O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que que o total de candidatos pretos e pardos (49,82%) superou o de brancos (48,73%) nestas eleições. Indígenas, 0,9%, e amarelos são 0,5%.
Esta é a segunda vez na história dos pleitos nacionais que isso acontece — a primeira foi em 2022, quando a representação negra atingiu 50,27%, contra 48,18% de candidaturas brancas.
Segundo o Censo de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 55,5% dos brasileiros se declararam pretos ou pardos — diferença de 5,6 pontos percentuais em relação às candidaturas deste ano.
Em Goiás, 18 candidatas femininas do Partido dos Trabalhadores 11 se autodeclaram como não-brancas, cerca de 61% do total.
Segundo o partido, entre elas estão dez mulheres pretas e pardas, além de uma indígena. Patrícia Rosa aparece como a única candidata indígena do partido no estado e busca uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego).
O crescimento registrado nos últimos anos foi impulsionado, principalmente, por pessoas pretas. Desde 2014, pessoas pardas ocupam cerca de 35% a 36% dos registros de candidatos aos pleitos nacionais. Do outro lado, pessoas negras eram representadas por 9,25% das candidaturas em 2014 e chegaram a 14,12% em 2022. Em 2026, são 13,64%. Indígenas equivalem a 0,93% e amarelos, a 0,52%.
Partidos que mais “trocam de cor”
O Partido da Causa Operária (PCO) lidera o ranking de mudanças raciais entre as legendas. No partido, 23% dos 74 candidatos negros já se declararam brancos em eleições anteriores. O Partido Social Democrático (PSD) aparece em segundo lugar, com 21,4% de alterações, seguido pelo PP, com 20,4%.
O levantamento revela ainda que 17,9% dos candidatos negros do PL, 17,7% do PSDB e 17,4% do União Brasil já mudaram de autodeclaração. Na outra ponta, o PSOL tem 7% de alterações, enquanto Missão e UP registraram apenas 1% cada.
O PCdoB está acima da média nacional: 59,6% de seus candidatos são negros. O percentual supera em quase dez pontos o registrado no conjunto das candidaturas e também fica acima da proporção de pretos e pardos na população brasileira.
Já no PT foram aprovadas 333 candidaturas negras para acessar recursos do Fundo Eleitoral. O partido assume o compromisso de proteger direitos da população negra no acesso ao Fundo Eleitoral para candidaturas negras”, destaca Tiago Soares, secretário nacional de Combate ao Racismo.

Negros na presidência
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as eleições de 2026 contarão com o maior número de eleitores negros já registrado no Brasil, com quase 20,5 milhões de votantes que se autodeclaram pretos ou pardos. O número representa quase 13% do total do eleitorado com situação eleitoral regular (158,7 milhões).

Até o momento, há apenas uma candidata negra à Presidência da República. No dia 26 de julho, o partido União Popular (UP) oficializou a candidatura da ativista Samara Martins. Além dela, também se declaram negros os pré-candidatos Hertz da Conceição Dias (PSTU) e o ex-deputado federal Cabo Daciolo (Mobiliza), que teve a candidatura indeferida.
