Com candidatura de Flávio, ex-presidente quer manter seu nome nas urnas em 2026 e manter a relevância da “marca” Bolsonaro, independente do resultado final, que deve ser a reeleição de Lula

 

Marcus Vinícius de Faria Felipe

É melhor ninguém subestimar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ). Ele histriônico, caótico, mas  pensa estrategicamente. Bolsonaro sabe que seu nome ainda tem peso eleitoral, e vai fazer de tudo para que sua “franquia” permaneça em evidência.

Num artigo intitulado “Bolsonaro é o candidato de Bolsonaro até na cadeia“, publicado dia 26 de fevereiro de 2024, alertei que o ex-presidente não iria pedir votos para ninguém. Mesmo o preso, seu nome estaria na urna eletrônica de 2026:

“Bolsonaro fará campanha da cadeia. Ele não vai passar o bastão para ninguém. Na urna eletrônica vai estar o nome Bolsonaro. Ele sabe que será impossível reverter a inelegibilidade, mas fará campanha assim mesmo, e na hora do registro da chapa no Tribunal Superior Eleitoral, o PL vai ser registrar a candidatura de Michelle BOLSONARO, ou Flávio BOLSONARO. Ao fim e ao cabo, terá Bolsonaro na urna eletrônica, após uma pré-campanha com forte apelo emocional”, aludi.

Em artigo publicado dia 26 de fevereiro de 2024, antecipamos o movimento que o ex-presidente faz agora, lançando o filho Flávio Bolsonaro
Em artigo publicado dia 26 de fevereiro de 2024, antecipamos o movimento que o ex-presidente faz agora, lançando o filho Flávio Bolsonaro

 

 

A estratégia de Bolsonaro é a da sobrevivência. Ele saber que nem Tarcísio, nem Caiado, nem Zema e nem Ratinho Jr. vão bancar a sua anistia. Por isso ele vai apostar suas fichas na “franquia” que criou, ou seja, o 22 na urna com o sobrenome Bolsonaro.

Descrevi esta estratégia no artigo de fevereiro/24:

“Para tirar o “mito” da cadeia, com um presidente que conceda a anistia, seus fiéis apoiadores irão votar num BOLSONARO, seja na esposa ou no filho 01. E o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, vai apoiar esta estratégia, pois sabe que esta campanha emotiva, apelativa vai garantir a reeleição de boa parte dos seus mais de 90 deputados federais”, antevi.

 

Bolsonaro, o inelegível, joga suas fichas em Flávio, o filho 01.

Dona Michelle, a ex-primeira-dama, deve ser eleita senadora pelo Distrito Federal, e Carluxo, o “filho 02”, também deve conquistar uma cadeira de senador por Santa Catarina. A família, portanto, vai manter influência na política nacional e o “22/Bolsonaro” deve garantir a eleição de pelo menos 50 deputados federais.

 

O ex-presidente se agarra ao que tem e vai conservar grande parte de seu espólio político, mesmo que Flávio Bolsonaro não impeça a vitória do presidente Lula (PT) no primeiro turno.

Bolsonaro não tem eleitores. Tem torcida.

O ex-presidente tem consciência que Tarcísio de Freitas (Republicanos) não para em pé em São Paulo sem o apoio de seus seguidores. Afinal o que o governo de Tarcísio fez em São Paulo além de encarecer a conta de água, aumentar o feminicídio e ampliar exponencialmente o número de pedágio nas rodovias paulistas?

O mesmo vale para os demais governadores de oposição.
Bolsonaro ainda guarda mágoas de Ronaldo Caiado (União Brasil), não engole Romeu Zema (Novo-MG) e não tem nenhuma afinidade como Ratinho Jr. (PSD-PR). Vale para eles, o mesmo recado que Michelle Bolsonaro deu ao PL do Ceará, em relação a aliança com Ciro Gomes (PSDB).

O PL de Bolsonaro vai de chapa própria em todos os Estados onde não houver acordo para apoio à candidatura de Flávio. Sua estratégia está clara: organizar suas forças e manter relevância política para 2030, no “pós-Lula”.

Quem viver verá.