Neto do General João Figueiredo, último presidente-ditador do Brasil, Paulo Figueiredo, amigo e aliado de Eduardo e Flávio Bolsonaro, afirmou que as mulheres votam “mal para caralho” e deveriam aprender com os homens que votam na extrema-direita.

Ele também acusou Michelle Bolsonaro de ser “feminista” por ter defendido candidaturas de mulheres dentro do PL. Paulo Figueiredo ainda acusou Michelle Bolsonaro de ser “feminista” por ter falado, no vídeo, a favor das cotas eleitorais femininas. Segundo Michelle, no centro da disputa com Flávio está a candidatura da bolsonarista Priscila Costa ao Senado no Ceará pelo PL.

“Mulher vota estatisticamente muito mal. Principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras, não”, disse Paulo Figueiredo em vídeo publicado nas redes sociais.

“Podem arrancar os pentelhos das calcinhas, fazer o que quiser, principalmente as feministas, que têm mais pentelhos, mas eu quero dizer a vocês: isso é estatística”, continuou.

Paulo Figueiredo mora dos Estados Unidos, e juntamente com o irmão de Flávio, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, articula medidas contra o Brasil junto a Marco Rubbio, chefe do Departamento de Estado que é um dos principais responsáveis pelo tarifaço contra produtos brasileiros.

A fala do neto de ditador é mais um tiro no pé da campanha de Flavio. A pesquisa Datafolha registra que Lula teria 52% dos votos femininos e Flávio Bolsonaro teria 37% em um caso de segundo turno, ou seja, a declaração deve indispor ainda mais as mulheres contra o “bolsonarinho”.

Nas redes sociais o machismo de Paulo Figueiredo gerou forte reação. Entre eles da ornalista Andreia Sadi, da Globonews:

“Para além de misógino, é nojento. É isso que esse grupo político pensa sobre as mulheres,” disparou.

Nem a senadora bolsonarista Damares Alves conseguiu ficar calada e respondeu a Figueiredo, dizendo que enfrenta os adversários “olhando nos olhos”. “Sou aquela mulher que não fica atrás de um computador mas encara as lutas e demandas em pé, olhando nos olhos dos adversários”, afirmou. A também senadora Soraya Thronicke classificou a fala como misógina e como violência política de gênero, oficializando um pedido à PGR (Procuradoria Geral da República) para abertura de ação penal e para que Figueiredo seja proibido de se comunicar publicamente nas redes sociais.