O senador Carlos Viana (Podemos-MG), que preside a CPMI do INSS, destinou R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares para a Fundação Oasis, “braço social” da Igreja Batista da Lagoinha, instituição da qual ele próprio é integrante. Ocorre que um dos sócios do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, Fábio Zettel, é também pastor e “sócio” da Lagoinha. Zettel está preso, juntamente com Vorcaro, por suspeitas de malversação de recursos públicos no Banco Master.
Segundo reportagem do Jornal Metrópoles, de Brasília, assinada pelo jornalista Tácio Lorran, ao longo dos anos a Igreja da Lagoinha também recebeu R$ 1,5 milhão via Prefeitura de Belo Horizonte em 2019, R$ 1,47 milhão em 2023 e mais R$ 650,9 mil em 2025, estes últimos destinados à unidade de Capim Branco (MG).
Viana tem tido uma atuação questionada na presidência da CPMI, onde é acusado de proteger investigados ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e também a Igreja da Lagoinha, que entrou no radar dos investigadores da Polícia Federal após revelações de que um evento de Réveillon da entidade, no estádio Allianz Parque, teria sido patrocinado por Felipe Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios, empresa sob investigação.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) tem apontado a existência de uma triangulação financeira nebulosa envolvendo o Banco Master, o empresário e ex-pastor da Lagoinha Fabiano Zettel (sócio do banqueiro Daniel Vorcaro) e a fintech Clava Forte Bank, associada à igreja. Segundo Correia, o dinheiro sairia do Master via Zettel para a Clava Forte, sendo posteriormente repassado para empresas suspeitas de lavagem de dinheiro.
Entretanto, Carlos Viana tem agido para travar o avanço dessas apurações. O senador simplesmente se nega a pautar os requerimentos de quebra de sigilo da Clava Forte Bank e do próprio pastor André Valadão. Enquanto o presidente da CPMI “engaveta” as investigações que batem à porta de sua igreja, ele gasta as energias da comissão em uma perseguição incessante contra o filho do presidente Lula (PT), o que parlamentares da base governista classificam como um trabalho inviesado e despudorado.
Pressionado, Carlos Viana tenta se esconder atrás do tecnicismo orçamentário e da retórica religiosa. Em nota, sua assessoria afirmou que as emendas seguem critérios legais e que a responsabilidade pela execução e fiscalização cabe às prefeituras. O senador justificou os repasses alegando que o Brasil tem uma “dívida histórica” com projetos sociais de igrejas e que continuará destinando recursos para instituições religiosas, independentemente de quem as lidere.
O argumento, contudo, não convence quem acompanha o dia a dia da CPMI. Para os críticos, a coincidência entre o envio de milhões de reais à fundação da Lagoinha e a postura de Viana em blindar a cúpula da igreja e seus parceiros financeiros, como Zettel e Valadão, é gritante demais para ser ignorada. Enquanto a comissão deveria investigar fraudes, parece servir, sob a batuta de Viana, para proteger aliados e atacar adversários ideológicos de forma sistemática.
Com informações da Revista Fórum e Metrópoles