Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) desenvolveram um protótipo que ataca exatamente essas três fraquezas — e o ingrediente principal vem de algo que qualquer pessoa tem na cozinha: o sal de mesa. A bateria de íons de sódio criada na UFPR reúne, pela primeira vez na literatura científica, três características simultâneas: flexibilidade, transparência,  operação em meio aquoso, eliminando o risco de explosões.

A flexibilidade permite que o dispositivo seja aplicado em superfícies curvas e integrado a estruturas que as baterias rígidas convencionais não alcançam — como tecidos, embalagens e estruturas arquitetônicas. A transparência abre caminho para integração com vidros e painéis solares. E o funcionamento em ambiente aquoso elimina o uso de eletrólitos orgânicos inflamáveis — exatamente o componente responsável pelos incêndios em baterias de lítio.

A tecnologia de construção usou nanoarquitetura para depositar filmes ultrafinos em diferentes superfícies, mantendo tanto o desempenho eletroquímico quanto as propriedades mecânicas. O sódio, obtido a partir do cloreto de sódio — o sal de cozinha —, é abundante, barato e distribuído globalmente, sem os riscos de concentração geopolítica do lítio.

O grupo da UFPR também trabalha na integração entre geração e armazenamento de energia em um único sistema, conectando células fotovoltaicas diretamente à bateria. Se a tecnologia avançar para escala comercial, pode mudar profundamente a cadeia produtiva de eletrônicos, veículos elétricos e energias renováveis. O futuro das baterias pode estar numa pitada de sal. Literalmente.