A exemplo das eleições em Goiânia, partido é o fiel da balança no segundo turno em Goiás
Marcus Vinícius de Faria Felipe
O Partido dos Trabalhadores pode ser decisivo nas eleições para o governo de Goiás. A exemplo das eleições para prefeitura de Goiânia, quando os votos petistas e progressistas definiram o resultado em favor de Sandro Mabel (União Brasil), este eleitorado deve ser decisivo na disputa pelo Palácio das Esmeraldas.
Todas as pesquisas publicadas recentemente mostram que a disputa pela sucessão de Ronaldo Caiado (PSD) caminha para o segundo turno.
O último levantamento, feito pelo instituto Real Time Big Data trouxe o governador Daniel Vilela (MDB) com 38%, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), com 22%, o senador Wilder Moraeis (PL) e a deputada federal Adriana Accorsi (PL) empatados tecnicamente, com 14% e 13%, respectivamente e o empresário Telêmaco Brandão (NOVO), com 1%.
O levantamento, registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo GO-01063/2026, entrevistou 1.600 eleitores no estado de Goiás, entre os dias 11 e 22 de maio.
Considerando que o número de indecisos (9%) e nulos (9%), totaliza quase 20% dos eleitores, há espaço para mudanças até o início da campanha eleitoral, que começa em agosto, e esquenta para valer em setembro.

Adriana em evidência
É interessante analisar a variação dos votos do PT nesta e noutras pesquisas. Quando o nome da deputada federal Adriana Accorsi é colocado os votos petistas variam de 13% a 20%, quando seu nome é retirado este percentual cai a 5%, com a professora Cintia Dias (PSOL) e desce a 2% com o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno.
Esta situação desperta o desejo de lideranças do PT em Goiás e em Brasília de ver Adriana Accorsi representando o projeto do PT na eleição para o governo do Estado. É o que ficou evidente na reunião realizada por dirigentes estaduais e nacionais do PT no último sábado, quando o GTE (Grupo de Trabalho Eleitoral) fez o indicativo de que a deputada federal é o melhor nome para fortalecer o PT de Goiás e a campanha do presidente Lula à reeleição. Desde o presidente nacional da legenda, Edinho Silva, passando pelo ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, todos consideram que com Adriana Accorsi na disputa pelo governo de Goiás o PT ganha protagonismo no Estado e garante um palanque forte para o presidente Lula.

Participação no governo
Diferentemente das eleições de 2020 e 2024, em Goiânia, quando o eleitorado petista definiu as eleições em favor de Maguito Vilela (MDB) e Sandro Mabel (UB), dirigentes e militantes petistas não pretendem dar o voto no segundo turno sem discutir participação ativa no governo do Estado.
O entendimento é que o PT pode até mesmo disputar uma das vagas no segundo turno, principalmente após o envolvimento de Flávio Bolsonaro com o escândalo do Banco Master. Tracking feito pela direção nacional do PT aponta para queda de votos do “filho 01” e perda da narrativa pseudomoralista do PL e do bolsonarismo, e retomada do protagonismo do PT.
Como na politica não há vácuo, a tendência é o PL e o bolsonarismo desmilinguir-se e as forças progressistas avançarem e ocuparem o espaço, com tração suficiente para chegar com um candidato ao segundo turno, ou, pelo menos, crescer numa medida em que seja imprescindível o seu apoio para qualquer um dos lados que chegue ao segundo turno.
O tempo dirá.
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