Governador do Estado reduziu de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões as despesas de infraestrutura entre os anos de 2023 e 2025
Desde a noite de segunda-feira (23), ao menos 46 pessoas morreram e outras 38 estão desaparecidas na Zona da Mata de Minas Gerais em razão das chuvas que atingem a região. Outras 208 pessoas foram resgatadas com vida. Em muitos bairros de cidades como Juiz de Fora o cenário é devastador: casas destruídas, famílias desalojadas e muita lama e entulho sobre o chão. A resposta para tamanha tragédia, no entanto, não está apenas na força das águas: é resultado direto do corte de verbas promovido pelo governador Romeu Zema (Novo) e que seriam destinadas ao combate às enchentes em todo o Estado.
🚨A VOZ DO POVO! Governador Zema ACABOU de levar um ESPORRO de uma moradora de Ubá após ENCHENTES DEVASTADORAS.
– “Só quer LACRAR politicamente.”
TOMA ESSA IRRESPONSÁVEL! 🤡👍 pic.twitter.com/o92AeC482T
— Pedro Rousseff (@pedrorousseff) February 26, 2026
Nos investimentos de “suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas”, que incluem gestão de desastres, atendimento emergencial e mitigação de danos em rodovias, além da prevenção de eventos meteorológicos críticos, o governo destinou cerca de R$ 134,8 milhões em 2023. Desde então, o valor caiu para R$ 41,1 milhões em 2024 e R$ 5,8 milhões em 2025.
Neste ano, durante os dois últimos meses, a administração estadual havia destinado R$ 16.100 para a infraestrutura de combate aos temporais. Os dados sob essas rúbricas do primeiro mandato do atual governador, Romeu Zema, que se estendeu entre os anos de 2019 a 2022, não estão disponíveis no Portal de Transparência.

O governador contestou os números do Portal da Transparência do estado. Em entrevist, Zema afirmou que o governo desembolsou mais de R$ 200 milhões na construção de piscinões para conter a água da chuva na Região Metropolitana de Belo Horizonte e R$ 70 milhões em “kits de Defesa Civil” para mais de 600 municípios, mas os números não foram confirmados. Também é possível levantar os investimentos feitos entre 2019 e 2022, no primeiro mandato de Zema, já que os dados não estão disponibilizados no Portal da Transparência.
A liberação tardia de recursos para Juiz de Fora e Ubá ocorre somente após o caos estar instalado. Diante da previsão de novas chuvas nesta quarta-feira, a Defesa Civil determinou ainda na terça a evacuação completa de 24 ruas em quatro bairros de JF, com estimativa de retirada de cerca de 600 famílias. As áreas evacuadas ficam nos bairros Três Moinhos, Vila Ideal, Esplanada e Paineiras. No Três Moinhos, a orientação é para que moradores deixem as ruas Maria Florice dos Santos, João Luzia, José de Castro Ribeiro, José Luiz Flores, Manoel Clemente, Vicente Paulo Bacelar e Natalina de Andrade Guerra.
A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, afirmou que o foco da administração municipal é o resgate e o apoio às famílias atingidas. “Estamos trabalhando incansavelmente para evitar mais perdas, encontrar as pessoas não localizadas e amparar as famílias. Seguiremos trabalhando para reconstruir a cidade”, declarou.
Ajuda do Governo Federal
O governo federal também reconheceu o estado de calamidade pública decretado pela prefeitura de Juiz de Fora. Por meio das redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se solidarizou com a população e informou que uma equipe de coordenação da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) está a caminho e que a Defesa Civil Nacional trabalha em alerta máximo.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconheceu já nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (24), o estado de calamidade pública em Juiz de Fora (MG). Já os municípios de Ubá e Matias Barbosa, com rede de comunicação afetada, terão o reconhecimento sumário de situação de calamidade pública. A decisão será publicada ainda hoje em edição extra do Diário Oficial da União, o que possibilitará o início imediato dos trabalhos de socorro e ajuda humanitária.
Até o final da tarde desta quarta (25) as chuvas deixaram 46 mortos e 21 desaparecidos em Juiz de Fora e Ubá. A estimativa é de que mais de 3.400 pessoas estejam desabrigadas nas duas cidades. As operações de busca por desaparecidos continuam, enquanto os municípios organizam abrigos e iniciam o planejamento para a recuperação das áreas afetadas pela tragédia.
Com informações do jornal O Globo, Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
