Levantamento diário do Instituto Atlas indica crescimento de Lula no 2º turno após revelação das relações entre Flávio Bolsonaro e o o banqueiro Daniel Vorcaro.
A série de revelações divulgadas pelo The Intercept Brasil sobre a relação entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro já começa a produzir efeitos no cenário eleitoral de 2026. Tracking realizado pelo Instituto Atlas, e obtido pela CNN Brasil, mostra que o presidente Lula abriu sete pontos de vantagem sobre Flávio em uma simulação de segundo turno, revertendo um quadro anterior de empate técnico.
Tracking: primeira medição de intenção de voto depois dos áudios Flávio
Segundo os dados atualizados até a manhã desta sexta-feira, e obtidos pela CNN Brasil, Lula aparece com 49,1% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 42,6%. Nos votos válidos, o cenário projetado seria de 54% para o atual presidente contra 46% para o senador do PL.
De acordo com pesquisadores ligados ao levantamento, a principal mudança ocorreu entre eleitores moderados, indecisos e setores do centro político, que teriam reagido negativamente às denúncias envolvendo o entorno bolsonarista e o dono do Banco Master.
A pesquisa foi realizada após a publicação da série “VAZA FLÁVIO”, do The Intercept Brasil, que trouxe mensagens, documentos e áudios relacionados às negociações entre integrantes da família Bolsonaro e Vorcaro, investigado por participação em um esquema que pode representar a maior fraude financeira da história do país.

Áudios, mansão em Brasília e financiamento milionário de Vorcaro
A primeira reportagem da série revelou que Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com Daniel Vorcaro um aporte de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — para financiar “Dark Horse”, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.
Documentos obtidos pelo site indicam que pelo menos US$ 10,6 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 61 milhões, já haviam sido transferidos para a produção cinematográfica entre fevereiro e maio de 2025.
O material divulgado inclui um áudio enviado por Flávio ao banqueiro cobrando pagamentos atrasados e alertando para o risco de colapso da produção caso os recursos não fossem liberados. Na gravação, o senador afirma que a equipe do filme poderia perder contratos, atores e diretores internacionais.
“Agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar”, afirma Flávio em trecho da mensagem divulgada pelo Intercept.
Já a segunda reportagem revelou a articulação de um encontro reservado entre Jair Bolsonaro e Vorcaro na mansão do banqueiro, em Brasília, em março de 2025. Conversas privadas mostram que o deputado federal Mario Frias e o empresário Thiago Miranda participaram da organização da reunião.
Segundo os registros, o encontro teria ocorrido um dia após o Supremo Tribunal Federal tornar Jair Bolsonaro réu por tentativa de golpe de Estado. A conversa indicava que a reunião poderia “fazer muita diferença pro PR”, sigla usada por bolsonaristas para se referir ao ex-presidente.

Impacto político
A leitura inicial dos pesquisadores do Atlas é que as denúncias afetaram especialmente a tentativa do bolsonarismo de ampliar apoio fora de sua base ideológica mais fiel. O desgaste teria atingido principalmente o eleitorado moderado que vinha considerando Flávio Bolsonaro como alternativa eleitoral da direita após a condenação e inelegibilidade de Jair Bolsonaro.
Segundo o tracking, outros nomes da direita não sofreram alterações relevantes no mesmo período. Ronaldo Caiado e Romeu Zema registraram apenas oscilações leves no primeiro turno e pequeno recuo nas projeções de segundo turno.
Nos bastidores políticos, aliados de Flávio avaliam que a série de reportagens pode dificultar a estratégia de apresentar o senador como herdeiro político viável do bolsonarismo para 2026. Isso porque as revelações reforçam associações entre o núcleo da família Bolsonaro e um banqueiro investigado por crimes financeiros, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa.

