Desde 2014 o Palácio das Esmeraldas não elege os senadores que indica na chapa governista

 

Marcus Vinícius de Faria Felipe

 

As eleições deste ano para definição de duas vagas ao Senado em Goiás prometem ser as mais disputadas desde 2002, quando por menos de 10 mil votos (9.534) a então deputada federal Lúcia Vânia (PSDB) derrotou o senador e candidato a reeleição Iris Rezende Machado (MDB). Em números exatos, Lúcia recebeu 1.057.358 (22,82%) e Iris, 1.047.827 (22,61%). O mais votado naquele pleito foi Demóstenes Torres (PFL) com 1.239.352 (26,74%).

 

Com onze candidatos concorrendo, este pleito de 2026 terá uma disputa muito parelha, que deve ser definida na ultimas semana, com os vencedores das duas vagas com votações muito próximas.

Há que se lembrar também que desde 2014 o governo não faz valer sua máquina para eleger o candidato da sua preferência.

Vejamos.

Marconi Perillo (PSDB) que foi reeleito para o quarto mandato naquele ano de 2014, não conseguiu levar Vilmar Rocha (PSD) ao Senado e viu Ronaldo Caiado ser eleito graças à parceria entre o seu partido a época, o DEM com o PMDB do ex-governador Iris Rezende Machado.

Em 2018 Caiado (DEM) é eleito governador, porém quem venceu para o Senado foi Vanderlan Cardoso (PP) que contou (como Caiado) com a parceria do MDB de Maguito Vilela e Daniel Vilela, que indicaram para suplência o ex-deputado Pedro Chaves. Vereador mais votado da Capital, com 37.796 votos, Jorge Kajuru (PRP) foi o segundo eleito, deixando em terceiro lugar o candidato do DEM, Wilder Morais.

Em 2022, outra vez o candidato apoiado pelo Palácio das Esmeraldas perdeu a eleição para o Senado. Wilder Morais, que trocou o DEM pelo PL, foi eleito na garupa da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) e deixou na poeira os candidatos governistas Delegado Waldir Soares (União Brasil) e o  ex-ministro Alexandre Baldy (PP).

 

 

Candidatos ao Senado:  Oseas Varão (PL), Isaura Lemos (PSB), Gustavo Gayer (PL), Gracinha Caiado (UB), Ernesto Roller (PSDB), Vanderlan Cardoso (PSD), Cinthia Dias (PSOL), Gustavo Mendanha (PRD), Zacharias Calil (MDB) e Iure Castro (Cidadania)

 

                Eleições de 2026

Não há garantias de que uma das duas vagas ao Senado é da ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União). Segundo a pesquisa Quaest 61% dos goianos definem o voto para o Senado nas últimas semanas, portanto, o jogo é jogado até o último minuto, e só será definido  as 17 horas do dia 4 de outubro.

Uma das ameaças a eleição de Gracinha é a falta de sinergia na chapa. Em 2002 e em 2010, Demóstenes e Lúcia foi eleitos e reeleitos porque seus eleitores combinavam no 1º e no 2º voto, ou seja, quem votava em Demóstenes votava em Lucia e vice-versa. A chapa governista neste pleito não tem esta mesma dinâmica. Gustavo Mendanha (PRD), por exemplo, troca mais voto com o seu xará, Gustavo Gayer (PL) do que com a esposa do ex-governador Caiado. Vanderlan Cardoso (PSD), que tem sido vetado no palanque de Gracinha, e Zacharias Calil (MDB),que sofreu pressão para deixar de ser candidato, certamente não jogam água no moinho da ex-primeira-dama.

A campanha presidencial vai cobrar um preço alto para Caiado, que terá que se dedicar muito para não fazer feio e terminar com menos votos do que teve nas eleições de 1989 quando também foi candidato à presidência pelo PSD, partido a época criado pelo ex-ministro Cesar Cals, que serviu à ditadura de João Baptista Figueiredo (1979-1985).

Se Caiado não fizer campanha presidencial vira traço, se não cuidar da campanha da esposa, ela corre risco, e se “cuidar demais” de Gracinha, gera ciúmes entre os aliados e pode criar abalos na campanha do seu sucessor. É o tal de “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”.

