Duas das maiores confederações de futebol, a Uefa (europeus) e a Concacaf (notre e centro americanos) se rebelaram contra o plano do presidente da FIFA, Gianni Infantino, de criar uma empresa especulativa, encabeçado por um cunhado da filha do presidente norte-americano Donald Trump,
Pelo plano Infantino – ou deveríamos dizer Infantino-Famíglia Trump? – seria criada a FIFA Forward Enterprise (FFE), a ser formada com recursos de investidores privados que adquiririam participações, e que controlaria essencialmente todas as atividades comerciais da FIFA, principalmente relacionadas aos seus principais torneios, e administraria os direitos sobre eles.
Segundo o cartola, isso permitiria aumentar drasticamente os pagamentos anuais da FIFA às federações nacionais — de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões no primeiro ciclo de quatro anos. A FFE foi avaliada em US$ 20 bilhões.
REAÇÃO
Em reunião de emergência na quinta-feira (30), a Uefa votou pelo boicote a todas as competições patrocinadas pela FIFA, incluindo a Copa do Mundo, caso o plano Infantino seja executado. Logo em seguida, a Concacaf, que congrega as federações da América do Norte, Central e Caribe, se pronunciou contra.
“No momento em que investidores externos adquirem participações nos direitos de propriedade dos torneios”, “o futebol muda para sempre”: “Obter lucro comercial torna-se uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores transformam-se numa pressão diária. A partir desse momento, todas as decisões sobre o calendário internacional, os formatos dos torneios e o futuro do futebol deixarão de ser tomadas no interesse do jogo e passarão a ser tomadas no interesse dos acionistas.” “Tal modelo não tem lugar no futebol mundial”, afirmou a Uefa.
Recuo – Diante da reação, o presidente da FIFA recuou. Infantino disse que a ideia não seguirá adiante após avaliar diferentes lados do debate.
“Depois de ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto criou divisões de uma natureza que, independentemente do nível de apoio, já não atende ao objetivo definido desde o início”, afirmou.
THRIVE CAPITAL, DA FAMÍLIA TRUMP
O plano previa a venda de cerca de 20% da FFE para “investidores” liderados pela Thrive Capital, de Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente Trump. Segundo várias fontes, a administração Infantino previa a data de 19 de setembro para aprovação a jato do esquemão.
Para a Uefa, a criação da FFE seria “ultrapassar um limite que as instituições que regem o futebol não têm o direito de ultrapassar”.
A entidade europeia advertiu que o boicote só seria suspenso se o plano for retirado “na íntegra e forem fornecidas garantias juridicamente vinculativas de que a organização nunca mais permitirá que proprietários privados administrem a FIFA ou seus torneios”.