem efeito legal. Ele questionou o software da empresa Thomas Greg & Sons (TGS), responsável pela logística eleitoral no país. Na publicação, Petro fez referência a uma diferença de números entre a população votante local.

“Como presidente, não aceito os resultados da pré-contagem da firma privada dos irmãos Bautista […] Há dois censos neste momento, o oficial e o do software dos irmãos Bautista que tem 800 mil pessoas adicionais”.

Na totalização o candidato de direita Abelardo de la Espriella terminou na liderança com 43,7% dos votos, seguido pelo esquerdista Ivan Cepeda, que obteve 40,90%, e disputarão o segundo turno em 21 de junho. Nas pesquisas, no entanto, era prevista a vitória de Cepeda no primeiro turno.

No Peru, às vésperas da eleição que ocorreu no domingo (07/06), a Justiça do Peru decidiu, na sexta-feira (5), dois dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, levar a julgamento o candidato de esquerda Roberto Sánchez por supostas irregularidades na declaração de financiamento de seu partido há cerca de seis anos.

O Ministério Público peruano, que pediu a condenação de Sánchez a cinco anos e quatro meses de prisão, manifestou concordância com a decisão.

A defesa de Sánchez informou que recorrerá da decisão e tem prazo de uma semana para apresentar a apelação.

Candidato de uma frente progressista, Sánchez lidera a apuração. À meia-noite de segunda-feira, a contagem estava em 95,3%, dando a Sánchez 50,112% dos votos, contra 49,888% de Fujimori – uma diferença de cerca de 40.000 votos.

Com JB, CNN, Estadão e G1