A inflação brasileira encerra 2025 dentro da meta oficial.

Segundo o IPCA-15, indicador calculado pelo IBGE, a inflação geral fechou dezembro em 4,41% no acumulado em 12 meses, abaixo do teto de 4,5% estabelecido pelas autoridades monetárias.

O dado confirma uma desaceleração consistente ao longo do segundo semestre do ano.

O principal fator por trás desse resultado foi a forte queda da inflação dos alimentos consumidos em casa. Esse grupo tem peso decisivo no orçamento das famílias mais pobres e influencia diretamente a percepção do custo de vida.

Em dezembro de 2025, a inflação dos alimentos em domicílio caiu para 2,48% no acumulado em 12 meses. O número é muito inferior ao observado nos momentos mais críticos do ano.

Em maio de 2025, no auge da pressão inflacionária, a inflação dos alimentos em domicílio atingiu 8,08% em 12 meses. A partir desse pico, os preços passaram a cair mês a mês, puxando rapidamente a média acumulada para baixo até o patamar registrado em dezembro.

A queda fica ainda mais evidente quando comparada ao período mais dramático da série recente. Em agosto de 2022, em pleno ano eleitoral, a inflação dos alimentos em domicílio atingiu 17,37% em 12 meses.

O contraste com os 2,48% de dezembro de 2025 mostra a dimensão da reversão no custo da alimentação básica. Trata-se de uma mudança profunda em relação ao cenário vivido pelas famílias brasileiras poucos anos atrás.

A desaceleração atingiu produtos centrais da alimentação. As carnes, que pressionavam os preços no primeiro semestre, entraram em trajetória de alívio ao longo da segunda metade do ano.

A picanha, símbolo do encarecimento dos alimentos nos últimos anos, seguiu esse movimento. No pico da pressão inflacionária, em junho de 2025, a inflação acumulada em 12 meses da picanha chegou a 15,38%, mas os preços recuaram nos meses seguintes, ajudando o grupo de carnes a fechar dezembro com inflação de 2,09%.

Proteínas mais acessíveis também contribuíram para a queda do custo da alimentação. A tilápia apresentou desaceleração ao longo do segundo semestre, ajudando a aliviar o orçamento das famílias que buscam alternativas às carnes mais caras.

Nos grãos, a reversão foi ainda mais intensa. O arroz fechou dezembro de 2025 com deflação de 26,04% no acumulado em 12 meses, um contraste radical com o cenário vivido durante o governo Bolsonaro, quando o produto atingiu seu pico inflacionário em abril de 2022, com alta de 60,03% em 12 meses.

O feijão seguiu trajetória semelhante. Em dezembro de 2025, o produto apresentava variação negativa de -7%  no acumulado em 12 meses, depois de ter atingido seu pico inflacionário em maio de 2022, quando acumulava alta de 32,41% em 12 meses, segundo o IPCA-15.

O café foi o caso mais extremo do ano. No pico da crise, em maio de 2025, a inflação acumulada em 12 meses do café moído atingiu 83,20%, tornando o produto o principal vilão da inflação dos alimentos.

A partir do segundo semestre, os preços passaram a cair de forma contínua, reduzindo a pressão mensal. Mesmo assim, o café fechou dezembro com inflação de 41,84% em 12 meses, o que mostra que o patamar ainda é alto, apesar da queda expressiva em relação ao pico.

Além dos alimentos, um item essencial para o preparo das refeições também apresentou melhora. O botijão de gás, indispensável para as famílias mais pobres, acumulava inflação de 2,64% em 12 meses em dezembro, após ter atingido 7,28% no pico registrado em março de 2025.

Combustíveis e itens de transportes também ajudaram a conter a inflação geral no segundo semestre. Em dezembro de 2025, a gasolina acumulava inflação de 3,03% em 12 meses, enquanto o óleo diesel registrava variação de 1,85%.

A comparação com o período mais crítico ajuda a dimensionar essa melhora. Em junho de 2022, durante o governo Bolsonaro, a inflação da gasolina atingiu 33,18% em 12 meses, enquanto o óleo diesel chegou a 70,79% no mesmo período, com impactos profundos sobre o custo do transporte, dos alimentos e da economia.

O principal ponto de atenção segue sendo a energia elétrica residencial. Apesar da desaceleração recente, o acumulado em 12 meses permaneceu elevado em dezembro, em 11,95%, depois de ter alcançado o pico de 13,18% em setembro de 2025.

Com a chegada do verão e o aumento do uso de ar-condicionado em todo o país, esse item tende a voltar a pressionar o orçamento das famílias. Diante desse cenário, ganha força a necessidade de uma política estrutural para reduzir o custo da energia, especialmente por meio de um programa nacional de financiamento para energia solar em residências e edifícios.

 

Desemprego em queda

Desemprego cai para 5,4% no trimestre até outubro, o menor já registrado na série histórica
A população ocupada (102,6 milhões) ficou estável no trimestre até outubro, no maior patamar da história, e incluiu 926 mil pessoas no ano. Foto: Vitor Vasconcelos/Secom-PR

Ataxa de desemprego no Brasil no trimestre encerrado em outubro foi de 5,4%, a menor já registrada na série histórica que teve início em 2012. O índice aponta recuos em duas comparações recentes: -0,2 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (5,6%), e -0,7 ponto percentual na comparação com o mesmo trimestre de 2024 (6,2%). Os indicadores estão na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) divulgada nesta sexta-feira, 28 de novembro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Brasil renovou, mais uma vez, a menor taxa de desemprego da série histórica. Em 2025, já foram gerados mais de 1,8 milhão de novos empregos com carteira assinada. Fruto do trabalho sério do Governo do Brasil, que segue fortalecendo os setores produtivos e estimulando o investimento, garantindo uma economia forte”

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

O estudo mostra ainda que a população desocupada (5,9 milhões) está no menor contingente já registrado. Recuou 3,4% (menos 207 mil pessoas) no trimestre e 11,8% (menos 788 mil pessoas) no ano. A população ocupada (102,6 milhões) ficou estável no trimestre, no maior patamar da história, e incluiu 926 mil pessoas no ano.

“O Brasil renovou, mais uma vez, a menor taxa de desemprego da série histórica. Em 2025, já foram gerados mais de 1,8 milhão de novos empregos com carteira assinada. Fruto do trabalho sério do Governo do Brasil, que segue fortalecendo os setores produtivos e estimulando o investimento, garantindo uma economia forte”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em postagem nas redes sociais.

“Os dados são animadores e resultado de quando o país, sob a liderança do presidente Lula, caminha ao lado dos brasileiros. Tivemos o menor número de pessoas desempregadas desde o início da pesquisa, com recuo de 11,8% na comparação anual”, completou o vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.