Filha do ex-prefeito Iris Rezende (MDB) vai para oposição a Caiado e Daniel

O senador Wilder Morais (PL) e o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto assinaram a ficha de filiação de Ana Paula Resende na manhã desta sexta-feira, em Goiânia. Filha do saudoso prefeito Iris Rezende Machado, a empresária deixa o MDB, após ter sido negada a possibilidade de ser candidata ao Senado pelo partido que foi o responsável por levar o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) à conquista de mandato de senador nas eleições de 2014 e de governador, nas eleições de 2018 e 2022.

Dez entre nove filiados ao MDB sabem de cor e salteado que sem o apoio de Iris Rezende, o sonho de Caiado de ser governador de Goiás jamais seria realizado.

Com a filiação de Ana Paula Rezende, a candidatura Wilder Morais ganha fôlego, e o deputado federal Gustavo Gayer perde força política. Gayer, que se colocava acima do PL se torna figura menor no jogo político do bolsonarismo.

Mas os grandes perdedores com a saída de Ana Paula do MDB são o vice-governador Daniel Vilela (MDB) e o próprio governador Ronaldo Caiado (PSD). Ambos subestimaram a herdeira política e Iris Rezende, e deram munição para o fortalecimento da oposição em Goiás.

Não é de hoje contrariedade de Ana Paula com os inquilinos do Palácio das Esmeraldas. O primeiro sinal ocorreu em setembro do ano passado, quando a Assembleia Legislativa de Goiás fez homenagem ao Instituto Iris Rezende, presidido por Ana Paula. O evento lotou as galerias da Alego com lideranças do MDB, com nomes como o ex-senador Mauro Miranda, ex-deputados federais e estaduais e ex-secretários estaduais dos governos Iris e Maguito, porém, o vice-governador Daniel Vilela não compareceu, e mandou como representante Paulo Ortegal, que foi secretário de Governo de Iris no seu último mandato na prefeitura de Goiânia (2017-2020).

De lá para cá nada foi feito para reaproximar as duas lideranças. Ao contrário. Foi negada a participação de Ana Paula na chapa majoritária, seja como vice ou candidata ao Senado. O resultado final foi o ato de hoje, que abre um rasgo no governismo.