A disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais exige uma mobilização ampla do campo democrático para a derrota da extrema direita. Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, 8, a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) defendeu o aumento do diálogo com eleitores indecisos ou que apostaram em uma terceira via no primeiro turno e o fortalecimento da presença da esquerda nas redes sociais para enfrentar a desinformação eleitoral e contribuir para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para a parlamentar, o resultado da eleição vai definir o futuro político do país por décadas.

“Essa é a nossa última chance de tirar o bolsonarismo do poder. O bolsonarismo não tem mais fôlego para se sustentar por quatro anos sem a Presidência da República. Mas, ganhando a Presidência da República este ano, o bolsonarismo se sustenta por mais de 30 anos”, declarou Ana Elisa.

Ana Elisa também destacou o perigo de colocar no poder um grupo sem compromisso com a defesa da democracia: “Eles estão avisando a todo momento que vão fazer um golpe com o Brasil. Eles vão instaurar um golpe no Brasil. Então este é o momento das pessoas refletirem”.

Segundo a deputada, a coordenação da campanha de Lula segue transmitindo orientações por diferentes canais. Ela citou, ainda, a mobilização feita pelo deputado André Janones (Rede-MG) no WhatsApp como um exemplo da disposição dos apoiadores em atuar de forma independente para ampliar a votação do presidente Lula.

Para Ana Elisa, uma das prioridades do momento é conversar com os eleitores que escolheram candidatos como Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) no dia 4 de outubro. “Quem votou no Lula já vai votar no Lula no segundo turno. Agora é o momento de convencer quem votou na terceira via”, afirmou.

“Nós todos estamos entendendo que, nesse momento, o mais importante é nós virarmos os votos da terceira via, explicarmos para as pessoas que votaram na terceira via o que significa ter Flávio Bolsonaro presidente da República.”

A jovem petista afirmou que a mobilização precisa combinar uma orientação geral da campanha com a atuação de militantes e apoiadores em seus próprios territórios. A deputada ressaltou que as realidades são diferentes entre cidades e regiões e que, por isso, a campanha precisa contar com a participação de todos.

“Nós estamos unidos para tentarmos fazer uma mobilização geral”, resumiu.

Ódio ao PT não deixa eleitor enxergar quem é Flávio Bolsonaro

A parlamentar avalia que o contexto de polarização política presente neste segundo turno exige que a campanha, para além de mostrar as propostas de Lula, faça comparações diretas entre as trajetórias dos dois candidatos. “Como só as propostas do presidente Lula não bastam, nós precisamos mostrar quem é o adversário”, ressaltou.

Ana Elisa afirma que parte do eleitorado pode estar tomando sua decisão sem necessariamente considerar quem é o candidato que está do outro lado.

“Nós precisamos trazer para o eleitor quem é Flávio Bolsonaro, porque o ódio pelo PT e o ódio pelo lulismo não está deixando as pessoas enxergarem quem é Flávio Bolsonaro.”

“Flávio Bolsonaro é uma pessoa que está envolvida em milícia. Flávio Bolsonaro é uma pessoa que está envolvida com o Banco Master. Flávio Bolsonaro é uma pessoa que mandou mensagem para o [Daniel] Vorcaro. Flávio Bolsonaro é uma pessoa que está defendendo um policial que matou uma criança de 5 anos na favela. Essa é a pessoa de Flávio Bolsonaro. Não tem como discutir proposta com uma pessoa dessa.”

Ana Elisa defende que esse debate permite ao eleitor avaliar, de forma mais ampla, os projetos e os antecedentes políticos de cada candidatura antes de decidir seu voto.

Mais presença de Lula nas Redes

A ampliação da presença de Lula nas redes sociais também foi apontada como uma mudança importante para o segundo turno. Ana Elisa relatou que ela e sua equipe conversaram com a comunicação do presidente e apresentaram sugestões para fortalecer a comunicação direta com os eleitores.

Na avaliação da deputada, a campanha precisa aproveitar a facilidade de Lula diante das câmeras e adaptar essa capacidade de comunicação para as novas plataformas.

“O presidente está muito disposto a virar esse jogo. Ele entendeu que, neste momento, nós precisamos abranger as redes sociais. Foi o único lugar que a esquerda perdeu”, declarou.

A experiência e o preparo de Lula, além de sua biografia política, são também decisivas, na opinião da petista: “Ele fala com a câmera desde 1989. Agora ele está saindo da câmera da televisão e vindo para a câmera do telefone”.

A deputada também defendeu que experiências de comunicação desenvolvidas regionalmente sejam aproveitadas pela campanha nacional, citando especialmente o trabalho realizado em campanhas do Nordeste.

A batalha contra a desinformação

Outro eixo destacado pela deputada foi o combate à desinformação eleitoral. Em exclusiva para a Rede PT de Comunicação, Ana Elisa convocou militantes e apoiadores a assumirem um papel ativo na identificação e no desmentir de informações falsas nas redes sociais.

Para ela, a resposta para qualquer mentira precisa ser rápida. “É muito fácil disseminar uma fake news na sociedade, mas é muito difícil combatê-la.”

Segundo a deputada, todos podem ajudar para interromper a circulação de uma notícias falsas nas redes sociais. “Qualquer pessoa, com qualquer número de seguidor, tem capacidade de desmentir uma fake news.”

Ela também afirmou que o campo que apoia Lula possui credibilidade para ocupar esse espaço e não deve se calar diante desses tipos de conteúdos.

“Nós estamos falando do lado político que fala a verdade, do lado político que cuida dos trabalhadores e trabalhadoras desse país”, destacou.

Para Ana Elisa, a resposta deve ser coletiva, com a união das redes e das capacidades individuais de comunicação.

“Não podemos deixar de falar para não darmos legitimidade para esse pessoal. Este é o momento de unirmos forças, as nossas verdades, as nossas capacidades e as nossas redes e irmos desmentir toda e qualquer fake news.”

 

Rede PT – 
Foto: Gabriel Paiva