Matéria veiculada pelo programa Fantástico, da Rede Globo neste domingo, revela que a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), desarticulou na última terça-feira (4) um grupo neonazista que planejava atentados contra o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o edifício onde ocorreria o debate do 2º turno das eleições, em Brasília.

De acordo com a reportagem, os integrantes se articulavam exclusivamente pela internet, em grupos do Telegram com conteúdo de ódio e instruções para fabricação de explosivos, sem jamais terem se encontrado presencialmente. A operação, batizada de Operação Rede Interrompida, cumpriu oito mandados de busca e apreensão em cinco estados, apreendendo dispositivos eletrônicos, materiais nazistas e armas.

O ministro Wellington César Lima e Silva foi categórico: “Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios.”

Segundo o delegado-geral, José Werick, o grupo estava em fase de definir os alvos primários, realizado desenhos de plantas dos Ministérios, Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.  Os indivíduos não possuiam antecedentes criminais e eram homens. Eles não se conheciam presencialmente, estavam ligados apenas por grupos digitais, principalmente, pelo Discord e Telegram.

A Operação Rede Interrompida, da Polícia Civil do Distrito Federal, investiga uma rede extremista que utilizava grupos no Telegram para disseminar conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos, recrutar novos integrantes e discutir o planejamento de atos violentos. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

 

 

 

Grupo neonazista
O grupo não se limitava a trocar ideias radicais: planejava ataques concretos contra o coração institucional do país. As conversas monitoradas pelas autoridades revelam que o principal objetivo era invadir e explodir prédios públicos em Brasília, com o Palácio do Planalto, sede do governo brasileiro, como alvo prioritário. Os investigadores suspeitam que o objetivo dos criminosos seria assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre os planos discutidos, estava também a explosão do edifício onde ocorreria o debate do 2º turno das eleições. A intenção declarada nas mensagens era “mandar a partir de Brasília um recado violento e antidemocrático para todo o país”.

A articulação ocorria em dois grupos do Telegram. O maior reunia mais de 600 integrantes e usava a foto de Adolf Hitler como imagem de perfil. Quem demonstrava maior radicalização era recrutado para um grupo restrito, com 46 integrantes, onde não se trocavam apenas manifestações de apoio à violência, mas instruções operacionais. Os investigados compartilhavam manuais de fabricação de explosivos e coquetéis Molotov, calculavam quantidades de material e estimavam custos dos ataques. Tinham ainda mapas dos ministérios, do Congresso Nacional e do STF. O delegado Maurílio Coelho, coordenador de Inteligência da PCDF, afirmou que o grupo chegou a compartilhar a planta baixa do Palácio do Planalto para discutir rotas de entrada e saída: “A planta deles é assim, a gente pode entrar por aqui, sair por aqui.”

Ação das autoridades e o Ciberlab
A investigação foi conduzida pela PCDF em parceria com o MJSP, por meio do Ciberlab, laboratório especializado em crimes cibernéticos que funciona em uma sala de acesso restrito em Brasília. O laboratório monitorou as comunicações do grupo e produziu um relatório que concluiu pelo elevado grau de periculosidade do conteúdo: planejamento de atos violentos com artefatos explosivos, disseminação de ideologia neonazista, misoginia e incitação à violência. Segundo o Ministério da Justiça, os administradores dos grupos tentavam ativamente identificar integrantes dispostos a matar.