Nesta quinta-feira (2/7), a Polícia Federal deflagrou a quinta fase da Operação Unha e Carne, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre lavagem de dinheiro praticada por organização criminosa. Entre os alvos estão o pastor Márcio Poncio, o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Barcelar e o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho. Márcio Poncio, que é declaradamente bolsonarista ficou conhecido como “Pastor do Cigarro”, por sua suposta conexão com a “Máfia do Cigarro”, liderada pelo bicheiro Adilsinho.

Poncio foi preso em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Pastor da Igreja da Nuvem e conhecido nas redes sociais, ele é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. Segundo o g1, ele é investigado por possíveis ligações com a “Máfia do Cigarro”, esquema que teria Adilsinho como chefe.

Na ação, policiais federais cumprem 3 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão em endereços vinculados aos investigados, nas cidades do Rio de Janeiro e de São João de Meriti/RJ. As ordens judiciais foram expedidas pelo STF, bem como a determinação do sequestro de cerca de R$ 22 milhões em bens e valores.

A atual fase da investigação foi deflagrada a partir da análise de documentos apreendidos que revelaram uma contabilidade paralela voltada à lavagem de capitais, além de registros de supostos pagamentos indevidos e de doações eleitorais irregulares.

Lavagem de dinheiro

A ação insere-se no contexto da decisão do STF no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas) que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos.

De acordo com a PF, a nova fase “busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo ‘capo’ da nova cúpula do jogo do bicho [Adilsinho] e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do RJ”. Um dos alvos de busca e apreensão é Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.

A investigação deriva da Operação Fumus, deflagrada em junho de 2021 para apurar o monopólio de cigarros no Grande Rio. Na ocasião, Adilsinho foi alvo, mas não foi localizado. Durante as buscas, a PF encontrou planilhas com “supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”.

“As listas chamaram a atenção dos investigadores por possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do RJ”, explicou a corporação.

Em outro trecho, a PF afirmou: “Esta nova fase teve início após a apreensão de listas em poder do conhecido contraventor indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”.

“As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro”. A TV Globo apurou que ao menos 20 políticos são investigados por supostamente receberem mesada de Adilsinho, preso apenas em fevereiro deste ano, em Cabo Frio, após monitoramento por drones.

Fonte: PF e DCM