O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal entregue até as 23h deste domingo (13) uma cópia dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, apreendido durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. A determinação ocorre em meio à disputa entre ministros da Corte pelo acesso integral ao material.
Segundo apurou a CNN, o processo reúne lista de pagamentos não identificados feitos por Vorcaro a entidades, políticos e empresários.
A ordem foi encaminhada ao diretor-geral da PF, Andrei Augusto Passos Rodrigues, por meio do Ofício nº 15/2026. No documento, Zanin afirma que a corporação informou ter condições de fornecer cópias da mídia aos gabinetes dos ministros sem comprometer a preservação da cadeia de custódia.
Segundo o ministro, o prazo estabelecido para a entrega do material termina às 23h deste domingo, e a cópia deverá ser encaminhada diretamente ao seu gabinete no Supremo.
Zanin também afirma que os elementos de prova pertencem ao Plenário do STF e aos seus integrantes, e não exclusivamente a um ministro responsável pela relatoria do processo.
No ofício, o ministro registra que seu gabinete ainda não havia recebido a íntegra do material disponibilizado ao relator atual e aos anteriores, apesar de pedidos feitos por meio de ofícios e outros contatos institucionais.
O conteúdo solicitado corresponde aos dados extraídos de um iPhone 17 Pro apreendido com Daniel Vorcaro em 18 de novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero. A Polícia Federal informou que uma cópia da mídia já havia sido encaminhada anteriormente ao gabinete do ministro André Mendonça, relator anterior do caso.

Mendonça perdeu três relatorias
André Mendonça perdeu, de uma só vez, o comando de três processos que estavam sob sua relatoria no Supremo Tribunal Federal (STF). Em decisão tomada neste sábado (12), o presidente da Corte, Edson Fachin, retirou do ministro os casos Banco Master e INSS e assumiu o procedimento que investiga uma suposta relação entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A decisão ocorre dois dias antes da sessão em que o plenário do STF analisará o procedimento sobre Moraes e Vorcaro. No Master e no INSS, Mendonça terá de encaminhar os autos à Presidência da Corte, que definirá os novos relatores. Até lá, os dois processos ficam paralisados.
A retirada acontece depois da Procuradoria-Geral da República (PGR) questionar a forma como Mendonça conduziu a investigação sobre Moraes. Segundo a Procuradoria, o ministro determinou a apuração sobre o destinatário das mensagens enviadas por Vorcaro sem solicitação do Ministério Público ou da Polícia Federal. A PGR também sustentou que uma eventual investigação contra um integrante do STF deveria ser submetida ao plenário da Corte.
Na decisão, Fachin menciona ainda a possibilidade de impedimento de Mendonça. A atuação do ministro será examinada pelo plenário em 23 de setembro.
Fachin assume caso que será julgado na terça
Com a mudança, será Fachin quem conduzirá ao plenário o procedimento que estava sob responsabilidade de Mendonça.
Os ministros deverão decidir na terça-feira (15) se o relatório produzido pela Polícia Federal pode sustentar a abertura de uma investigação contra Moraes. A PGR pediu a anulação do documento e contestou a forma como a apuração foi conduzida.
O presidente do STF decidiu separar essa análise do processo que envolve a atuação de Mendonça. Gilmar Mendes havia pedido que os dois casos fossem examinados na mesma sessão, mas Fachin marcou para 23 de setembro a análise sobre o ministro.
O plenário, portanto, discutirá primeiro o procedimento sobre Moraes. Só depois examinará a conduta de Mendonça.
A sequência que levou à mudança
A decisão deste sábado não surgiu isoladamente. Na quarta-feira (9), Fachin já havia suspendido determinações de Mendonça relacionadas ao comando da Polícia Federal e mantido Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral da corporação. Também retirou Moraes da relatoria do inquérito que investigava ameaças e ações contra o próprio ministro.
No caso Master, a mudança acontece depois de Fachin determinar a ampliação do acesso aos procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero. A PGR havia apontado que a divulgação feita anteriormente por Mendonça não abrangia grande parte dos procedimentos relacionados à operação.
O episódio ganhou destaque no editorial publicado pelo Vermelho neste domingo, que apontou a diferença entre a abertura determinada por Fachin e a condução anterior do caso por Mendonça.
Agora, a mudança não é apenas sobre o que pode ou não ser visto nos autos. É sobre quem terá a responsabilidade de conduzir as investigações.
Dois processos aguardam novo comando
No Banco Master e no INSS, Fachin não assumirá diretamente as investigações. Os processos serão encaminhados à Presidência do STF para que sejam designados novos relatores.
A decisão retira de Mendonça a condução de duas apurações relevantes e ocorre enquanto o próprio ministro se prepara para ter sua atuação examinada pelo plenário.
Na terça-feira, Fachin apresenta aos ministros o procedimento sobre Moraes e Vorcaro. No dia 23, será analisada a atuação de Mendonça.