A polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e o título de Padroeira do Brasil trouxe novamente ao centro do debate eleitoral o ex-deputado federal Victório Galli Filho, autor do projeto de lei que propôs alterar a denominação oficial da santa católica e que, após se aproximar do bolsonarismo, foi nomeado assessor especial da Presidência da República por Jair Bolsonaro em 2019.

O tema voltou ao radar após a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, mencionar nesta quinta-feira (14) a existência de uma reação de setores da Igreja Católica a uma suposta movimentação de grupos evangélicos para retirar Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira nacional.

A discussão ganhou repercussão porque Galli, que hoje disputa novamente uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Progressistas (PP) em Mato Grosso e apoia a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), é o autor da proposta que, em 2007, previa substituir o título de “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

A associação com Flávio também ocorre após uma declaração dada pelo senador durante a pré-campanha, quando afirmou que, caso fosse eleito presidente, decretaria que o Brasil “pertence a Jesus Cristo” — declaração que dialoga com os interesses do eleitorado evangélico.

O ex-deputado federal Victório Galli (MT), que apresentou em 2007 um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, atuou como assessor especial da Presidência da República no governo de Jair Bolsonaro. A informação é da coluna Painel na Folha de S.Paulo.

Galli protocolou a proposta quando integrava o MDB. A Câmara arquivou o projeto no ano seguinte, sem que ele avançasse na tramitação.

Depois de não se reeleger deputado federal em 2018, Galli assumiu em 2019 um cargo na Casa Civil, então comandada pelo ministro Onyx Lorenzoni. Ele ocupou a função de assessor especial da Presidência.

Na sexta (25), mensagens nas redes sociais associaram a iniciativa ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Candidato à Presidência, ele negou que tenha a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do país.


O ex-deputado federal Victório Galli (MT) propôs o projeto contra Nossa Senhora Aparecida foi assessor de Flávio Bolsonaro

O projeto que propunha “rebaixar” Nossa Senhora Aparecida

O projeto de lei que está no centro da controvérsia foi apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli Filho (MT).

A proposta previa modificar a denominação oficial de Nossa Senhora Aparecida, retirando a expressão “Padroeira do Brasil” e substituindo-a por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

Na justificativa do texto, Galli argumentava que a mudança evitaria que o Estado brasileiro conferisse privilégio institucional a uma determinada religião.

A proposta não avançou na Câmara dos Deputados e acabou arquivada em 2008.

Embora o projeto não tenha sido apresentado por Flávio Bolsonaro, ele voltou ao debate durante a atual disputa eleitoral em razão da proximidade política entre o ex-deputado e a família Bolsonaro, além das declarações do senador sobre sua relação com a fé cristã e o papel da religião na vida pública.

 

Reação católica

A retomada do debate sobre Nossa Senhora Aparecida acontece em uma semana marcada por manifestações de setores da Igreja Católica brasileira sobre participação política, democracia, soberania nacional e defesa dos mais pobres.

O arcebispo emérito de Aparecida, Dom Orlando Brandes, ganhou repercussão após afirmar, durante uma celebração na Basílica Nacional, que nenhum poder estrangeiro deve interferir nos rumos do Brasil e defender que os fiéis escolham seus representantes pensando no bem comum.

Também foram divulgadas orientações de dioceses e bispos sobre critérios para o voto, com destaque para temas como justiça social, proteção ambiental e compromisso com os vulneráveis.

As manifestações foram interpretadas por setores ligados ao bolsonarismo como uma aproximação com a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente porque temas como soberania nacional e defesa dos pobres fazem parte do discurso da campanha petista.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no entanto, afirma que não declara apoio a candidatos ou partidos. O presidente da entidade, Dom Jaime Spengler, criticou a mistura entre religião e política e afirmou que a Igreja deve orientar os fiéis sem assumir posição partidária.

No centro dessa disputa está uma questão que ultrapassa o antigo projeto de lei: o papel da religião na política brasileira e os diferentes projetos de país que disputam espaço nas eleições de 2026.

Com DCM e Fórum