“Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo STF”, frisa o ministro do STF em sua defesa

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o relatório produzido por André Mendonça contra ele é uma “farsa montada” com “motivação político-eleitoral” e de “vingança” dos golpistas que foram condenados pelo STF. Moraes afirmou que possui testemunhas que presenciaram Mendonça, durante uma reunião, pedindo para incluí-lo em investigação da PF.

“Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que colocasse um colega na colaboração premiada?”, questionou.

A fala foi feita por Moraes em documento enviado para Edson Fachin, presidente do STF, nesta segunda-feira (14). Nesta terça (15), o julgamento do Supremo já está em andamento, com o ministro Edson Fachin lendo o seu relatório do caso.

Moraes ressalta que a ofensiva de André Mendonça, que foi indicado por Jair Bolsonaro para ministro da Corte, é baseada em textos do “bloco de notas” de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em seu celular, “que foi apreendido em operação policial exitosa, onde o investigado foi preso sem qualquer intercorrência”.

O trecho tem relevância porque a “acusação” feita por Mendonça é de que Alexandre de Moraes tentou ajudar Daniel Vorcaro a driblar a operação na qual seria preso.

Alexandre de Moraes ressalta ainda que a investigação não apresentou nenhum ofício no qual ele teria favorecido o Banco Master ou Daniel Vorcaro.

 

 

 

Além disso, aponta que Vorcaro foi preso no maior aeroporto do Brasil, portando seu passaporte verdadeiro e seu próprio celular. “Nenhum investigado se comportaria dessa maneira se tivesse acesso prévio a informações sobre sua prisão”, acrescenta.

“Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras. Vingança. Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo STF”, completa Alexandre de Moraes.

A avaliação de Moraes é que André Mendonça instalou uma investigação contra ele sem autorização do plenário do STF, sem pedido da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O documento destaca que André Mendonça abriu uma investigação contra Moraes com grau máximo de sigilo, “inclusive escondendo os autos da própria Procuradoria-Geral da República”, “com o agravante de ter determinado à PF a realização de diligência sem ter assinado a decisão judicial e sem ter feito a comunicação pelas vias procedimentais legais”.

Parte fundamental da ilegalidade se dá no momento em que André Mendonça “convocou os investigadores [da PF] para reunião presencial em seu gabinete e entregou-lhes exemplar físico da decisão” para diligências contra Moraes, “sem assinatura”.

Leia mais trechos da defesa:

“Trata-se, realmente, de tentativa de responsabilização objetiva por escritos de terceiros achados em ‘blocos de notas’ de celular do investigado apreendido em operação policial exitosa que efetuou regularmente sua prisão”.

“‘Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras. VINGANÇA. Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL”.

“”A tentativa de golpe não se encerrou em 8/1/2023. Simplesmente mudou seu modus operandi. Mas assim como na primeira vez, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL saberá resistir e sairá fortalecido, mantendo a Defesa plena da CONSTITUIÇÃO, do ESTADO DE DIREITO e da DEMOCRACIA.”