Ungido por Bolsonaro senador mostra quem manda no PL e vai cobrar fidelidade dos correligionários ao projeto do bolsonarismo

 

Marcus Vinícius de Faria Felipe

 

A visita do senador Wilder Moraeis (PL) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) produziu abalos sísmicos na extrema-direita e na direita em Goiás. Abençoado pelo inquilino da Papudinha para ser o candidato a governador, Wilder dá as cartas no PL e enquadrou Gayer, que se colocava acima do PL e do bolsonarismo.

A “capadura” de Gayer foi cirúrgica. Não se tratou de uma emasculação, mas de uma poda nos rompantes do deputado que se achava maior do que a legenda e que o bolsonarismo. Wilder jogou no colo de Gayer que o MDB “é de esquerda” e sempre apoiou Lula nas eleições presidenciais e disse nas entrelinhas que,  ao trabalhar pela eleição de Daniel Vilela (MDB) ao governo de Goiás, Gayer estava traindo a (extrema) direita, Bolsonaro e a candidatura de Flávio Bolsonaro.

É verdade que MDB e PT já fizeram inúmeras alianças, desde o apoio do PT à reeleição do prefeito Iris Rezende (2008), a retribuição de Iris na reeleição de Paulo Garcia (PT) em 2012, passando pelo apoio de Iris à reeleição de Dilma Roussef (PT) em 2014. Mas daí chamar o MDB de partido de esquerda é um exagero. O MDB é, desde sempre um partido de centro, herdeiro do desenvolvimentismo do eterno presidente Juscelino Kubstechk.

Mas o fato é que Wilder venceu o debate interno. Gayer está “sinucado”. Se peitar Wilder, afronta Bolsonaro e corre o risco ser carimbado como “traíra” e perder os votos dos eleitores do “mito”. Sua única saída é baixar a bola e pedir bênção para Wilder, esquecer o “namoro” com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e bater continência para candidatura de  Flávio Bolsonaro.

Na Praça Cívica a negativa do PL em integrar da base governista cria problemas para composição da chapa situacionista pois era dado como favas contadas a dobradinha no Senado entre a primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil) e o deputado Gustavo Gayer (PL). Agora o que não faltam são candidatos para ocupar a vaga, entre eles o senador Vanderlan Cardoso (PSD), o deputado federal Zacharias Callil (Uniã0) e o ex-prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha (PSD).

Não bastasse isso, há rumores de que o governador Ronaldo Caiado estaria cogitando voltar para o União Brasil, por considerar que o espaço no PSD para uma candidatura presidencial está por demais congestionado.

Durma-se com um barulho desses.