Depois de acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para censurar o canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) entrou com o registro do “Tropa do Flávio” e confirmou a participação no debate da Band, previsto para acontecer no próximo domingo (18). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia confirmado participação em todos os encontros previstos na campanha do segundo turno.
Não bastasse a censura a postagens da campanha Lula bateu também o desespero com as pesquisas internas – as chamadas trackings – da própria campanha bolsonarista, que apontam uma virada de Lula no segundo turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) passou a defender a redução da maioridade penal para 14 anos.
A PEC da Segurança Pública é de autoria da Presidência da República e pode entrar na pauta de votação nesta quinta-feira (15). A proposta é aguardada por Lula, que prometeu criar o Ministério da Segurança Pública, para fortalecer o combate ao crime organizado nas cidades e estados a partir de uma definição constitucional sobre a atuação das três esferas de poder sobre o tema.
A manobra da bancada bolsonarista, comandada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), aconteceu após a negociação que incluiu a votação da PEC na sessão desta quinta-feira (15).
Na emenda, assinada por todos os bolsonaristas da casa, Marinho pede a inclusão do “art. 228 fixa a inimputabilidade em 16 anos como regra geral, e o parágrafo único reduz esse limiar a 14 anos exclusivamente para o rol de crimes que o próprio ordenamento já trata como de maior reprovabilidade em outras searas, a exemplo dos hediondos, da tortura, do tráfico de entorpecentes, do terrorismo e da atuação em organização ou associação criminosa”.
Albuquerque destaca que o atual cenário é “pessimista” e que Flávio é, sim, favorito a vencer as eleições. Contudo, o professor aponta que a notícia da derrubada do canal Exército do Lula foi muito mal recebida pela opinião pública, porque mostra um “favorecimento explícito” da candidatura do senador. “Existe uma gestão das desesperanças, que é o seguinte: você tenta ao máximo impor derrotas à campanha do Lula para que o eleitorado pense que não há o que fazer. Mas não é isso que está acontecendo. Mais de um milhão de pessoas foram para as ruas. Então há uma onda positiva”, defende.
Além disso, outro elemento flagrante desse alerta eleitoral da campanha bolsonarista é que Flávio, que sempre foi contra o fim da escala 6×1, agora disse que vai votar a favor. “Para alguém, ele está mentindo”, destaca o analista. “E tem jeitos de ele tentar se sair dessa equilibrando esses interesses, ou seja, ele vota a favor agora, mas, se eleito, ele terá formas de desidratar a proposta, passando a medida de trabalho por hora”, avalia.
Sobre a expectativa para o primeiro debate, Mateus de Albuquerque acredita que será uma oportunidade para Lula reforçar as entregas do governo. Contudo, o cenário é de bastante imprevisibilidade. “Acredito que a campanha de Lula vai continuar cobrando o que Flávio prometeu no primeiro turno, os cortes e quem vai sair perdendo com isso. Já a campanha do Flávio vai apostar na confusão: envolvimento com STF, o tamanho da caixa de Bis, as coisas estão diminuindo de tamanho e ficando mais caras, enfim. Vai ser uma briga de narrativa muito marcada entre o que é verdade e o que é mentira”, avalia.
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Com DCM e BdF