O Pix já é aceito fora do Brasil e sem custo. Isso tem incomodado o presidente estadunidense Donald Trump e as empresas de cartões de crédito norte-americanas.

Nas redes sociais crescem as denúncias de que os Estados Unidos têm interesse em acabar com o PIX, impedindo que o Brasil tenha uma moeda eletrônica grátis, segura e que evita que microempresários e a população em geral seja refém das empresas de cartões de crédito dos Estados Unidos, como as redes Visa, MasterCard e American Express.

No seu twitter, a deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP) denuncia que o interesse do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do presidente Trump é taxar o PIX, privatizando este instrumento que foi  criado por servidores públicos do Banco Central do Brasil.

“Primeiro atacaram nossas exportações – laranja, café e carne bovina. Agora, atacam o PIX. E, se a gente se calar, vão atacar mais”, afirmou a parlamentar no vídeo.

 

 

Tábata foi além e denunciou também o alinhamento do ex-presidente Bolsonaro e de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro às big techs que controlam as redes sociais.

“Bolsonaro é útil para essas empresas [Big techs]. Ele topa tudo desde que consiga escapar da Justiça”, afirmou a deputada.

Tabata defendeu a união dos brasileiros contra as intromissões de Trump. “Aqui tem uma democracia, aqui tem um povo soberano e aqui a gente sabe se defender quando necessário”.

O governo dos EUA abriu uma investigação contra o PIX acusando o Brasil de práticas desleais de comércio. Tabata explicou que o ataque contra o PIX é uma forma de tentar recuperar mercado de empresas americanas como Visa e Mastercard, que lucram com o uso dos cartões de crédito.

“Por trás disso tem uma grande trama em andamento com políticos e empresas que têm muito a ganhar com o ataque à soberania brasileira, mesmo que, no processo, eles coloquem em risco os interesses do povo brasileiro e, também, do povo americano”, falou a deputada.

“Quem paga o preço dessa aliança? Nós, o povo brasileiro. E o povo americano também. Essa guerra não é pelos interesses dessas duas populações, é pelo interesse de quem lucra com a divisão, a mentira e a submissão dos outros”, disse.

O PIX está no centro da discussão porque “atrapalha os planos de empresas como Apple, Google e Meta, que têm seus próprios métodos de pagamento com taxas, cartões e lucros para elas”, descreveu.

Tabata lembrou que os donos dessas empresas “estavam na primeira fila na posse de Donald Trump, porque o projeto dele também é bom para elas: manter o mundo usando tecnologia americana sem concorrência e sem regulação”.

“Bolsonaro é útil para essas empresas. Ele topa tudo desde que consiga escapar da Justiça, manter relevância política e reconstruir poder”, criticou.

“É por isso que Eduardo Bolsonaro está conspirando nos Estados Unidos. Se hoje existe uma ameaça real e declarada contra o PIX, por que não teve vídeo do Nikolas sobre isso? Eles não estão de fora, estão dentro, participando”, destacou.

Tabata se refere ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que publicou em janeiro um vídeo falando que a taxação do PIX poderia ocorrer pelo governo Lula. Em suas redes, Nikolas tem defendido o ex-presidente Bolsonaro em sua aliança com Trump.

Segundo Tabata Amaral, “Trump quer pintar o Brasil como uma ameaça à liberdade. Bolsonaro oferece o papel de vítima. No fundo, a principal utilidade do Bolsonaro é dar a Trump uma desculpa para taxar o ‘Brasil acima de todos’”.

Donald Trump, em seus ataques contra a soberania brasileira, também menciona as propostas de regulamentação das plataformas digitais no Brasil e as decisões da Justiça nesse sentido. Essas empresas “não querem ser reguladas, não querem ser responsabilizadas por golpe, fraude, discurso de ódio e exploração infantil. Porque isso significa perder dinheiro”, denunciou Tabata.

“A aliança Trump-Bolsonaro também serve a elas. Serve a seus lucros”, completou.

 

PIX começa a ser adotado em outros países

No perfil Pravda-BR, um brasileiro residente em Paris, informa que o PIX já é aceito na França. Na capital francesa, lojas populares entre os turistas brasileiros, como a farmácia CityPharma, em Saint-Germain, e as perfumarias Fragrance de l’Opéra e Grey, já aceitam pagamentos via Pix. A operação é realizada com o apoio da fintech PagBrasil. O processo é simples: o cliente escaneia um QR Code, paga por meio de seu aplicativo bancário e o lojista recebe o valor convertido em euros, com uma taxa de serviço em torno de 3%.

Modelo semelhante está em operação em Lisboa, com a atuação da fintech Braza Bank. A conversão do valor é baseada em uma média do câmbio entre dólar e euro, e o pagamento chega ao comerciante em euro — com ou sem a participação de um credenciador local.

