Ex-governador tem a marca do “xerife” e Flávio Bolsonaro acusações de favorecimento às milicias
Logo após lançar sua pré-candidatura à presidência da República, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) passou a ser alvo de comentaristas dos principais programas política do país.
Analistas sugerem que a candidatura de Caiado pode servir para poupar o “filho 01” do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de confrontos diretos mais desgastantes com o presidente Lula, permitindo que o presidenciável do PL se apresente como um nome mais “moderado”.
Este papel de “escada” é uma das possibilidades. Existe entre articulistas da mídia a percepção de que Caiado pode atuar como um “escritório de ataques” contra a esquerda, fortalecendo a narrativa da extrema-direita sem necessariamente crescer como o principal nome do campo, similar ao papel desempenhado por Padre Kelmon em 2022, que como candidato à presidência do PTB, partido do deputado-presidiário Roberto Jefferson, fez “escada” para Jair Bolsonaro.
Ao se lançar pelo PSD com um discurso que inclui a promessa de anistia a Jair Bolsonaro, Caiado estaria, segundo críticos, inviabilizando uma “terceira via” real e mantendo o eleitorado conservador dentro da órbita do bolsonarismo.
Leonardo Sakamoto, que escreve para o site UOL e também é comentarista na TV UOL News foi além e disse que Caiado terá que fazer escolhas:
“Entre ser linha auxiliar de Flávio Bolsonaro ou protagonista de si mesmo não há meio-termo sustentável. E quem tenta equilibrar os dois lados acaba sempre, escorregando para o papel de figurante que será lembrado sem saudades”, pontua Sakamo.
Na avaliação de Sakamoto, para não comparado ao Padre Kelmon (PTB), a candidatura de Caiado terá que marcar terreno e bater de frente com Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“A principal pergunta não é sobre quem Caiado atacará mais, mas quem ele terá coragem de enfrentar de verdade. Porque fazer oposição a Lula rende aplauso fácil em certos auditórios, difícil é encarar o próprio campo sem baixar a cabeça. Se escolher o conforto da claque, vira eco de Bolsonaro e pode se tornar ministro em caso de derrota do incumbente. Se escolher o risco do confronto honesto, pode até desagradar aliados, mas ganha densidade política”, analisa Sakamoto.
O Estadão, tradicional jornal conservador da elite paulista, analisa o papel de Caiado nestas eleições através da coluna “O xerife e o herdeiro: Caiado na corrida eleitoral põe 2×1 da direita contra Lula”.

Assinada por Roseann Kennedy com participação de Eduardo Barretto e Leticia Fernandes, a análise é de que “o pré-candidato do PSD funciona inicialmente como linha auxiliar de Flávio Bolsonaro (PL), mas não ficará à sombra tampouco tem perfil de coadjuvante e deixou claro que vai se colocar como melhor opção da direita por já saber governar. Na prática, a presença de Caiado e do senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da corrida ao Planalto cria um cenário de 2×1 contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, opina o artigo.
Caiado, de certa maneira expressou isso, quando disse que Flávio Bolsonaro é inexperiente administrativamente.
A coluna observa que o discurso do ex-governador de Goiás, focado no suposto êxito de sua administração no combate à criminalidade pode render apelo junto à classe média, mas, ainda assim, as chances de avançar sobre o eleitorado bolsonarista não são grandes.
“Ao adotar o discurso do “modelo Goiás” de segurança — onde o próprio Caiado costuma repetir que “bandido não se cria” —, o governador atrai o voto da classe média e de setores produtivos que prefiram um perfil mais institucional e experiente que o bolsonarismo raiz. Por ora, no entanto, ao considerar seu baixo desempenho nos levantamentos de intenção de voto, Ronaldo Caiado configura mais como uma linha auxiliar de Flávio do que como um candidato viável”, decreta o Estadão.
Diante da análise do Estadão, fica a impressão de que há um risco alto para Caiado nestas eleições, pois toda sua construção como “xerife” pode se chocar com a trajetória de um presidenciável que vem do Estado mais corrupto do Brasil.
Flávio Bolsonaro está atolado até o pescoço na gestão do já cassado governador Cláudio Castro (PL), sobre os quais pesam acusações de corrupção, compra de votos, envolvimento com organizações criminosas, notadamente o Comando Vermelho, que inclusive indicou membros do seu secretariado e que tinha entre seus “representes” no Legislativo Rodrigo Barcelar (União Brasil) o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e TH Jóias (MDB), deputados que eram parceiros políticos de Flávio Bolsonaro.
Será que “xerife” e “miliciano” vão formar dupla nestas eleições?
Vale aqui lembrar as principais acusações que pesam contra Flávio Bolsonaro, sobre sua relação com as milícias do Rio de Janeiro:
“Você vai ver as conexões de Flávio Bolsonaro com o submundo do crime do Rio de Janeiro (…). O filho Zero Um de Bolsonaro vive cercado de escândalos e maracutaia: homenageou o miliciano Adriano da Nóbrega e empregou a família dele no gabinete; é suspeito de esquema de rachadinha nos salários dos funcionários e já apareceu em divrsas reportagens, ligando o seu nome à milícia do Rio”, diz trecho da matéria da Veja, publicada no dia 13 de março.

Relação com Adriano da Nóbrega: A principal conexão apontada é com Adriano da Nóbrega, ex-capitão do BOPE e miliciano apontado como líder do “Escritório do Crime”, morto em 2020. Nóbrega foi homenageado por Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) quando Flávio era deputado estadual.
Assessoria de Milicianos: A mãe e a esposa de Adriano da Nóbrega foram lotadas no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.
Investigações de Lavagem de Dinheiro: O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) investigou se a “rachadinha” no gabinete de Flávio teria sido usada para financiar construções ilegais de milícias.
Denúncia de Ex-Assessora: Em março de 2026, uma ex-assessora de Flávio Bolsonaro foi denunciada por suspeita de lavagem de dinheiro, com alegações de que o dinheiro proveniente da milícia passava pelo esquema.
Imóveis e Milícia: Relatórios indicaram que a organização criminosa, alvo de investigações, atuava na grilagem de terras e na construção de prédios ilegais em áreas controladas por milícias.
Com UOL, Estadão, Veja e agências