O calendário eleitoral de 2026 atingiu um de seus marcos mais críticos: o “fim da janela partidária”. Encerrado no dia 3 de abril, o prazo permitiu que parlamentares trocassem de legenda sem o risco de perda de mandato por infidelidade. O que se viu, no entanto, foi mais uma vez a face do pragmatismo político, onde a ideologia muitas vezes cede lugar ao cálculo de conveniência para a sobrevivência eleitoral.
A Fidelidade como Identidade: O Exemplo do PT
Enquanto o cenário político brasileiro é marcado por um “troca-troca” frenético, o Partido dos Trabalhadores (PT) se mantém como uma das poucas instituições onde a fidelidade partidária não é apenas uma regra jurídica, mas um pilar de identidade.
Diferente de siglas que funcionam como “barrigas de aluguel”, o PT exige de seus quadros uma aderência a um projeto histórico e coletivo. Ser petista implica, historicamente, em seguir diretrizes que transcendem o indivíduo. Essa coesão é o que permite ao partido atravessar crises e manter uma base social sólida, contrastando com políticos que mudam de cor conforme a conveniência do fundo partidário ou do tempo de TV.
O Partidarismo “Meio de Vida” em Goiás e no Brasil
O fechamento da janela evidenciou um fenômeno preocupante para a democracia: a transformação dos partidos em meros veículos de eleição. Em Goiás, nomes tradicionais e novos postulantes movimentaram-se nas últimas semanas buscando legendas que oferecessem melhores condições de financiamento ou coligações mais vantajosas, muitas vezes ignorando a compatibilidade programática.
Essa dinâmica revela uma carência de projeto real para o estado e para o país. Quando um político escolhe sua legenda baseando-se apenas no quociente eleitoral.
O eleitor é traído: O voto depositado em uma proposta pode acabar fortalecendo uma coligação de sinal oposto.
Goiás perde o foco: Em vez de debates sobre industrialização, agronegócio sustentável ou desigualdade regional, a pauta é dominada por arranjos de cúpula.
A política vira negócio: Sem fidelidade, o mandato passa a ser uma propriedade privada do eleito, e não um instrumento do partido para aplicar um programa de governo.
Conclusão: A Necessidade de Projetos Reais.
A política não deveria ser um fim em si mesma, mas um meio para transformar a realidade. O encerramento da janela partidária de 2026 deixa uma lição clara: enquanto houver políticos que tratam siglas como descartáveis, o Brasil continuará refém de mandatos sem alma e de governos sem norte.
A resiliência de partidos com programas definidos e militância orgânica, como o PT, serve de contraponto a esse cenário de deserto ideológico. Para Goiás avançar, é preciso que o eleitor identifique quem está no jogo por um projeto de estado e quem está apenas buscando o próximo crachá.
EDILBERTO DIAS do PT
Pré-candidato ao Senado PT.