Ex-ministro defende que governo Lula 4 agregue mais forças políticas e renovação do PT
Em entrevista ao jornal O Globo nesta terça-feira, o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu Oliveira e Silva disse que a eleição do presidente Lula no segundo turno não uma vitória exclusiva do PT, mas o resultado de u movimento amplo que uniu vários setores da sociedade, neste sentido, ele propõe que o novo governo, que se iniciará a partir de janeiro de 2027 abra mais espaço para outras forças políticas e setores da sociedade.
Para Zé Dirceu, o PT deve abrir diálogo com eleitores bolsonaristas e com evangélicos e deve passar por uma renovação urgente de seus quadros.
Veja abaixo os principais trechos da entrevista:
Reformas
“O presidente tem uma oportunidade históricade chamar o país a um pacto político. O Brasil precisa de reformas, queprecisam ser pactuadas: tributária, financeira, política e do Judiciário.Ele tem autoridade para liderar isso”.
Composição de governo
“O governo precisa expressar as forças políticas parlamentares, pelospartidos, mas tem que representar também essa expectativa de amplossetores sociais que não votariam no Lula. Votaram com compromissodemocrático e com o compromisso de que o governo vai espelhar asexpectativas e as reivindicações”.
PT
“Precisamos unir forças progressistas e democráticas. A vitória naeleição não foi do PT. Temos que tirar consequências disso, não pode sófalar. Temos que fazer quase uma reconstrução do PT. E dialogar comPSOL, Rede, PDT e PSB para constituir uma força mais orgânica”.
Sucessão de Lula
“Terão de provar isso governando ou liderando. Alguém vai se destacar. O(Fernando) Haddad se destacou como ministro da Fazenda e daEducação e ganhou espaço. Perdeu a eleição, mas isso não quer dizernada. O Lula perdeu três e se elegeu quatro vezes presidente. Acho queelas (as lideranças) vão ter que surgir na construção do país, do próprioPT e da luta democrática. A direita já tem nomes enfileirados”.
Ajuste
“Existe um problema real no Brasil, que é a dívida pública. Mas tem quebaixar o juro. Precisa fazer reforma, mas então vamos começar pelarenúncia fiscal.Não podem pedir para o governo fazer um ajuste que vai contra osinteresses da maioria que votou a favor do Lula. Uma das razões damobilização foi o medo de perder a vinculação do salário mínimo, aaposentadoria, a saúde, a educação. Não nos peçam para fazer aquilo que o eleitorado não aprovou”.