Sua incorporação acrítica e passiva aprofunda a dependência e a lógica colonial. Repetimos o velho papel ao fornecer água e energia para datacenters estrangeiros. A saída não é negar: em vez de meros consumidores, precisamos participar de sua criação – com soberania e “brasileirismos”

Por – OutrasPalavras – Tecnologia em Disputa

 

A inauguração da IA em larga escala é relativamente recente. Mas ela já demonstrou sua utilidade e consequente atratividade para um amplo espectro de tarefas e ocupações associadas aos padrões cotidianos da vida moderna. Provavelmente o/a leitor/a já verificou pessoalmente a surpreendente capacidade da IA de executar autônoma ou interativamente, de maneira surpreendentemente satisfatória, tarefas às vezes não tão simples sobre textos, áudios e imagens. Isso justifica amplas expectativas e fundamenta afirmar que a AI, que é “mais do que uma e menos do que muitas”1, modificará os modos de ver, saber e viver, sendo uma tecnologia tão ou mais disruptiva quanto a luz elétrica.

Dito isso, as IAs podem também se fazer acompanhar de grandes problemas. Para tratá-los aqui brevemente, como não poderia deixar de ser, sigo o conselho atribuído a Nietszche de tratar os grandes problemas como um banho frio, isto é, “entrar e sair deles rapidamente”. Em nosso bom português, “dar um banho frio” significa também desiludir, frustrar, decepcionar ou interromper expectativas otimistas. Um choque frio e cortante pode reduzir o calor do entusiasmo.

Primeiro banho frio: a queda do céu

“A queda do céu” não é uma profecia ancestral: é a chegada dos datacenters ao solo brasileiro. A nuvem, que parecia etérea, revela-se feita de água e energia – recursos que o país exporta como sempre fez. Datacenters são a nova cana-de-açúcar, um ciclo colonial que se repete.

Os jornais diários alertam para incertezas na produção e uso das IAs. Não se trata aqui das incertezas das capacidades futuras esperadas para as IAs no que tange às suas “inteligências”, mas de algo bem menos indefinido, as incertezas quanto à quantidade de energia elétrica e água necessária para a sua produção e uso. Essa incerteza não estava posta no período neonatal da IA, mas entrou em cena na fase infantil para tornar-se crucial no que veio a ser a atual adolescência das IAs. Mundo afora, coletivos de coisas e pessoas despertam para o problema uma vez que, tal como geralmente acontece com problemas ecológicos, são milhões de coisas e pessoas que são afetadas para alimentar esses novos entes adolescentes. Projeta-se que já em 2030 a energia que alimenta a IA equivalerá ao consumo de energia do Japão.2 Para o público geral até bem pouco tempo localizadas “na nuvem”, as IAs repentinamente caíram do céu em uma chuva de datacenters.

Especulações sérias sobre a capacidade do planeta de alimentar as IAs quando se tornarem adultas geram expectativas, preocupações e reações diversas. As IAs sorveriam toda a água do planeta, mas a supremacia de pequenos grupos aliada à fé no progresso tecnocientífico sanciona investimentos gigantescos numa competição desenfreada, tanto pelo hardware quanto pela energia, pela água e pelo software, para criar e processar os algoritmos da IA.

Tal como costuma acontecer, os comportamentos e as providências decorrentes do crescimento das IAs variam, mas os padrões históricos começam a se delinear. Enquanto Nova York proíbe a construção de datacenters em seu território, o Rio de Janeiro a incentiva. No Brasil chega-se a alardear que quantidades de água e energia potencialmente disponíveis sejam uma “vantagem comparativa” na corrida para receber datacenters. Os estamentos que dirigem o Brasil parecem acomodados na repetição do papel do Brasil colônia, desconsiderando que instalar datacenters sob controle estrangeiro em nosso território é a repetição do modelo de inserção internacional do Brasil como exportador de matérias primas.

