Na sua coluna no site Brasil247, analisou a sabatina do presidente Lula (PT) no Jornal Nacional e enfatizou a vitalidade e coerência de suas respostas. Confira o artigo reproduzido na íntegra:

 

Lula transforma interrogatório do JN em show de vitalidade

Por Moises Mendes, no Brasil247

A entrevista de Lula ao Jornal Nacional teve os 40 minutos concedidos a todos os candidatos. Com um detalhe que não é irrelevante: mais da metade do tempo, nos 22 minutos iniciais, foi dedicada a um interrogatório em ritmo acelerado, para que o presidente não tivesse tempo para pensar.

Não foi assim com os que o antecederam no JN. Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos tiveram outro tratamento. Lula não foi entrevistado. Foi interrogado por Cesar Tralli e Renata Vasconcellos.

Depois de insistirem nas suspeitas em torno de Fábio Luís e da lobista do empréstimo ao ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, de Jaques Wagner e do caso Master e de Carlos Lupi nas fraudes do INSS, Renata Vasconcellos disse que passaria a perguntar sobre a questão fiscal.

Fecharam o cerco sobre “escândalos” e passaram depois à pauta de interesse da Faria Lima, onde mais de 40 fintechs foram flagradas como máfias a serviço da lavagem de dinheiro do PCC. Mas Lula transformou o interrogatório num show de agilidade mental, números, comparações com governos anteriores e vitalidade física.

Bem-humorado, Lula disse, quando a pauta mudou para as questões que importam ao mercado financeiro, que até ali se sentia como se estivesse no Ministério Público. Foi uma tentativa fracassada de massacre, para que o presidente fosse visto como réu, como já aconteceu outras vezes. Mas não funcionou.

 

 

Lula apontou a imprensa como cúmplice da Lava Jato e lembrou que as corporações de mídia nunca pediram desculpas pelos erros que cometeram. Lamentou que os entrevistadores não conheçam ou não admitam a melhoria das contas públicas. Lembrou que pegou o Brasil quebrado e em dívida com o FMI em 2003 e que hoje o país tem mais de US$ 370 bilhões em reservas em moeda forte.

Se dependesse só das pautas do Jornal Nacional, o brasileiro ficaria sabendo muito de contas públicas e nada dos compromissos de Lula com o povo: manter e ampliar os programas sociais, preservar o ganho real do salário mínimo, continuar segurando a inflação e aumentando o nível de emprego.

A dupla de entrevistadores do JN não quis saber nada das grandes questões da economia que importam para as pessoas, porque os números que Lula iria exibir são desfavoráveis à sabotagem do mercado, da direita, do bolsonarismo e dos jornalões.

Tralli e Renata não tocaram na redução dos preços dos alimentos e na queda recorde do desemprego, porque são pautas que interessam ao povo, e não à Globo e à Faria Lima. Assim como não trataram do aumento da confiança externa no Brasil.

 

Se dependessem só da conversa com a bancada do JN, os brasileiros também não ficariam sabendo por que Lula tomou a decisão de enfrentar a fúria fascista de Trump, respondendo daqui com a imposição da sua política de defesa da soberania nacional.

Os entrevistadores nada perguntaram a Lula sobre questões fundamentais para a melhoria da vida do brasileiro, com exceção das filas do INSS, e fugiram da pauta do tarifaço de Trump, armado em conluio com os filhos de Bolsonaro.

 

 

Lula disse ao final que vive o seu melhor momento da “passagem pela Terra”, fechando aquela que talvez tenha sido a sua mais inspirada entrevista à Globo desde o primeiro mandato. Aos 80 anos, teve uma performance histórica.

Mesmo que pouco ou nada tenha conseguido falar sobre o que importa para a maioria, desmontou, uma a uma, as armadilhas dos interrogadores e mostrou que parece hoje mais disposto e forte até do que em 2002. Lula passou a certeza de que vai vencer de novo.