O presidente Lula (PT) aparece hoje com desempenho eleitoral superior ao registrado no segundo turno das eleições de 2022 em oito dos dez estados pesquisados pela Quaest para a Genial Investimentos. A conclusão é do cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest e professor da FGV.

Conforme artigo publicado por Nunes no jornal O Globo, parte das análises sobre a pesquisa utilizou uma comparação metodologicamente incorreta entre intenção de voto e votos válidos.

Segundo Nunes, o equívoco está em comparar a intenção de voto — calculada sobre o total de eleitores aptos a votar — com os votos válidos da eleição passada, que excluem abstenções, votos brancos e nulos. Para avaliar corretamente se um candidato cresceu ou caiu, afirma o pesquisador, é preciso usar a mesma base de comparação nos dois momentos.

O cientista político Antonio Lavareda já havia chamado atenção para esse ponto durante as eleições de 2022. Segundo ele, “uma estimativa produzida sobre o conjunto dos eleitores aptos deve ser comparada com um resultado calculado sobre esse mesmo conjunto. Fazer o contrário equivaleria a avaliar a taxa de desemprego considerando apenas quem está empregado.”

Crescimento em oito estados

Após o ajuste metodológico, Lula aparece acima do desempenho obtido em 2022 em oito dos dez estados pesquisados. O avanço mais expressivo ocorre em Pernambuco, onde o presidente registra 6,1 pontos percentuais acima do resultado alcançado sobre o total de eleitores aptos na última eleição. Em 2022, Lula havia recebido cerca de 52% dos votos do eleitorado total do estado; agora, sua intenção de voto chega a aproximadamente 58%.

No Ceará, estado onde Lula já havia alcançado seu melhor desempenho eleitoral em 2022, a pesquisa mostra crescimento de 4,2 pontos percentuais em relação ao patamar anterior.

Mesmo em estados tradicionalmente mais favoráveis à oposição, a comparação também é positiva para o presidente. Em Goiás, Lula aparece 3,3 pontos acima do desempenho registrado em 2022. Em São Paulo, o crescimento é de 1,8 ponto percentual.

Em Minas Gerais, considerado um dos principais estados-pêndulo das eleições nacionais, o levantamento que Lula repete exatamente o percentual obtido sobre o total de eleitores aptos em 2022, com 38%.

O Paraná é a única exceção entre os dez estados analisados. Lá, Lula registra hoje 28% das intenções de voto, abaixo dos 29,6% obtidos sobre o eleitorado apto no segundo turno da eleição passada.

Cerca de 2,2 milhões de votos a mais

Aplicando os percentuais atuais ao eleitorado de 2022, Lula alcançaria aproximadamente 47,1 milhões de votos nos dez estados pesquisados, frente aos 44,9 milhões recebidos no segundo turno — um ganho estimado de cerca de 2,2 milhões de votos.

Como esses estados concentram aproximadamente 75% do eleitorado brasileiro, Felipe Nunes considera o resultado um indicador importante da atual disputa. Ele ressalta, porém, que o exercício não representa uma projeção do resultado eleitoral, mas apenas uma comparação entre dados calculados sobre a mesma base.

Um outro ponto que, segundo Nunes merece atenção, é que quando os entrevistados são questionados se Lula merece mais quatro anos de mandato, a maioria dos eleitores fora da região Nordeste responde negativamente. Apenas nos estados nordestinos pesquisados o presidente obtém maioria favorável à continuidade do mandato.

Para o CEO, esse cenário pode indicar uma propensão maior à abstenção entre parte do eleitorado do presidente, reduzindo a conversão da intenção de voto em votos efetivos no dia da eleição.

No entanto, ao concluir a análise, o pesquisador destaca que o principal aprendizado vai além da disputa eleitoral. “O denominador não é um detalhe técnico. Ele define a pergunta que o número é capaz de responder.” Para ele, qualquer comparação sobre crescimento ou queda de um candidato só é válida quando utiliza a mesma base estatística nos dois momentos analisados.

 

com agências