Segundo banho frio: eficiência sob disputa democrática

Eficiência sob disputa democrática” não é uma constatação: é uma exigência prática. A queda de 70% dos postos de trabalho não é um número neutro, é uma contabilidade que já define quem ganha e quem perde. Sem questionar técnica e politicamente os limites e o escopo dessa contabilidade, “eficiência” será apenas um nome elegante para violência, sofrimento e concentração de renda.

Uma parte do potencial disruptivo das IAs se concretiza na capacidade de executar tarefas antes reservadas aos humanos. A racionalidade empresarial, guiada pela lucratividade, traduz, formaliza e contabiliza esse potencial disruptivo como oportunidades de irresistíveis “ganhos de eficiência”. A partir dos números que circulam nos meios empresariais, não é um devaneio otimista ou alarmista imaginar que, no prazo de poucos anos, as IAs viabilizem uma queda de 70% no número de trabalhadores, qualquer que seja a denominação que designe os humanos executores de tarefas, qual seja de empregados, colaboradores, parceiros, PJs (empresas individuais) etc. Por exemplo, as tarefas hoje feitas por dez pessoas escreventes nos tabelionatos e escritórios de advocacia poderão ser feitas por três delas (retreinadas), deslocando sete em cada dez humanos nesta vasta categoria de trabalhadores.

Por outro lado, alertas sobre a possibilidade dessa disrupção trazida pela IA têm vindo de diversas origens. As inovações “técnicas” podem ter, e geralmente têm, ritmos muito diferentes das inovações “sociotécnicas”. As IAs aprendem a realizar tarefas mais complexas em ritmo que pode ser muito mais rápido do que os ritmos de adaptação das sociedades às mudanças que as IAs disponibilizam. A IA pode assim tornar-se uma grande ameaça de desorganização da vida cotidiana. Especialmente visíveis são os diferentes graus de sofrimento e violência que os avanços na dispensa de humanos podem acarretar, conforme as resistências às regulamentações do uso das IAs nas empresas e demais instituições.

Estando no Brasil, é importante ressaltar que o ritmo de adaptação de absorção deste tipo de disrupção trazida pelas IAs variará conforme o estado, a região, e mesmo a cidade. Dadas as configurações educacionais, sociopolíticas e econômicas vigentes no país, haverá mobilização empresarial para deixar que esse ritmo seja um resultado “espontâneo” das vivências dos mercados. Isso será tão mais tentador também face ao desafio de pôr em prática uma regulamentação que necessitaria ser capilarizada e evolutiva até o nível de estados e municípios para minimizar sofrimento e violência, o que soa como uma utopia chinesa aos ouvidos dos estamentos que governam nosso país.

Para administrar a violência, o sofrimento, e a concentração de renda decorrentes da utilização das IAs, uma discussão que sempre esteve no horizonte deveria tornar-se central: a contabilidade que define “eficiência”. O que as IAs descortinam é a necessidade de coletivos de humanos e coisas se delimitem e se reúnam para democraticamente discutir o escopo da contabilidade que define, caso a caso, a eficiência na utilização de uma IA: quem ganha e quem perde, onde, quando e o quê?

 

Imagem reproduzida no portal Meio & Mensagem

 

Terceiro banho frio: uma ameaça existencial à humanidade

A IA aprende, mas os especialistas não sabem exatamente como. A potência da AI nasce de duas condições: uma fabulosa capacidade de processamento sobre uma fabulosa quantidade de dados curados. Entre a ameaça existencial à humanidade, temida pelo padrinho da IA, e a multiplicidade potencialmente democrática de muitas inteligências, sugerida pela madrinha da IA, o que nos falta é compreensão.

O desenvolvimento da IA nos EUA remonta à década de 1970, mas a aposta no modelo das “redes neurais” inspiradas nas sinapses do cérebro só frutificou a partir da satisfação de duas condições: (1) a construção de uma maquinaria de computação com uma capacidade de processar um número antes insonhável de bits; e (2) a capacidade de oferecer a essa maquinaria de computação uma quantidade antes insonhável de data, isto é, bits que passaram por uma curadoria.

