A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (16) o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), que abrange o Rio de Janeiro. A investigação apura vazamento de informação da Operação Zargun, que prendeu o então deputado estadual TH Joias.
Macário expediu o mandado de prisão do ex-deputado no âmbito da ação que investigava o envolvimento de agentes públicos com o Comando Vermelho. A operação Unha e Carne 2 é um desdobramento da ação que havia prendido o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, por suspeita de vazamento do caso.
Desembargador preso pela PF ficou quase 18 anos afastado do cargo; aposentadoria compulsória foi retirada em 2022. Leia mais no blog de @camilabomfim https://t.co/gYKXNovUlH #g1
— g1 (@g1) December 16, 2025
Defesa
Por meio de nota, a defesa do desembargador alega que o ministro Alexandre de Moraes, do STF. responsável pelo processo, “foi induzido a erro ao determinar a medida extrema”. O comunicado, assinado pelo advogado Fernando Augusto Fernandes, afirma que não foi disponibilizada cópia da decisão que decretou a prisão de Júdice Neto, “obstando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa”.
Segundo o advogado, nada foi encontrado na busca e apreensão. A defesa antecipa que, após ter acesso às informações, pedirá a soltura do desembargador.
“É preciso investigar a quem interessa o afastamento do desembargador que determinou prisões no Rio de Janeiro e a criação de versões mentirosas que levaram aos fatos de hoje. Todos os alvos de sua decisão como desembargador estão presos”, completa a nota.

Relembre o caso
A Operação Zargun teve como alvo principal o então deputado estadual TH Joias, em setembro. Ele é acusado de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho (CV), que inclui a intermediação de compra e venda de armas. Ele tinha assumido uma vaga na Alerj como suplente, cargo que perdeu após a prisão, com a volta ao cargo do deputado titular.
No começo de dezembro, a primeira fase da Unha e Carne prendeu o então presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, acusado de ter passado informações da Zargon para TH Joias. Bacellar chegou a ficar cinco dias presos, tendo sido libertado após uma decisão da Alerj que revogou a prisão. No dia seguinte à soltura, ele pediu licença do cargo.
Por decisão do ministro Alexandre de Moares, Bacellar tem que usar tornozeleira eletrônica e obedecer a algumas restrições, como permanecer afastado da presidência da Alerj, recolhimento domiciliar, proibição de se comunicar com outros investigados, suspensão de porte de arma e entrega de passaporte.
A decisão da Alerj está prevista na Constituição. Quando a Justiça decreta a prisão de um deputado federal ou estadual, a medida precisa ser ratificada pela respectiva Casa legislativa.
Mulher de desembargador preso pela PF trabalhava na diretoria-geral da Alerj; marido é relator de caso que envolve Bacellar e TH Joias https://t.co/9P9kT2Y9I9 #g1
— g1 (@g1) December 16, 2025
Com TVT, BdF e Agência Brasil