Investigações contra Vorcaro
Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. As investigações apontam suspeitas de crimes contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e obstrução de Justiça.
Segundo decisões judiciais já divulgadas, o esquema ligado ao Banco Master pode ter provocado prejuízo superior a R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito.
A investigação também identificou uma estrutura clandestina de monitoramento e intimidação contra jornalistas, concorrentes e ex-funcionários. Mensagens atribuídas ao banqueiro indicam inclusive planos de agressão contra profissionais da imprensa críticos ao grupo.
Apesar da gravidade das acusações, as reportagens do Intercept mostram interlocução frequente entre Vorcaro e integrantes centrais do bolsonarismo ao longo de 2025, inclusive em momentos de agravamento da crise judicial enfrentada pelo banqueiro e por Jair Bolsonaro.

BolsoMaster: vazamento de áudios explode nas redes e amplia desgaste de Flávio Bolsonaro
A repercussão dos áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro transformou o caso Banco Master em um dos principais assuntos políticos do país nas redes sociais e na imprensa, segundo relatório do Instituto Democracia em Xeque.
A repercussão dos áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro transformou o caso Banco Master em um dos principais assuntos políticos do país nas redes sociais e na imprensa, segundo relatório do Instituto Democracia em Xeque
Áudios de Flávio Bolsonaro levam caso Banco Master ao centro da crise política digital
O levantamento mostra que o eixo “Master e Flávio Bolsonaro” atingiu 360 mil menções no dia 13 de maio e outras 123 mil em 14 de maio, acumulando 8,6 milhões de interações nas plataformas digitais. O volume superou outros temas relacionados ao Banco Master, incluindo discussões envolvendo o STF e o senador Ciro Nogueira.
De acordo com o relatório, o vazamento publicado pelo The Intercept Brasil funcionou como principal gatilho para a nacionalização do caso. A publicação dos áudios impulsionou o debate político e levou a discussão para além dos círculos tradicionais da direita bolsonarista.
A análise do Instituto DX aponta que perfis ligados à esquerda dominaram a circulação do tema nas redes. Entre 13 e 14 de maio, foram identificados 4.829 posts mencionando Vorcaro e Flávio Bolsonaro. O campo da esquerda respondeu por 1.469 publicações, enquanto a direita concentrou 1.133 e a imprensa 676.

Quem dominou o debate nas redes
Quando observadas as interações, a diferença cresce ainda mais. Perfis de esquerda acumularam 4 milhões de interações, contra 3,5 milhões da imprensa e 2,6 milhões da direita. Segundo o relatório, isso demonstra que o caso ganhou forte adesão de perfis que utilizaram o conteúdo dos áudios, das mensagens e dos valores associados ao financiamento do filme “Dark Horse” como ferramenta de desgaste político contra Flávio Bolsonaro.

Áudios de Flávio Bolsonaro explodem nas redes
Caso Banco Master vira principal crise política digital de maio
O estudo também mostra que a imprensa teve papel central na ampliação do tema. O The Intercept Brasil liderou o ranking de interações com mais de 1 milhão de engajamentos. Em seguida aparecem veículos e figuras públicas como G1, UOL Notícias, GloboNews, Luiz Bacci, Lindbergh Farias e Guilherme Boulos.