A primeira condição foi atingida gradativamente, embora muito rapidamente em tempos históricos, pelos avanços da microeletrônica e do software nas últimas décadas do século XX. Foi quando alguns pesquisadores empenhados na criação das IAs se deram conta de que aquela capacidade fabulosa de processamento de bits precisaria de uma quantidade fabulosa de data para ser efetivamente aproveitada para desenvolvimento da IA. E de que esta quantidade fabulosa de data ainda não existia. A segunda condição foi então satisfeita na primeira década do século XXI a partir de um projeto específico denominado ImageNet executado de 2006 a 2009. Este projeto recrutou milhares de trabalhadores pobres em diversos países, com destaque para a Índia, para construir uma fabulosa quantidade de data na forma de imagens curadas. Por exemplo, um trabalhador humano qualificava (“curava”) uma imagem resolvendo uma dubiedade entre ela representar uma placa de trânsito ou uma lixeira urbana. Foram produzidas então milhões de imagens de placas de trânsito e de lixeiras urbanas, como material ofertado à IA. Essa fabulosa massa de dados serviu para que a IA aprendesse a distinguir placas de trânsito de lixeiras urbanas com uma confiabilidade em tudo semelhante à confiabilidade dos humanos na execução desta tarefa.

É, contudo, pelo pouco entendimento de como as redes neurais aprendem que a IA se torna uma ferramenta sui generis e hipoteticamente muito perigosa, enxergada até mesmo como uma “ameaça existencial à humanidade”. Os próprios criadores não sabem precisamente como a IA aprende.

Alguns notórios especialistas acreditam na possibilidade de comportamentos autônomos da IA que poderiam levar ao surgimento de uma super IA autônoma superior à inteligência humana e, portanto, de controle extremamente problemático ou mesmo impossível. Adquirindo autonomia essa super IA poderia tornar a espécie humana irrelevante ou mesmo destruí-la.

Essa hipótese tem um sabor de ficção científica paranoica, mas talvez o mais surpreendente seja que ela é compartilhada, ou pelos menos não é rejeitada, por diversos especialistas líderes da IA, entre eles aquele que é conhecido como “o padrinho da IA”, Geoffrey Hinton, laureado com o Nobel em 2022.3 Após sair amigavelmente do Google onde chefiou a IA por 10 anos, Geoffrey Hinton tornou-se um militante para alertar a população dos perigos que acompanham a IA, inclusive uma “ameaça existencial à humanidade”, segundo ele o maior dentre todos os perigos que ele aponta, desemprego, crimes, manipulação de eleições etc.

Já Feifei Li, pesquisadora de Stanford, idealizadora e executora do decisivo projeto ImageNet, conhecida como “a madrinha da IA”, sugere uma multiplicidade de inteligências ao dizer que “os aviões voam, mas não voam como os pássaros”. Ela está, contudo, tão preocupada com o controle da IA que afirma que “liderar o avanço de uma IA democrática” é o propósito de sua vida.

Há algo de uma escolha um tanto arbitrária de palavras que “colou” na nomeação desses processamentos de informação como “inteligências artificiais” (IAs). Se em português houvesse o verbo “inteligenciar” para referenciar essas vivências muito amplas, diversas e indefinidas, poderíamos ecoar Fefei Li dizendo que “as IAs ‘inteligenciam’, mas não ‘inteligenciam’ como nós.”

Restaria algo a acrescentar à saída deste banho frio e talvez esse acréscimo deveria ter vir como o mais importante na busca de um caminho “seguro” para impedir o pânico advindo da possibilidade faustiana de uma IA autônoma: os elementos geopolíticos do presente encontro ou desencontro face a face dos EUA com a China. Na doutrina que rege a política externa dos EUA frente às outras superpotências, os EUA não podem controlar o desenvolvimento da IA porque ao fazer isso correriam maior risco de serem ultrapassados na competição política-econômica-militar com a China. Esse “realismo ofensivo” determina a temperatura da água deste banho.4

Quarto banho frio: não existe inteligência sem aprendizado

Não existe inteligência sem aprendizado, mas o mercado repete o padrão colonial: as inovações chegam de fora e se instalam casando interesses dos colonizadores com interesses locais subordinados, perpetuando o Brasil colônia. Ganha força a ideia de que brasileiros somos incapazes de moldar o caráter das IAs, naturalizando a dependência e delegando a criação a círculos estrangeiros. Para romper essa condição, seria preciso décadas de parcerias e esforço contínuo defendendo o código aberto e impregnando as máquinas de “brasileirismos”.

