A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (25/6), em conjunto com o Ministério Público Federal, a segunda fase da Operação Disclosure, que busca aprofundar as investigações sobre supostas fraudes contábeis estimadas em, aproximadamente, R$ 54 bilhões nas Lojas Americanas.
Na ação, policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, nas cidades do Rio de Janeiro/RJ e de São Paulo/SP. Os bilionários Jorge Paulo Lemann e Beto Sicupira, sócios majoritários das Americanas, estão entre os alvos da operação desta quinta. A investigação aponta que os envolvidos recebiam bônus milionários vinculados ao desempenho financeiro e também lucravam com a venda de papéis valorizados de forma artificial.

A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o sequestro de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.
Segundo as investigações, os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico.
As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e de associação criminosa.
Entenda o caso
No caso das Americanas, a suspeita é que as dívidas repassadas por risco sacado tenham sido retiradas do balanço como se estivessem quitadas, sem o devido registro de que haviam sido transferidas para instituições financeiras.
“Em vez de somar uma dívida aos valores devidos aos bancos na contabilidade, a empresa apenas subtraía do que era devido aos fornecedores, como se a dívida já tivesse sido completamente resolvida”, afirmou Miziara.
A PF também apura o uso de verbas de propaganda cooperada, as VPCs. A suspeita é que a empresa tenha registrado valores inexistentes ou inflados para melhorar artificialmente os resultados.
A fraude veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando a Americanas informou inconsistências contábeis inicialmente estimadas em R$ 20 bilhões e pediu recuperação judicial. Em junho de 2024, a PF deflagrou a primeira fase da Disclosure. Em março de 2025, o MPF denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários da empresa.
Com informações da PF,G1 e DCM