O primeiro-ministro britânico Keir Starmer anunciou nesta segunda-feira (22) sua renúncia ao cargo de premiê e à liderança do Partido Trabalhista, encerrando um governo que durou pouco menos de dois anos e foi marcado pela rápida erosão de sua popularidade.

Em pronunciamento diante da residência oficial em Downing Street, Starmer afirmou que permanecerá como primeiro-ministro interino até que o Partido Trabalhista escolha um novo líder nas próximas semanas.

“A pergunta que meu partido está fazendo agora é se estou na melhor posição para nos liderar na próxima eleição geral. Ouvi a resposta da minha bancada parlamentar a essa pergunta e aceito essa resposta com serenidade”, declarou.

A renúncia ocorre após meses de pressão interna dentro do Labour. Embora tenha conquistado uma ampla maioria parlamentar nas eleições de 2024, Starmer viu sua autoridade enfraquecer diante da dificuldade do governo em responder à crise do custo de vida, ao baixo crescimento econômico e ao desgaste provocado por sucessivas mudanças de posição em temas centrais de sua agenda.

O Reino Unido enfrenta uma crise contínua em que o custo de vida e a dívida pública atingem níveis alarmantes. A dívida nacional supera £ 2,9 trilhões, equivalente a quase 94% do PIB, agravada pelos altos juros cobrados. Simultaneamente, a inflação acumulada e as altas taxas de juros (3,75%) sufocam o orçamento das famílias.

Apesar de a inflação geral ter estabilizado em torno de 2,8% ao ano, o acúmulo de anos de preços elevados nas contas de energia, alimentação e moradia continua pesando drasticamente no bolso dos britânicos.

O endividamento médio por residência britânica ultrapassa a marca de £ 67.000 (incluindo financiamentos imobiliários). O aumento dos juros tornou o pagamento de hipotecas e crédito rotativo mais oneroso.
O crescimento dos salários tem sido absorvido pelo aumento das despesas essenciais, deixando a população com um poder de compra estagnado.

Custo da guerra
O Reino Unido já comprometeu um total de até £21,8 bilhões (cerca de R$ 158 bilhões) em apoio à Ucrânia desde o início da invasão russa.

O investimento do governo britânico é dividido nas seguintes frentes: Apoio Militar, num total de £13 bilhões destinados a equipamentos, armas, treinamento militar e um empréstimo de £2,26 bilhões para armamento e empréstimos e garantias no valor de £5,3 bilhões em junto ao Banco Mundial, para financiar o governo ucraniano. Há também o financiamento de exportação no valor de £3,5 bilhões em limite de cobertura para projetos de defesa e reconstrução.

Esses números consolidam o Reino Unido como um dos maiores doadores bilaterais do mundo para a Ucrânia. Todos os dados de auxílio e as categorias detalhadas de financiamento podem ser consultados no Portal Oficial do Governo Britânico.

Corrupção na Ucrânia
Enquanto o Ociente (Reino Unido, EUA, França e parceiros) investem bilhões na guerra da Ucrânia, a administração do presidente Volodymyr Zelensky está atolada em escândalos de corrupção. Nos últimos quatro anos, uma investigação do New York Times descobriu que o governo ucraniano sabotou sistematicamente o qualquer tipo de controle externo.

Os líderes em Kiev chegaram a reescrever os estatutos das empresas para limitar a atuação externa, mantendo o governo no controle e permitindo que centenas de milhões de dólares fossem gastos sem que pessoas de fora se intrometessem.

As autoridades anticorrupção acusam membros de círculo íntimo de Zelensky de desviar e lavar US$ 100 milhões (R$ 545 milhões, na cotação atual) da empresa estatal de energia nuclear Energoatom.

O Times desvelou interferência política não apenas na Energoatom, mas também na empresa estatal de eletricidade Ukrenergo, bem como na Agência de Aquisições de Defesa da Ucrânia.

Zelensky foi eleito em 2019 com a promessa de eliminar a corrupção. Mas, após a invasão da Rússia em 2022, ele relaxou as regras anticorrupção sob o pretexto de acelerar a aquisição de armas e da proteção de segredos militares. O presidente também trabalhou com figuras políticas e empresariais que ele mesmo havia declarado como criminosas.

 

Crescimento da extrema-direita

Nestes 12 anos de guerra a Ucrânia se tornou um sumidouro de dinheiro dos contribuintes britânicos e de vários países da União Europeia (França e Alemanha incluídos). O resultado desta insanidade está sendo pago pelos contribuintes com aumento dos juros, do custo de vida e uma drástica redução da qualidade de vida, que pode ser cobrada nas urnas com a derrota dos trabalhistas britânicos pelas forças neofacista do Reform UK, liderado por Nigel Farage, que em 2019, fundou o Partido do Brexit, o hoje renomeado Reform UK. Nigel culpa emigrantes.

Farage é um defensor declarado do presidente dos EUA, Donald Trump, abertamente contra a União Europeia.Negacionista climático ele defende retomada da produção nas minas de carvão, ele também propõe redução dos impostos de ganhos de capital, principalmente em relação às Bitcoins.

 

Com Agências e O Globo