Medida unilateral atinge cerca de 4 mil itens da indústria e pode custar R$ 14,9 bilhões ao país
Os Estados Unidos confirmaram, na noite desta quarta-feira (15), a aplicação de um tarifaço de 25% sobre as importações de produtos brasileiros. A medida foi tomada pelo governo local após uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA, que acusa o Brasil de “práticas desleais” para justificar a punição aos produtores nacionais.
Embora o Palácio do Planalto tenha insistido em uma mesa de negociações com os órgãos estadunidenses ao longo do último ano, o desfecho hostil já era previsto pela diplomacia brasileira. O governo brasileiro deve aguardar o anúncio oficial e a relação dos produtos taxados para se posicionar.
O tamanho do golpe
O impacto da medida deve ser mais sentido pela indústria brasileira, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a entidade, o tarifaço pode alcançar cerca de 4 mil produtos produzidos no Brasil, ameaçando diretamente um montante de US$ 14,9 bilhões (cerca de R$ 80 bilhões) em exportações para o mercado estadunidense.
Desde o ano passado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trata das tarifas como um assunto político, e não econômico. O petista reuniu-se na manhã desta quarta-feira com o corpo diplomático e assessores de assuntos internacionais para traçar a contraofensiva brasileira diante do ataque comercial.
A justificativa da gestão Trump de que as taxas servem para “equilibrar a balança bilateral” não se sustenta diante da realidade dos dados. Historicamente, a relação comercial entre os dois países é amplamente favorável aos Estados Unidos, que acumulam superávits seguidos às custas do mercado brasileiro.