Governador libera candidaturas ao Senado, mas seu compromisso é só com Gracinha
Marcus Vinícius de Faria Felipe
Repetindo 2022, o governador Ronaldo Caiado (PSD) liberou geral as candidaturas ao Senado. Disse que tanto faz a base governista ter dois, três, quatro ou cinco candidatos ao Senado. Traduzindo: ele tem apenas uma candidata, sua esposa, a primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil). Os demais estão por conta própria.
Em 2022 foi pior. Caiado deixou a base lançar três candidatos, quando deveria ter firmado empenho na eleição do Delegado Waldir, que era candidato do seu partido, a época o DEM. Deixou Waldir no vácuo e o eleito foi Wilder Morais (PL), que hoje é o principal opositor do governo.
A base governista tende a ter de quatro a cinco candidatos a senador em Goiás: Gracinha Caiado (UB), Vanderlan Cardoso (PSD), Gustavo Mendanha (PSD), Zacharias Calil (MDB) e Alexandre Baldy (PP). O correto seria Caiado definir o nome que vai colar a campanha com Gracinha, e assim buscar a eleição de dois senadores. Simples assim.

Numa eleição de dois nomes para o senado, é muito comum o líder de votos garantir a eleição do companheiro de chapa. Foi assim com a dupla Iris Rezende/Mauro Miranda, em 1994, quando Iris lançou o slogan: “Vote nos dois”! Deu certo.
Por que Caiado não relança o “vote nos 2” para Gracinha e Vanderlan, por exemplo? Até porque Vanderlan é do seu partido, o PSD.
Talvez a explicação é que a vaga de Gracinha pode ser utilizada por ele próprio, Caiado, se não vingar a sua candidatura à presidência da República.
Não custa lembrar que em 2014, Iris reuniu todo o seu capital político para apoiar a candidatura de Caiado ao Senado. Não fossem os votos iristas (e emedebistas em geral), Caiado jamais seria eleito senador, e a vaga ficaria para Vilmar Rocha (PSD), que a época tinha o apoio do governo de Marconi Perillo (PSDB).