Pensemos agora na procissão numerosa de “inovações” trazidas às terras do Brasil por obra de nossos colonizadores: não só coisas que vão de espelhos a celulares, mas também práticas ∕ instituições ∕ agentes organizativos, tais como o fordismo-taylorismo, sociedades anônimas, P.I.B., estado nação etc. e ainda outros entes, agentes cognitivos solidamente estabilizados na modernidade euro-americana, tais como a lei da gravidade, campos eletromagnéticos, partículas, vírus, democracia etc.

A IA também veio de fora dos Brasis como uma rede mais recente de elementos heterogêneos, em fase de configuração de suas formas locais nessa procissão de “inovações” que vieram e vão chegando aos Brasis instalando-se em graus e com intensidades diferentes conforme o casamento dos interesses locais com os de nossos colonizadores. Os elementos heterogêneos, sociotécnicos, das IAs se justapõem em processos de conformação de mercados. De um lado (1) as ofertas de capital, capacidade empresarial e industrial, trabalho qualificado, e trabalho repetitivo mal remunerado; de outro lado (2) as demandas pelas facilidades que as IAs propiciam para a execução de tarefas, especialmente as tarefas atualmente executadas por humanos.

A disrupção da IA, contudo, pode ir muito além das questões classificadas como de trabalho, emprego, produção, renda, consumo etc., categorias mais nitidamente delimitadas e familiares aos discursos analíticos sobre a formação dos mercados. Mas podemos focalizar a disrupção partindo não mais do que a IA pode fazer para nós, mas sim do que a IA pode fazer de nós.

Brasileiras e brasileiros, o que podemos fazer diante desta desconhecida que aqui nos chega de fora, mas sem sair de fora, instituindo um panóptico global de observação e de ação sob controle de pouquíssimos indivíduos que não estão aqui?

Há um forte lobby que surfa nos entusiasmos que a IA provoca. Esse lobby circula e reforça a propensão a que os coletivos brasileiros usem a IA sem moldar o seu caráter. Esse imediatismo ignora as possibilidades locais de moldar o caráter da IA ou enxerga essas possiblidades como inalcançáveis, dadas as que seriam ou são as limitações educacionais, sociotécnicas e econômicas do nosso país.

Nos caminhos indicados por esse lobby, a criação e aprendizagem das IAs devem ficar circunscritas aos círculos profissionais de certos países, sendo já colocada uma proposta de um acordo internacional para que a criação e desenvolvimento de IAs sejam controlados de forma semelhante ao controle do desenvolvimento de armas nucleares. Se assim for, não só as questões do trabalho, mas de toda a boa criação das IAs envolvendo posições ético-políticas (novos crimes, comportamento antiético, reforço de preconceitos, conteúdo tóxico, assassinatos preventivos etc.) devem ser tratadas pelas empresas ou por comitês de empresas em que os interesses privados dos overlords do mundo das IAs têm presença privilegiada.

Os Brasis certamente não poderão deixar de traduzir ∕ trair ∕ transladar / receber ∕ desenvolver as IAs em sua imensa diversidade territorial, cultural, econômica, técnica e política. Para quem espera previsões mais gerais só posso afirmar que é muito cedo para dizer o que as IAs farão para os brasileiros e o que elas farão dos brasileiros, embora isso não esteja determinado e dependerá em boa parte das reações dos próprios brasileiros e das de nossos colonizadores.

