mais recente rodada da pesquisa Quaest (BR-07065/2026), divulgada nesta quarta-feira (02/09), revela um cenário de acirramento no qual a polarização política é impactada pela ascensão de uma nova força eleitoral.

Segundo a pesquisa, que ouviu 2.004 eleitores entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro, Lula tem 37% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno. Flávio Bolsonaro marca 30%, seguido de Cury, que agora tem 10%.

Quaest: Primeiro turno

 

1º turno sem Pablo Marçal:

Lula (PT): 37%
Flávio Bolsonaro (PL): 29%
Escritor Augusto Cury (Avante): 10%
Renan Santos (Missão): 3%
Ronaldo Caiado (PSD): 1%
Romeu Zema (Novo): 1%
Samara Martins (UP): 1%
Rui Costa Pimenta (PCO): 0%
Hertz Dias (PSTU): 0%
Edmilson Costa (PCB): 0%
Veterinário Wilson Grassi (Democrata): 0%
Clariana Barão (DC): 0%
Nenhum/branco/nulo: 7%
Não sabe/não respondeu: 11%
Com Pablo Marçal, os números são:

2º turno sem Marçal:

Lula (PT): 37%
Flávio Bolsonaro (PL): 30%
Escritor Augusto Cury (Avante): 10%
Renan Santos (Missão): 3%
Ronaldo Caiado (PSD): 1%
Pablo Marçal (PRTB): 1%
Romeu Zema (Novo): 1%
Samara Martins (UP): 0%
Rui Costa Pimenta (PCO): 0%
Hertz Dias (PSTU): 0%
Edmilson Costa (PCB): 0%
Veterinário Wilson Grassi (Democrata): 0%
Clariana Barão (DC): 0%
Indecisos: 10%
Branco/nulo/não vão votar: 7%.

Segundo turno

Lula segue vencendo todos os cenários de segundo turno. Contra Flávio Bolsonaro, o placar é de 42% contra 41%, em situação de empate técnico, com o presidente à frente. Contra Caiado, Lula vence a disputa por 42% a 37%. Contra Zema, o placar é de 44% a 33%. E contra Renan Santos, a vitória é de 43% a 36%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

 

Quaest, 2º turno

Eleitor indeciso e pendular é estratégico

De acordo com os cientistas políticos do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais (Labop) da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), o avanço de Augusto Cury (10%) e o estreitamento da distância entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro confirmam o direcionamento do foco do pleito para o eleitor não alinhado e para a migração de votos, que podem decidir o resultado da eleição à Presidência da República.

Quaest: fidelidade do voto

De acordo com Beto Vasques, analista político e coordenador do Labop, a situação de empate técnico entre Lula e Flávio está se transformando em um empate numérico real no segundo turno, o que torna o processo eleitoral ainda mais instável.

Para Vasques, o foco estratégico da disputa agora se divide em três dimensões: o comportamento do eleitor indeciso e pendular; o peso do eleitor abstencionista ou que opta pelo voto em branco e nulo; e a dinâmica de migração dos votos de candidatos como Cury, Caiado, Renan e Zema do primeiro para o segundo turno.

Quaest: Voto por região

Cenário é desafiador para o governo

O cientista político e professor Hilton Fernandes destaca que, enquanto Lula (37%) e Flávio (30%) demonstram estabilidade em seus patamares de primeiro turno, *Cury parece crescer principalmente entre eleitores de Renan, Caiado e Zema, que registram oscilações negativas. O dado *chama a atenção por ocorrer justamente em um período de maior exposição e crescimento do conhecimento público sobre esses nomes, contrariando o que se espera tradicionalmente nesta fase das campanhas.

pesquisa-quaest-setembro

Reprodução: Pesquisa Quaest – 2 de setembro

Fernandes alerta que o desenho atual das pesquisas impõe barreiras complexas ao atual governo. Para Lula, o cenário apresentado pela Quaest é desafiador, pois mostra uma “movimentação dos eleitores em torno de candidaturas de oposição, o que torna o segundo turno mais difícil para o presidente”, avalia.

 

 

Ascensão de Cury sinaliza voto de desconforto

Para o cientista político Jairo Pimentel, a Quaest de hoje sugere que Flávio Bolsonaro tem demonstrado “crescente eficiência” em canalizar o sentimento antipetista diretamente em intenções de voto.

*No que diz respeito a Augusto Cury, o crescimento de sua candidatura nas intenções de voto não sinaliza necessariamente uma guinada do eleitorado ao centro ideológico, mas sim a *expressão de um “voto de desconforto com as duas candidaturas dominantes”, composto por cidadãos que buscam romper a escolha binária. “O ponto decisivo, portanto, deixa de ser quem lidera agora e passa a ser quem terá maior capacidade de incorporar, na reta final, esse contingente ainda não plenamente alinhado aos dois polos”.

Com TVTNews e redes sociais