Governador de São Paulo queima pontes com eleitores democratas
Marcus Vinícius de Faria Felipe
Neste 7 de setembro de 2025 o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), rasgou a fantasia de democrata na Avenida Paulista e vestiu, sem nenhuma vergonha, o manto de extremista daquele que o ajudou a chegar ao Palácio dos Bandeirantes em 2022.
“Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes. Ninguém aguenta mais o que está acontecendo nesse país. Eu faço um apelo: Devolvam o passaporte do Silas Malafaia. Devolvam o caderno de sermões do pastor Silas Malafaia. Não é justo tomar o caderno de sermões do sacerdote”, disse Tarcísio ao discursar no ato pela anistia de Jair Bolsonaro, que é réu e pode ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado.
Tarcísio repetiu, no último domingo, o mesmo tom agressivo de Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal, quando o ex-presidente ameaçou o ministro Alexandre de Morais no 7 de setembro de 2021:
“Dizer a vocês, que qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou, ele tem tempo ainda de pedir o seu boné e ir cuidar da sua vida. Ele, para nós, não existe mais,” bufou o “mito” para os seus apoiadores.
O Procurador Geral da República, Paulo Gonet, expôs na sua peça de acusação a Bolsonaro que o preparativo para o golpe de Estado estava desenhado naquele 7/9/2021. Naquele discurso, segundo Gonet, estava explícita a intenção de romper com o Estado Democrático de Direito:
“Ou esse ministro [Alexandre de Moraes] se enquadra ou ele pede para sair. Não se pode admitir que uma pessoa apenas, um homem apenas turve a nossa liberdade. Dizer a esse ministro que ele tem tempo ainda para se redimir, tem tempo ainda de arquivar seus inquéritos. Sai, Alexandre de Moraes. Deixa de ser canalha. Deixa de oprimir o povo brasileiro, deixe de censurar o seu povo. Mais do que isso, nós devemos, sim, porque eu falo em nome de vocês, determinar que todos os presos políticos sejam postos em liberdade”, esbravejou Bolsonaro.
Tarcísio de Freitas, que havia dito no dia 30 de agosto que “não confia” na Justiça brasileira, repete ipsis literis, o figurino do seu mentor:
“Não acredito em elementos para ele (Bolsonaro) ser condenado, mas infelizmente hoje eu não posso falar que confio na Justiça, por tudo que a gente tem visto”, enfatizou o governador.
O governador de São Paulo faz de tudo para agregar o voto de ultradireita, e neste vale tudo, sinaliza até para Donald Trump, colocando um bandeirão dos Estados Unidos na Paulista.
No afã de ter para si o voto extremista, Tarcísio está jogando fora votos de eleitores democratas de direita e centro. O governador paulista espanta de seu arco de alianças os eleitores que não querem nada com fanáticos religiosos, trumpistas e os que oram para pneu.