A médica cardiologista Ludhmila Hajjar afirmou, em entrevista ao jornalista Roberto D’Ávila, na Globo News que o Brasil sofreu um “desmonte” nas políticas públicas de saúde entre 2018 e 2022.

Ela destacou a perda de investimentos na atenção primária e o fim de programas estratégicos, como os de combate à AIDS, a Farmácia Popular e o Programa Nacional de Imunização.

 

Em 2021, Hajjar, que é nascida em Anápolis e foi convidada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) para assumir o ministério da Saúde no lugar do general Pazuello. Considera uma das melhores médicas de cardiologista e intensivista  do país, Hajjar se reuniu com o presidente no Palácio do Planalto, mas acabou recusando o convite oficialmente devido ao negacionismo daquele governo em relação à vacina contra covid e as políticas de isolamento da população.

Hajjar defendia rigidamente o isolamento social, o uso de máscaras e a aceleração da compra de vacinas, batendo de frente com a linha adotada pelo governo federal. A médica goiana se posicionou totalmente contra o protocolo de tratamento precoce proposto por Bolsonaro com cloroquina e medicamentos sem eficácia comprovada.

Ameaças de morte

Logo após seu nome ser cogitado, a médica e seus familiares passaram a sofrer graves ameaças de grupos extremistas, incluindo tentativas de invasão ao hotel onde ela estava hospedada em Brasília.  Após o episódio, Marcelo Queiroga foi o escolhido para assumir o ministério. Ludhmila Hajjar seguiu sua trajetória acadêmica e profissional, tornando-se a primeira mulher a ocupar a cadeira de Professora Titular da Disciplina de Emergências Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, além de coordenar UTIs de redes privadas de grande porte.