Braga Neto e Flávio Bolsonaro ameaçam democracia e as eleições

Braga Neto e Flávio Bolsonaro ameaçam democracia e as eleições

A jornalista Malu Gaspar noticia, na sua coluna em O Globo, que o pré-candidato a vice de Jair Bolsonaro constrangeu empresários no Rio ao declarar em reunião com a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) que, se não for feita a auditoria nos votos defendida pelo presidente, “não tem eleição”.

A declaração do general Braga Neto aconteceu no dia 24, dois dias antes de ele ser oficializado candidato a vice. “E causou constrangimento na plateia de 40 empresários selecionados a dedo pela federação empresarial para um discreto encontro dedicado oficialmente à apresentação de pleitos do Rio ao ‘assessor especial da presidência da República”, relata.

Segundo informações recolhidas pela colunista, “a sala foi tomada por um incômodo silêncio após a declaração”.  Braga Neto estava acompanhado pelo ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pré-candidato a deputado federal.

O candidato é o responsável pela arrecadação de recursos para a campanha de Bolsonaro. Malu Gaspar chama atenção para a insistência na ameaça de ruptura com base em teses conspiratórias no momento em que há uma onda de notícias ruins para o governo.

Além da prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, a suspeita de interferência do presidente na Polícia Federal, a economia vai mal e as pesquisas detectam uma estagnação na intenção de votos.

No início do mês, em reunião com a Associação Comercial fluminense, o próprio Bolsonaro teria feito as mesmas ameaças. Em julho de 2021, o Estado de S. Paulo mostrou que Braga Neto fez a mesma ameaça ao presidente da Câmara Artur Lira, por meio de emissários.

Diversas lideranças políticas do campo democrático e ministros do Tribunal Superior Eleitoral vêm alertando que as urnas eletrônicas são seguras e que já passam por processos de auditoria.

No mês passado, durante seminário internacional organizado pela Associação Brasileirad e Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), a ministra substituta do TSE, Maria Claudia Bucchianeri Pinheiro, nomeada por Bolsonaro, lembrou que “as urnas eletrônicas são usadas há 26 anos, sem nenhum indício idôneo de violação”. Contrariando o presidente golpista, ela declarou que “não há nenhuma justificativa suficiente que nos permitam duvidar da higidez, da integridade, da transparência do nosso processo eletrônico de votação”.

Trumpização da eleição

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o seu pai, o presidente Jair Bolsonaro (PL), não tem intenção de dar um golpe em caso de derrota na eleição de outubro deste ano, mas alertou que não tem controle sobre a reação dos apoiadores.

O sfilho “01” acusa o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de resistir em tornar o processo eleitoral “mais seguro e transparente”, o que causa a desconfiança de alguns apoiadores no sistema de apuração. Apesar das acusações, Flávio diz que o TSE já fez avanços que “dificultam a possibilidade de fraude”.

Flávio aposta no discurso de “fraude” e de que as urnas eletrônicas não são confiáveis. Uma hipocrisia de quem foi eleito deputado estadual e Senador por este mesmo sistema, assim como o seu pai, que foi eleito oito vezes deputado federal e eleito presidente pela urna eletrônica. Ná prática, Flávio quer a “trumpização” do processo eleitoral brasileiro, ou seja, como sabe que o pai vai perder, quer induzir os bolsonaristas mais fanáticos a invadir o Congresso Nacional, o STF e o TSE, como fizeram os eleitores do presidente norte-americano Donald Trump, que invadiram o Congresso dos EUA para protestar contra uma inexistente fraude nas eleições dos Estados Unidos.