A capacidade de aproveitamento-cópia, sempre parcial, pelo estado-nação Brasil das inovações oriundas de seus colonizadores tem seus próprios ritmos. Decorreram mais de cem anos desde a invenção da lâmpada elétrica para que o programa Luz para Todos lograsse absorver essa outra inovação disruptiva em benefício de (ainda quase) todos. Um exemplo que bem ilustra nossas dificuldades de traduzir ∕ trair ∕ transladar / receber ∕ desenvolver e situar as inovações disruptivas que vêm de fora em benefício de toda a população brasileira.

Em 2025, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) substituiu a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA) de 2021, sugerindo o aporte de R$ 23 bilhões em quatro anos para pesquisa e desenvolvimento de IAs no Brasil. O montante indicado é substancial e comparável aos de países europeus. Um “plano brasileiro de inteligência artificial”, contudo, não poderia contemplar períodos eleitorais de quatro anos e reconhecer que seriam necessárias décadas de esforços contínuos para que houvesse capacidade local de moldar o caráter de IAs que, estas sim, poderiam estar impregnadas dos “brasileirismos” e, portanto, nossas culturas.

Um plano brasileiro precisaria ir muito além das políticas pontuais de incentivos para indicar e perseguir modificações nas instituições de ensino e nas legislações da propriedade intelectual, para mencionar somente duas das imensas tarefas que teriam que ser incluídas em tal plano.

No bojo dessas tarefas estaria o Estado brasileiro, em seu próprio proveito, defender enfaticamente o código aberto (“open source”) dos algoritmos de IAs. O código aberto traz oportunidades de apropriações legais de resultados que poderiam economizar recursos e tempo no caminho para a criação de IAs de caráteres brasileiros. Além disso, seria planejar atuar em parcerias com outros países, indo além de apostar em parcerias com as BigTechs preocupadas em criar e cercar o caráter das IAs em íntima aliança com os capitalismos tardios e os interesses geopolíticos de Washington.

Observação final

Os quatro banhos frios apresentam quatro zonas de contato entre questões de IA e questões (1) climáticas, (2) de bem-viver, (3) existenciais e (4) de autonomia. Essas zonas de contato não são estanques. Pelo contrário, elas se justapõem, se interpõem, se interpenetram e isto precisa ser reconhecido para que tenhamos nossas IAs saudáveis, bem criadas, isto é, de bom caráter. A não tão enigmática superação do Brasil colônia (ou da colonialidade brasileira, uma vez que Brasil colônia tornou-se um período da historiografia acadêmica) requer partir para o tratamento situado e entrelaçado dessas questões como atores relacionais que fazem inscrições em nossos modos de ver, saber, fazer e viver, atuando inseparável e simultaneamente nas linguagens, nas coisas e nos humanos entre si. Uma vez dada essa partida situada e entrelaçada, todo conhecimento dos colonizadores, se não deve ser sumariamente rejeitado, nunca poderá ser prontamente aceito pelo seu valor de face.


Referências:

MEARSHEIMER, J. J. The tragedy of Great Power politics. New York: Norton, 2001. xvi, 555 p. p.

MEARSHEIMER, J. J. A Tragédia da Política das Grandes Potências Tradução ARAÚJO, T. Lisboa: Gradiva, 2007, 520p.p.

1 Para usar a expressão do sociólogo inglês John Law.

2 INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. Energy and AI – World Energy Outlook Special Report (2025) Disponível em https://www.iea.org/reports/energy-and-ai Acesso em: 18/08/2026.

3 E muito recentemente acompanhado pelos overlords Dario Amodei, Sam Altman e Elon Musk, em insólita divergência com Donald Trump.

4 (MEARSHEIMER, 2001). (MEARSHEIMER, 2007) John Mearsheimer, professor da Universidade de Chicago, é talvez o mais influente intelectual no que concerne as relações entre as superpotências. Este seu famoso livro é uma defesa contundente do “realismo ofensivo” hoje escancarado na política externa de Donald Trump. A doutrina do “realismo ofensivo” tem como postulado que o objetivo final de qualquer grande potência é tornar-se a única potência hegemônica em um cenário internacional anárquico (não há nenhuma autoridade sobre as grandes potências) de permanente competição, buscando maximizar sua parcela de poder mundial.