Delegada e prefeito consolidam posição enquanto aliados do Palácio das Esmeraldas são fritados durante a pré-campanha
Marcus Vinícius de Faria Felipe
Cada eleição tem suas características próprias, mas é difícil evitar comparações com pleitos anteriores. A história das eleições em Goiânia mostra que toda vez que o governo do Estado erra na escolha do candidato a derrota é certa, e a oposição vence o pleito. É certo que o eleitor da Capital é mais crítico aos nomes ungidos pelo Palácio das Esmeraldas, mas já houveram candidatos governistas eleitos, entre eles Daniel Antônio (1985) e Nion Albernaz (1988), depois deles, muita divisão e brigas internas, e os eleitos foram Darci Accorsi-PT (1992), Nion Albernaz-PSDB (1996), Pedro Wilson-PT (2000), Iris Rezende-MDB (2004-2008), Paulo Garcia-PT (2012-2016) e Maguito Vilela-MDB (2020).
Na sucessão atual, apenas dois candidatos estão definidos na disputa: o prefeito Rogério Cruz (Republicanos), que é candidato à reeleição, e a Delegada Adriana Accorsi (PT). A Casa Verde bate cabeça com vários nomes mas, de fato, ainda não tem nenhum. Primeiro foi cogitada a candidatura de Ana Paula Rezende (MDB), filha do saudoso prefeito Iris Rezende, porém, ela própria declinou do projeto, preferindo não atuar na linha de frente.
Veio então a ideia de trazer de Trindade o ex-prefeito Jânio Darrot, que foi filiado ao MDB com a missão de ser o candidato da base governista em Goiânia. Nas últimas semanas investigações à cargo da Polícia Civil sobre supostas irregularidades na sua gestão como prefeito da Terra Santa, arranharam a sua imagem perante o eleitorado goianiense. Em meio aestas articulações o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), Bruno Peixoto (UB), ganhou musculatura, e parecia caminhar para ser o candidato natural da base situacionista. Na última quinta-feira (15), ele próprio anunciou que não será mais candidato.
O leitor pode lembrar que o PSD, partido do senador Vanderlan Cardoso (PSD) também compõe a base do governo do Estado, e ele poderia ser ungido à condição de candidato do grupo, mas não é simples assim.
Vanderlan Cardoso tem arestas a aparar com o MDB por conta da campanha de 2020, onde fez duro embate com o estimado prefeito Maguito Vilela, que venceu a disputa mas veio a falecer poucos dias após a sua posse. Há também outras considerações. Aliados pressionam o senador a lançar sua esposa, Izaura Cardoso, como pré-candidata em Senador Canedo, município que projetou o casal para a política de Goiás. Izaura é suplente do senador Wilder Morais (PL) e é também a segunda vice-presidente do PL em Goiás. É muito difícil para Vanderlan trabalhar uma campanha em duas frentes, ou seja, cuidar de sua campanha em Goiânia e ajudar a esposa em Senador Canedo.
Eu devolvo agora a pergunta ao leitor: qual eleição Vanderlan não pode perder, o pleito em Goiânia ou a disputa em Senador Canedo?

É por estas complexidades e indefinições que há que se dizer que levam vantagem nesta disputa eleitoral a Delegada Adriana Accorsi, que lidera as pesquisas e Rogério Cruz que está virtualmente em terceiro lugar, se forem desconsideradas as candidaturas de Bruno Peixoto e Jânio Darrot.
O tempo das convenções, no ainda longe mês de julho, pode ajustar as coisas, ou piorar de vez.
É preciso lembrar, que três constantes ainda prevalecem nas eleições em Goiânia, a primeira, que já foi dita, é que a oposição sempre leva vantagem sobre um governo dividido, outra, é que já houveram prefeitos reeleitos. Iris Rezende e Paulo Garcia já quebraram este tabu, portanto, Rogério Cruz, em que pese os ajustes que tem que fazer na sua administração, ainda está no páreo. E, finalmente, a terceira constatação é que sempre que se queima um candidato natural o racha se instala e as partes fracionadas não se unem mais.
Ah, mas você esqueceu de falar do deputado federal Gustavo Gayer (PL), diria o leitor.
Falemos então que o principal cabo-eleitoral do parlamentar está a um passo de ser preso pelas provas colhidas na Operação Tempus Veritatis, da Polícia Federal, que ligam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a uma tentativa de Golpe de Estado. Gayer também coleciona processos, que podem inclusive leva-lo à cassação do mandato.
Mas e se o governo do Estado considerar então que sem Darrot e sem Peixoto o melhor caminho é hipotecar apoio a Gayer?
Aí, caro leitor, eu diria que a vaca irá para o brejo com corda e tudo!