Repercussão dos áudios de Flávio Bolsonaro dominou debate político digital
O relatório identifica que a principal frente de repercussão esteve concentrada no chamado cluster “Repercussão do áudio de Flávio para Vorcaro”. Esse eixo reuniu 36,8% de todo o conteúdo analisado e foi majoritariamente impulsionado por perfis de esquerda.
Entre os principais elementos destacados estavam os valores mencionados no financiamento do filme “Dark Horse”, as mudanças nas versões apresentadas por Flávio Bolsonaro sobre sua relação com Daniel Vorcaro e o uso do termo “BolsoMaster” para sintetizar a associação entre o clã Bolsonaro e o banqueiro.
A repercussão também atingiu diretamente a pré-campanha presidencial do senador. O boletim aponta que setores da imprensa passaram a levantar dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro após a divulgação dos áudios.
Nos bastidores políticos, começaram a circular especulações sobre uma eventual substituição do senador por Michelle Bolsonaro como cabeça de chapa da extrema direita, hipótese negada publicamente pelo parlamentar.
Outro aspecto relevante foi a exploração das contradições nas declarações do senador. O relatório destaca que veículos da imprensa apontaram inconsistências entre falas anteriores de Flávio Bolsonaro, que negava relação com Vorcaro, e o conteúdo dos áudios posteriormente confirmados pelo próprio senador.
Além da repercussão política, o episódio provocou tensões dentro da própria direita. O governador Romeu Zema criticou o caso publicamente, o que desencadeou ataques de setores bolsonaristas. Segundo o levantamento, aliados de Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro passaram a acusar Zema de tentar ocupar o espaço político de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
O documento também mostra que nomes tradicionalmente ligados à direita passaram a demonstrar desconforto com o caso. O comentarista Rodrigo Constantino declarou que o “estrago já está feito”, enquanto Kim Kataguiri afirmou que Flávio Bolsonaro “perdeu toda a moral para representar a direita”.
Esquerda ampliou pressão sobre Flávio Bolsonaro nas redes
Segundo a análise do Instituto DX, perfis ligados à esquerda conseguiram diversificar os discursos sobre o caso, relacionando os áudios a episódios anteriores envolvendo Flávio Bolsonaro. Publicações retomaram temas como rachadinhas, o caso Fabrício Queiroz, aquisição de imóveis, patrimônio da família Bolsonaro e suspeitas de favorecimento político.
Interações nas redes sociais
O relatório também aponta que canais alinhados ao governo federal passaram a apresentar o caso como símbolo de corrupção ligada ao bolsonarismo, ao mesmo tempo em que relacionavam a repercussão ao crescimento da aprovação do governo Lula e aos resultados recentes da pesquisa Quaest.
Outro aspecto de forte circulação foi a produção de memes e conteúdos humorísticos. O estudo afirma que influenciadores e perfis progressistas utilizaram montagens, referências cinematográficas e críticas envolvendo a Lei Rouanet para ampliar o desgaste político do senador.
Discursos que dominaram o caso
A direita, por sua vez, concentrou seus esforços em defender que o filme “Dark Horse” teria sido financiado exclusivamente com recursos privados, sem utilização de dinheiro público. Parlamentares bolsonaristas argumentaram que empresários podem financiar produções audiovisuais legalmente e tentaram enquadrar o episódio como perseguição política.
Estratégia de defesa da direita teve menor alcance
Mesmo assim, o relatório conclui que a estratégia defensiva teve alcance menor diante da amplitude das críticas. O levantamento indica que a esquerda conseguiu expandir o episódio para dimensões políticas, judiciais e eleitorais, enquanto a reação bolsonarista permaneceu concentrada em poucos argumentos centrais.
Perfis com mais engajamento
Outro dado relevante envolve os partidos políticos. O PT liderou as interações com 591 mil engajamentos, seguido pelo PSOL, com 561 mil. O PL apareceu em terceiro lugar, com 419 mil interações.
Partidos com mais interações
Para os pesquisadores do Instituto Democracia em Xeque, a repercussão dos áudios mostrou como crises digitais podem rapidamente atravessar o debate político, atingir a imprensa tradicional e provocar impactos na disputa eleitoral. O caso “BolsoMaster”, segundo o relatório, tornou-se referência da combinação entre escândalo político, viralização digital e disputa narrativa nas redes sociais brasileiras.
Esquerda venceu o debate sobre o caso Master, mostra relatório
Perfis de esquerda lideraram a repercussão do caso tanto em volume de publicações quanto em interações. A imprensa teve menor participação em quantidade de posts, mas alcançou a maior média de engajamento. O termo “Bolsomaster” foi usado para consolidar o desgaste da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. PT e PSOL concentraram os maiores resultados entre partidos, indicando que a esquerda conseguiu transformar o conteúdo revelado em argumento de desgaste contra Flávio Bolsonaro, enquanto o PL atuou na defesa do financiamento privado.
Sobre o relatório BolsoMaster do Instituto Democracia em Xeque
Para a realização da pesquisa, foi utilizado o Talkwalker e o Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, com dados coletados e armazenados utilizando APIs públicas das plataformas Facebook, Instagram, YouTube, X/Twitter e TikTok.

TvtNews