 

 

Iris e Lucia: disputa voto a voto em 2002

 

Eleições 2002

Demóstenes Torres (PFL)- 1.239.352 (26,74%)

Lúcia Vânia (PSDB) – 1.057.358 (22,82%)

Iris Rezende (PMDB) – 1.047.827 (22,61%)

Mauro Miranda (PMDB) 615.070 (13,27%)

Clélia Brandão (PT) – 305.313 (6,59%)

Martiniano Cavalcante (PV) – 267.071 (5,76%)

Miguel Angel Davico (PSB) – 49.792 (1,07%)

Luciano Pedroso (PPS) – 39.337 (0,85%)

Fernando Batista Leite(PSTU) – 8.228 (0,18%)

Luiz Augusto Roma (PTB) 5.198 (0,11%)

Marconi foi eleito com 75% dos votos em 2006

 

Eleições 2006

Marconi Perillo (PSDB) – 2.035.564 (75,82%)

Ney Moura Teles (PMDB) – 503.203 18,75%

Aldo Arantes (PC do B) – 115.689 (4,31%)

Dione Araújo (PFL) – 26.415 (0,98%)

Robson de Sousa (PCB) – 3.777 (0,14%)

Demóstenes e Lucia trocaram votos e foram eleitos e reeleitos

Eleições 2010

Demóstenes Torres (PFL) 2.158.812 (44,09%)

Lúcia Vânia (PSDB) – 1.496.559 (30,56%)

Pedro Wilson (PT) – 878.910 (17,95%)

Paulo Roberto Cunha (PP) – 227.639 (4,65%)

Rener Reis (PP) 76.410 (1,56%)

Elias Vaz (PSOL) – 45.198 (0,92%)

Rubens Donizzeti – (PSTU) – 7.803 (0,18%)

Bernardo Bispo (PCB) – 5.129 (0,11%)

Adib Elias (PMDB) – indeferida

 

Caiado foi eleito senador em 2014 graças a Iris

Eleição 2014

Ronaldo Caiado (DEM) – 1.283.665 (47,57%)

Vilmar Rocha (PSD) – 1.012.496 (37,52%)

Marina Sant’anna (PT) – 298.589 (11,07%)

Aguimar Jesuíno (PSB) – 80.120 (2,97%)

Elber Sampaio (PSOL) – 9.503 (0,35%)

Aldo Muro Jr.(PSDC) – 9.226 (0,34%)

Antônio Vieira Neto (PCB) – 4.810 (0,18%)

 

Vanderlan e Kajuru eleitos em 2018

Eleições 2018

Vanderlan Cardoso (PP) – 1.729.637 (31,35%)

Jorge Kajuru (PRP) – 1.557.415  (28,23%)

Wilder Morais (DEM) – 796.387 (14,43%)

Lúcia Vânia (PSB) – 519.691 (9,42%)

Marconi Perillo (PSDB) – 416.613 (7,37%)

Agenor Mariano (MDB) – 196.614 (3,56%)

Professora Geli (PT) – 132.773 (2,41%)

Luis Cesar Bueno (PT) – 101.743 (1,84%)

Fabrício Rosa (PSOL) – 45.833 (0,83%)

Magda Borges (PCB) – 20.623 (0,37%)

Santana Pires (PATRI) – 5.958 (0,11%)

Professor Alessandro Aquino (PCO) –

3.869 (0,08%)

 

Wilder eleito em 2022

Eleições 2022

Wilder Morais (PL): 25,25% – 799.022 votos

Marconi Perillo (PSDB): 19,80% – 626.662 votos

Delegado Waldir Soares (UB): 17,04% – 539.219 votos

Alexandre Baldy (Progressistas): 12,84% – 406.379 votos

João Campos (Republicanos): 11,07% – 350.222 votos

Denise Carvalho (PC do B): 9,45% – 299.013 votos

Vilmar Rocha (PSD): 1,77% – 55.934 votos

Manu Jacob (PSOL): 1,64% – 51.743 votos

Leonardo Rizzo (Novo): 1,14% – 35.998 votos

 

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