O bloco do criminoso de guerra e primeiro-ministro Benjamin Netanyahu perdeu a maioria parlamentar nas eleições de Israel. Com a apuração concluída na quinta-feira (29), ficou com 53 das 120 cadeiras do Knesset — oito a menos que os 61 necessários para formar maioria. A oposição liderada por Gadi Eisenkot somou 48 assentos, e os partidos árabes, 19.

O resultado não define quem governará o Estado colonial. Embora o campo de Netanyahu tenha ficado à frente da oposição, nenhum dos dois alcançou sozinho a maioria. A formação do próximo governo dependerá de negociações que podem se arrastar por meses ou terminar em novas eleições.

O Likud, partido de Netanyahu, elegeu 27 deputados (em 2022, elegeu 32 deputados) . O bloco governista reúne ainda os partidos Otzma Yehudit e Judaísmo Unido da Torá, com sete cadeiras cada, além de Shas e Sionismo Religioso, com seis cada. A coalizão que deixa o poder tinha 68 assentos; agora, o campo do premiê cai para 53.

O bloco de Netanyahu reúne partidos ultraortodoxos e forças de extrema direita, entre elas a racista e supremacista Otzma Yehudit, de Itamar Ben-Gvir, e o Sionismo Religioso, de Bezalel Smotrich.

Já o Shas e Judaísmo Unido da Torá são os partidos ultraortodoxos e conservadores que integram o campo de Netanyahu. O Shas adota posições duras sobre questões territoriais; o Judaísmo Unido da Torá concentra sua atuação em pautas religiosas e comunitárias.

A oposição é formada pelo Yashar, partido de Eisenkot, com 21 cadeiras; B’Yachad, com 12; Democratas, com oito; e Yisrael Beiteinu, com sete. Já a Lista Conjunta e o Ra’am, as duas listas árabes, elegeram 11 e oito deputados, respectivamente.

A sigla Yashar é comandada pelo líder do bloco oposicionista e possível futuro premiê Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior. Ele rejeita a criação de um Estado palestino e defende desmantelar a capacidade militar do Hamas — posições próximas às de Netanyahu nessa área.

A sigla B’Yachad reúne o ex-premiê de direita Naftali Bennett e Yair Lapid, ligado ao centro sionista. A sigla Yisrael Beiteinu, liderada por Avigdor Lieberman, segue uma linha nacionalista de direita. 

Já a sigla dos Democratas reúne o Partido Trabalhista e o Meretz e é a única do bloco que admite abertamente uma coalizão com partidos árabes. Essa abertura não faz da oposição um campo contrário à ocupação: quase todos os seus partidos mantêm o veto à participação árabe no governo.

Somadas à oposição, as 19 cadeiras árabes formariam um bloco de 67 parlamentares. A conta, porém, depende de uma aliança que a maior parte dos partidos de Eisenkot rejeita. Com exceção dos Democratas, as legendas do campo oposicionista descartam cooperar com a Lista Conjunta ou o Ra’am.

A resistência expõe os limites da promessa de mudança da oposição. Eisenkot e outros dirigentes mantêm posições próximas às de Netanyahu sobre os palestinos.

A recusa em negociar com os partidos árabes exclui da disputa pelo governo os representantes de uma parcela expressiva da população israelense. Os árabes são cerca de 20% da população israelense.

O presidente da Lista Conjunta, Yousef Jabareen, afirmou que a escolha política é entre “a continuidade do racismo, da exclusão e da supremacia” e uma “verdadeira parceria judaico-árabe”.

A Lista Conjunta reúne as siglas Hadash, Ta’al e Balad. O Partido Comunista de Israel (PCI) integra a aliança por meio do Hadash, frente judaico-árabe que combate o racismo e a ocupação. O Ra’am, também árabe, concorreu em separado.

As legendas árabes defendem negociar com a oposição para afastar Netanyahu, mas cobram mudanças políticas, e não apenas a troca do primeiro-ministro.

Os resultados serão apresentados oficialmente ao presidente Isaac Herzog em 4 de novembro, após a conclusão de eventuais consultas sobre erros ou reclamações. Depois, Herzog ouvirá os partidos e encarregará um parlamentar de tentar formar governo. O indicado terá 28 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 14.

Se a tentativa fracassar, Herzog poderá indicar outro parlamentar. Persistindo o impasse, uma maioria dos deputados poderá propor um último nome para tentar formar o governo. Caso nenhuma negociação avance, Israel poderá realizar novas eleições em até 90 dias.

O novo Knesset toma posse em 10 de novembro; até que um novo gabinete receba o voto de confiança do Parlamento, Netanyahu permanece no cargo.

Fonte: Vermelho