Ao invés de bajular os Bolsonaro, os governantes de São Paulo, Goiás, Paraná e Minas Gerais deveriam defender seus estados e o Brasil

Marcus Vinícius de Faria Felipe

O Editorial de hoje do Jornal Estado de S. Paulo é um tapa na cara do bolsonarismo, e, principalmente, dos governadores de oposição que querem pegar carona neste segmento de extrema direita.

 

 

O centenário jornal da família Mesquita, que se orgulha do seu perfil conservador, cobrou que o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos), jogue às piranhas o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-SP).

 

O Estadão vai direto ao ponto:

“O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, cobrou do presidente Lula da Silva que telefone para o presidente dos EUA, Donald Trump, com o objetivo de negociar o tarifaço imposto pelos americanos ao Brasil – e que afeta particularmente o agronegócio paulista. “É isso que vai fazer a diferença”, disse Tarcísio. Este jornal defendeu e continua a defender exatamente isso, que o presidente Lula tente telefonar para Trump, mas, se o governador Tarcísio está de fato interessado em ajudar o Brasil e os paulistas, ele mesmo podia passar a mão no telefone e ligar para os EUA – para falar não com Trump, e sim com o deputado “exilado” Eduardo Bolsonaro”.

 

O mesmo conselho do jornalão paulista ao governador Tarcísio serve também aos demais governadores de oposição, que almejam candidatura ao Palácio do Planalto no ano que vem. O governador de Goiás Ronaldo Caiado (União), assim como o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) e o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), também deveriam “passar a mão ao telefone” e ligar para o ex-presidente Jair Bolsonaro, e pedirem que ele, como pai, dê ordem ao seu “filho 03” para que cesse a sabotagem o Brasil.

 

 

Caiado, que já aventou a possibilidade de ter Eduardo Bolsonaro como vice deveria ser o primeiro a tomar a iniciativa.

 

 

Eduardo, apelidado de “Bananinha” pelo senador e ex-vice-presidente Hamilton Mourão (PL-RS) não esconde a chantagem contra o Brasil, para livrar o pai da cadeia.

 

O Brasil será mergulhado no caos se não ceder ao presidente dos Estados Unidos”, disse em entrevista à CNN, após Donald Trump anunciar o tarifaço de 50% em tarifas e a exigência de que o STF pare o processo contra Bolsonaro.

Eu sei que (Donald Trump) tem uma série de possibilidades sobre a mesa, desde sancionar mais autoridades brasileiras, até uma nova onda de revogação de vistos, até questões tarifárias”, disse Eduardo em entrevista publicada pelo Financial Times.

 

Ao se associarem ao bolsonarismo, na esperança de angariar votos às suas pretensas candidaturas à presidência da República, os governadores mostram que estão na contramão da opinião pública, pois, segundo pesquisa do instituto Quaest, 72% dos brasileiros condenam a taxação de 50% imposta por Trump ao Brasil, medida que o bolsonarismo tenta relativizar em nome da “aliança ideológica” com o republicano.

 

 

Já está mais que claro para a população que o slogan “Deus, pátria e família” defendido pelos bolsonaro, não representa os interesses do Brasil. O Deus do clã Bolsonaro é Trump, a pátria são os Estados Unidos e a família não é a brasileira, mas a deles mesmo, que vive pendurada no dinheiro público, desde que Bolsonaro se elegeu deputado federal, e depois foi colocando os filhos na política, com Carlos Bolsonaro eleito vereador no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, senador no mesmo estado, Eduardo Bolsonaro, deputado por São Paulo, e o caçula, Jair Renan, vereador em Balneário Camboriu (SC).

 

Os governadores de oposição devem perder a ilusão. Os Bolsonaro não vão “ungir” nenhum deles. O plano A é Trump livrar Jair da cadeia, o B é lançar Michele ou Flávio à presidência em 2026.

 

 

Ao invés de bajular os Bolsonaro, os governantes de São Paulo, Goiás, Paraná e Minas Gerais deveriam defender seus estados e o Brasil do intervencionismo ianque. E eles também fariam melhor uso de seu tempo se concentrando em apresentar propostas para o país.