Reportagem do Intercept Brasil desta semana, com base em estudos do Instituto Fogo Cruzado revela que Goiás lidera o refino de cocaína no Brasil e integra rota controlada pelo PCC, contrapondo o discurso do ex-governador Ronaldo Caiado, do PSD, vende sua gestão como modelo de segurança pública.
O Instituto Fogo Cruzado, em parceria com organizações nacionais e internacionais, publicou o relatório ‘Floresta em Pó: Impactos da proibição da cadeia produtiva da coca e da cocaína na Bacia Amazônica e no Brasil’. O documento sustenta que a política global de proibição das drogas produziu uma profunda reorganização da cadeia da cocaína no país.
O estudo indica que o Brasil pode abrigar até 5 mil estruturas de processamento de cocaína, embora o levantamento tenha identificado 550 laboratórios mapeados ao longo de cinco anos, responsáveis pelo movimento de cerca de US$ 6 bilhões por ano apenas no território brasileiro.

Goiás tem papel estratégico no refino
O Intercept Brasil retoma o debate feito no o relatório que informa que “algumas pesquisas indicam que a chamada “Rota Caipira” (MT, MS, GO) tem visto a entrada de maior volume de pasta base, principalmente via Bolívia e Paraguai, para ser refinada já em território nacional. No entanto, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, dois estados estratégicos para a logística do tráfico de drogas no Brasil, não aparentam ter papel central no que tange à atividade de refino para o atacado. Entre os laboratórios com alta capacidade produtiva, apenas quatro localizavam- se no Mato Grosso e dois no Mato Grosso do Sul, no entanto, Em Goiás, foram identificados 44 laboratórios com larga capacidade produtiva, sendo 20 de refino e 24 de adulteração ou “engorda”, aponta o relatório.

Essa concentração está relacionada a duas dinâmicas distintas do mercado de cocaína. A pasta base que entra no Brasil pelo Mato Grosso e pelo Mato Grosso do Sul é, em parte, transportada para refino em Goiás e, posteriormente, segue em direção aos portos do Nordeste e do Sudeste. Já os laboratórios de adulteração ou “engorda” alimentam um grande mercado de crack e cloridrato de cocaína no varejo de Goiás e dos estados vizinhos, especialmente em Brasília (DF).
O relatório ‘Floresta em Pó’ identifica uma cadeia produtiva transnacional, com a Colômbia, Peru e Bolívia sendo os principais produtores da folha de coca. Após a fragmentação dos grandes cartéis colombianos e o aumento da repressão nas áreas tradicionais de cultivo, parte da industrialização da cocaína migrou para países vizinhos, especialmente para o Brasil. Esse fenômeno é descrito pelos pesquisadores como um “efeito-balão”, em que a repressão desloca, mas não elimina, a atividade criminosa.

Crítica
Tomando por base os números do relatório, a reportagem do Intercept Brasil o questiona o planmo de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral(TSE) pelo ex-governador Ronaldo Caiado, que ratifica a experiência de Goiás na área da segurança pública. Para o Intercept, “um estado que ocupa esse lugar na cadeia internacional do tráfico não é modelo de segurança pública. É um hub logístico do narcotráfico”.