Editorial da Folha alerta governadores de oposição sobre o custo de defender Bolsonaro e Trump

Confira:

Aumentou o custo de defender os Bolsonaros

 

No Datafolha, 61% afirmam que não votariam em candidato que defenda indulto ao ex-presidente; ausência em atos no domingo (3) de governadores cotados mostra que o constrangimento chegou à direita

 

O Datafolha acaba de estimar o elevado custo político com que um candidato de direita terá de arcar caso prometa oferecer indulto presidencial ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na campanha de 2026.Mais de seis em cada dez entrevistados afirmam que deixariam de votar num postulante que fizesse tal promessa.

 

Governadores de SP, MG, PR e GO defendem anistia a Bolsonaro e ignoram tarifaço de Trump que prejudica o Brasil  – Foto: reprodução Instagram Romeu Zema

O fardo poderá recair sobre os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Minas, Romeu Zema (Novo), e Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil). Os três, cogitados para o Planalto, defendem o uso desse poder que a Carta faculta ao presidente da República para livrar Bolsonaro da cadeia, se ele for em breve condenado, como é provável, por tentativa de golpe. As hipóteses da anistia —lei que teria de ser aprovada no Congresso para isentar de punição os condenados por subversão— e do perdão presidencial já enfrentavam dificuldades mesmo antes de Eduardo e Jair Bolsonaro se associarem à chantagem do presidente dos EUA, Donald Trump, contra as instituições brasileiras.

 

Havia a incompatibilidade no tempo, pois não cabe eximir de culpa quem ainda não foi condenado de forma inapelável, como é o caso de vários réus, incluindo o ex-presidente, processados no Supremo Tribunal Federal.
Havia o precedente da própria corte constitucional, que já invalidou indulto presidencial em situação semelhante.

 

Havia também o desgaste político de desmoralizar a legislação votada pelo Congresso, e sancionada por Jair Bolsonaro, destinada a proteger o Estado democrático de Direito de seus violadores. A vilania de Eduardo e Jair de aliarem-se a um agressor estrangeiro que causará danos multibilionários à renda e aos empregos no Brasil fez diminuir ainda mais as chances de a pauta da impunida de progredir.

Os presidentes da Câmara e do Senado tomaram mais distância da família tóxica. O constrangimento penetrou a centro-direita.

 

Não deveria ser necessário ler resultado de pesquisa para tomar distância de uma família de postulantes a tiranetes que não têm pruridos de tramar contra a renda e os empregos do próprio país para defender seus interesses particulares”

 

Nenhum dos governadores que já defenderam o indulto a Bolsonaro compareceu às lamentáveis manifestações de endosso ao acha que trumpista no domingo(3). Tarcísio e Zema, cujas reações iniciais ao tarifaço haviam sido abomináveis, parece que aprenderam algo.

Registre-se, a propósito, a boa condução do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), nesse tema. Também cotado para a disputa presidencial no ano que vem, não se comprometeu com o perdão a Bolsonaro nem derrapou na reação ao tarifaço.

 

O Datafolha mostrou que é tão competitivo quanto Tarcísio contra Lula. Se a crise com os EUA servir para isolar de vez o cancro representado pelo radicalismo bolsonarista no Brasil, terá produzido ao menos um desfecho positivo. Não é necessário ler resultados de pesquisa para avaliar a impostura que é se aproximar de alguém que não tem prurido de tramar contra o próprio país. Entre uma família de postulantes a tiranetes autocentrados e o Brasil, a escolha deveria ser fácil e clara.