Lobby para tirar Bolsonaro da cadeia afronta a Justiça e a maioria do eleitorado

 

Marcus Vinícius de Faria Felipe

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) abandonou o Palácio dos Bandeirantes e fixou endereço em Brasília, onde está em intensa articulação para aprovar projeto de anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-SP), que está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado.

A atuação de Tarcísio recebeu crítica de juristas e foi denunciada em editoriais de jornais conservadores, como O Globo e Estadão, que apontam para o óbvio: um candidato à presidência não pode dizer que não confia na Justiça do próprio país, sob pena de estimular uma crise institucional entre os Três Poderes.

Juristas alertam que a anistia a um réu que ainda está sendo julgado é inconstitucional.

Ayres Brito, ex-ministro do STF, observa que a Constituição de 1988 não prevê autoanistia. A tese da anistia, portanto, pode nadar e morrer na praia do STF. Mas suponhamos que Bolsonaro fosse anistiado, o que mudaria?
Bolsonaro continuaria inelegível, e em “pagamento” teria que apoiar a candidatura de Tarcísio à presidência? E é aí que começam os problemas. Bolsonaro quer anistia total, para ele próprio participar do processo eleitoral, e não somente ser mero cabo eleitoral de Tarcísio.

A 13ª rodada da pesquisa Quaest, divulgada em agosto, revelou que o eleitor bolsonarista raiz só confia em Bolsonaro como candidato a presidente. Quando o ex-presidente não está na lista de candidatos, seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pontuam melhor do que Tarcísio, Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Jr. (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União-GO).

 

A Quaest também sinaliza que:

 

55% dos brasileiros consideram que a prisão de Bolsonaro é justa;

52% acreditam que Bolsonaro tentou dar um golpe de Estado;

56% da sociedade rejeita anistia aos envolvidos no golpe.

Em 2022 a maioria elegeu Lula (PT) porque não queria a continuar com Jair Bolsonaro na presidência do país. Ao ter como bandeira única, a anistia ao ex-presidente, Tarcísio e os governadores oposicionistas reforçam a rejeição aos seus nomes junto a este campo majoritário da população que não quer um “Bolsonaro Reborn”.

A articulação de Tarcísio, tudo indica, amplia a rejeição ao seu nome e ao projeto que representa, e tende a levar mais água para o moinho de Lula em 2026.