 

Além dessas capitais, o Pix também começa a ser utilizado, ainda que de forma mais tímida, em cidades como Ciudad del Este (Paraguai) e Miami (EUA). Fintechs como VoucherPay, Eupago e Wipay também participam da estratégia de internacionalização, focando em regiões turísticas e estabelecimentos que recebem um grande volume de brasileiros.

Na Argentina, a aceitação do pagamento Pix estará disponível através de dispositivos Clover e nos aplicativos, bem como em um site desenvolvido pela Fiserv para os estabelecimentos que usam as máquinas PosNet e outros serviços de pagamento. A experiência, por sua vez, será similar à que existe hoje no Brasil, isto é, com a leitura de um QR Code, que poderá ser escaneado para fazer o pagamento com o Pix.

O Pix permanece como uma solução 100% brasileira, mas com vocação global. Outros países também desenvolvem sistemas semelhantes:

No Reino Unido, o Faster Payments System;
Na União Europeia, o SEPA Instant Credit Transfer (SCT Inst);
Nos Estados Unidos, o FedNow, lançado em 2023;
Na Índia, o UPI (Unified Payments Interface); e
Na Austrália, o New Payments Platform (NPP).
Todos com funcionamento contínuo, em tempo real, e disponíveis 24 horas por dia.

Mas por quê Trump quer o fim do Pix?

Primeiro que hoje para usar o Pix como pagamento à vista, as pessoas físicas e Microempreendedores Individuais (MEIs) não pagam tarifas ou taxas adicionais. Já as empresas (pessoa jurídicas) pagam um percentual muito abaixo dos cartões – em média de 0,33% do valor da transação e, dependendo do banco podem ser isentas porque a cobrança é opcional. Uma transação via cartão de débito custa ao comerciante em média entre 1,23% e 2% e o de crédito entre 3% e 5%.

Essas facilidades e juros menores acabaram por diminuir consideravelmente o uso dos cartões pelos brasileiros levando as grandes instituições financeiras dos EUA a perderem espaço e milhões de dólares. Além disso o Pix começou a ser aceito em alguns estabelecimentos da América Latina e na França, o que pode tirar o poder do dólar na economia mundial.

A economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Vivian Machado demonstra o quanto o PIX retirou de lucro das empresas norte-americanas. Ela conta que uma pesquisa da Federação Nacional dos Bancos (Febraban) mostra que a participação do cartão de crédito, mesmo nos meios de pagamento, tem caído.

“Em 2020, por exemplo, as transações feitas pelo cartão de crédito representavam 22% do total e hoje estão em 14%. O cartão de débito representava 25% das transações no ano passado e neste primeiro semestre de 2025 ficou em apenas 11%”, diz Vivian.

Já o Pix se consolidou como o meio de pagamento mais utilizado no Brasil, superando o cartão de débito e o dinheiro em espécie. A pesquisa do Banco Central mostra ainda que 76,4% da população utiliza o Pix, enquanto o cartão de débito é usado por 69,1% e o dinheiro em espécie por 68,9%.

Volume financeiro

O volume financeiro movimentado pelo Pix em 2024 atingiu a marca de R$ 26,455 trilhões, com 63,51 bilhões de operações. Isso representa um crescimento de 54% em relação ao ano anterior, quando foram movimentados R$ 17 trilhões, segundo o Banco Central.

Por sua vez, o volume financeiro das compras realizadas com cartões de crédito, débito e pré-pagos cresceram 10,9% em 2024, somando R$ 4,1 trilhões, de acordo com dados da ABECs, associação que representa a indústria de meios eletrônicos de pagamento.

“O ataque de Trump é por conta disso, exatamente porque embora o volume de transações via cartões tenha aumentado, percentualmente diminuiu e o Pix aumentou muito mais “, diz Vivian.

Uma conta hipotética mostra o quanto as empresas dos EUA estão perdendo com o PIX. Se calcularmos apenas R$ 1,00 por Pix dentre as 63,51 bilhões de transações feitas, os cartões de débito e crédito perderam a movimentação no ano passado de R$ 63,51 bilhões. Esta conta não calcula a possibilidade do uso de TED e outros meios de pagamentos. Ainda assim a perda financeira dos cartões norte-americanos é bilionária, o que para Trump é inadmissível.

General critica viralatismo bolsonarista

Em entrevista à Jovem Pan, o  general Santos Cruz, ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro, criticou a “idolatria” em relação aos Estados Unidos durante o programa Só Vale a Verdade e citou a falta de “nacionalismo” de políticos brasileiros. Veja o vídeo:

Com informações da Jovem Pan, CUT, Dieese, HP e redes sociais