Manifestação em Brasília revela o neo-bolsonarismo messiânico, que se afasta de Flávio Bolsonaro e tenta sugar votos dos fiéis do “mito”

 

Marcus Vinícius de Faria Felipe

“Menino de ouro” das bets, recorrente divulgador de fake news contra o PIX  e ligado à Igreja da Lagoinha, que é acusada de operações suspeitas com o Banco Master, o deputado federal mineiro Nikolas Ferreira (PL-MG), dá demonstrações de que – assim como fez Pablo Marçal nas eleições de São Paulo -, quer ser o “novo Bolsonaro”. A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) parece ter entendido isso e o  batizou de “filho 06” do capitão, num posto que fez nas suas redes sociais.

 

Com a tal “Marcha pela Liberdade”, Nikolas Ferreira produziu fotos e vídeos “instagramáveis” e “tiktoktáveis”. Ele orou para crianças, fez o seu “sermão da montanha” e por fim, no melhor estilo bolsonarista, se vitimizou, reclamando exaustão pela “caminhada” feita entre seu carro de apoio e os hotéis de luxo em que se hospedou durante o percurso.

Nikolas segue à risca o messianismo bolsonarista, que o influencer Pablo Marçal fez tão bem na disputa pela prefeitura de São Paulo em 2024,  o qual o “filho 01”, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não é capaz de reproduzir.

Com muito investimento nas redes sociais e apoio ostensivo das plataformas digitais (Mark Zuckerberg e Elon Musk não escondem que patrocinam as pautas de extrema direita), Nikolas vai pavimentando caminho para a “nova ultra-direita”.

Seria interessante a Justiça Eleitoral começar a planilhar os gastos desta campanha antecipada do deputado mineiro e sua trupe.

Estaria Pablo Marçal fazendo mentoria para Nikolas?

O próximo passo de Nikolas Ferreira será deixar o PL e se filiar ao Novo, atropelando o governador Romeu Zema (Novo-MG) e está estagnado em pífios 2% nas pesquisas à presidência. Ele deve ser seguido em Goiás pelo deputado federal Gustavo Gayer, que deve deixar o PL para formalizar através do Novo sua candidatura ao Senado e o seu apoio ao projeto do governador Ronaldo Caiado de fazer Daniel Vilela (MDB) governador do Estado.

Nikolas Fereira, e o grupo para o qual parece fazer um lobby descarado (bets, fintechs e pastores caça níqueis), precisam desesperadamente de um palanque.

Quando faz seus discursos na tribuna da Câmara Federal à favor da PEC da Blindagem e contra taxação de bancos, bets e bilionários Nikolas se torna a voz dos barões da Faria Lima, sobretudo daquela turma que não faz distinção entre dinheiro lícito e dinheiro sem origem documentada.

A Polícia Federal através Operação Carbono Oculto, realizada em agosto do ano passado, mostrou como funcionava o esquema que utilizava fundos de investimentos e empresas financeiras que operam na avenida Faria Lima para gerar, lavar, ocultar e blindar recursos oriundos de esquemas  sonegação e até da atuação da facção no tráfico de drogas e no setor de combustíveis.

É essa turma, que provavelmente, está bancando o messianismo do golden boy.

Como dizia o saudoso locutor esportivo Silvio Luiz: Olho no lance!